Diretoria de Comunicação da Uerj

“Mulheres na Ciência – Experiências, desafios e políticas de fomento” foi o tema do inédito Seminário Integrado Faperj, realizado na última quinta-feira (1º), na Capela Ecumênica do campus Maracanã. O evento reuniu pesquisadoras contempladas nos editais “Apoio às Cientistas Mães com vínculo em ICTs do Estado do Rio de Janeiro” e “Meninas e Mulheres nas Ciências Exatas e da Terra, Engenharias e Computação”, e promoveu reflexões sobre os impactos desses programas e as perspectivas para 2027.
Na sessão de abertura, estiveram presentes a reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva; a presidente da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Caroline Alves da Costa; a diretora científica da Faperj, Eliete Bouskela; a diretora de Administração e Finanças da Faperj, Luciana Lopes Costa; e o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro (Secti), Antonio Claudio Nóbrega.
“Esse evento é muito simbólico para nós, mulheres, que exercemos um papel crucial na defesa da ciência e da democracia. Apesar de sermos maioria nas universidades em grande parte dos cursos, os espaços de poder ainda são prioritariamente masculinos. Um retrato disso é que em quase 76 anos de Uerj sou apenas a segunda reitora. Parabenizo, então, a Faperj por elaborar editais que trabalham na perspectiva de fomentar a pesquisa feminina”, afirmou Gulnar.
Segundo Caroline, o Seminário evidencia o compromisso da Faperj com a equidade de gênero e a diversidade. “Além do fortalecimento do fomento, precisamos pensar de forma integral nessas questões para avançarmos cada vez mais na nossa missão de engrandecer a ciência no estado do Rio de Janeiro com um olhar humanizado”, declarou a presidente da Faperj.
Ferramenta de inclusão de grupos minorizados
O encontro apresentou ao público uma mesa-redonda, coordenada pela professora Catia Antonia da Silva, do Departamento de Geografia (Degeo) da Faculdade de Formação de Professores (FFP) da Uerj, na qual foi debatida a temática principal do evento. “Há um processo muito longo a ser percorrido na ciência em relação à diversidade. Quando realizei o meu doutorado na UFRJ, uma professora me disse que eu era a primeira mulher negra a ingressar no curso. Por isso, no Brasil precisamos pensar nessas questões de modo intersecional. Mas, é importante destacar que a Faperj vem promovendo contundentes ações voltadas a fortalecer a presenças das mulheres nas universidades. E isso pode e deve servir de exemplo a outras agências de fomento”, analisou Catia.
Ainda como parte da programação, a presidente da Comissão Permanente de Equidade, Diversidade e Inclusão (Cpedi) da Faperj, Letícia de Oliveira, comandou a conferência “Mulheres na Ciência: o impacto dos editais da Faperj”. Na ocasião, foram apresentados os principais dados publicados no relatório que avaliou o impacto das políticas públicas implementadas pela Fundação. “Não se faz política de inclusão sem financiamento. Por isso, é crucial que a Faperj faça história, transformando editais em instrumentos de justiça, financiando de forma inédita e robusta grupos minorizados na ciência”, destacou Letícia.
Cientista e mãe: um direito de escolha

Além disso, ao lado da Concha Acústica, aconteceu uma sessão de pôsteres na qual foram expostos trabalhos contemplados nos editais. Um dos projetos participantes foi o intitulado “Saúde mental em cuidadores familiares de pessoas idosas com Alzheimer: relações com ambivalência, culpa e autocompaixão”, coordenado pela professora Heloísa Gonçalves Ferreira, docente do Instituto de Psicologia (IP) da Uerj e vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da Universidade.
A pesquisadora foi uma das 37 profissionais da Uerj selecionadas na primeira edição do programa “Apoio às Cientistas Mães”. Ela fez a sua investigação em parceria com a Universidad Autónoma de Madrid e a Universidad Rey Juan Carlos, ambas da Espanha. “Esse é um edital muito importante voltado à equidade de gênero para incluir mulheres que querem fazer ciência, inclusive mães, como eu, que tenho um filho de sete anos. Não deveríamos ter de escolher entre carreira, casamento ou filhos. Queremos exercer todos os papeis que desejarmos em nossas vidas. Felizmente, a Uerj é um espaço muito acolhedor para as servidoras que são mães. Porém, isso não deveria ser uma exceção ou privilégio, mas, sim, um direito de todas as mulheres”, reflete Heloísa.
“A minha pesquisa tem um relevante recorte de gênero, já que avalia a saúde mental de cuidadores que são em sua grande maioria mulheres e que não contam, em geral, com suporte psicológico ou de outras pessoas. Logo, não é surpreendente que, considerando esse grupo social, os índices relacionados à saúde mental sejam tão preocupantes”, finaliza.
Fotos: George Magaraia