Uerj cria protocolo emergencial para eventos meteorológicos extremos; documento padroniza comunicação oficial

17/09/202610:53

Diretoria de Comunicação da Uerj

Diante do aumento da frequência de tempestades, vendavais e chuvas intensas no estado do Rio de Janeiro, a Uerj estabeleceu um protocolo emergencial com diretrizes para proteger sua comunidade e gerir os impactos acadêmicos e administrativos dos episódios meteorológicos extremos. Publicado no dia 2 de setembro, o Aeda 040/2026 cria uma cadeia de comando em dois níveis — Comitê Estratégico e Comitê Tático-Operacional — para coordenar a comunicação emergencial da instituição e possíveis bloqueios e evacuações em áreas afetadas dos campi.

A reitora Gulnar Azevedo e Silva reforçou a opção da Universidade por uma construção coletiva na gestão e na tomada de decisão em emergências climáticas. “A importância dessa iniciativa é muito significativa. Os sistemas de alerta precisam ter ações organizadas e coordenadas quanto às atividades letivas e administrativas para que todos ajam com tranquilidade e segurança. Haverá níveis decisórios e operacionais com diferentes componentes. Uma comissão participativa, com representantes das unidades, será responsável por elaborar uma política ampla de enfrentamento aos problemas climáticos”, completou Gulnar.

Recomposição das aulas e avaliações

As ações institucionais estarão alinhadas aos avisos, alertas e decretos oficiais de emergência expedidos pelos órgãos de Proteção e Defesa Civil do Estado e de municípios onde a Uerj está presente. Classificadas em quatro níveis de impacto (Baixo, Médio, Alto e Severo), as medidas variam conforme a gravidade do evento. Para todos os níveis, fica garantida a recomposição de aulas e avaliações para estudantes comprovadamente impossibilitados de se deslocar, assegurando que não haja prejuízo acadêmico.

Em situações de alto impacto, com vendavais intensos, risco de deslizamentos, alagamentos ou desarticulação do transporte público, o protocolo recomenda a suspensão das atividades presenciais. Na graduação, sugere-se a adoção de metodologias de sala de aula invertida com materiais complementares; já a pós-graduação poderá migrar para o formato remoto síncrono, se houver condições técnicas adequadas.

Nos cenários classificados como severos, com colapso da mobilidade urbana, vendavais destrutivos ou danos estruturais que inviabilizem o uso seguro das instalações, a suspensão total e compulsória das atividades presenciais é obrigatória e decretada centralmente. O retorno físico aos prédios depende de laudo técnico da Pró-reitoria de Planejamento e Gestão (PR6), que avaliará a integridade estrutural, a potabilidade da água e a salubridade das edificações.

Particularidades de cada unidade serão consideradas

O pró-reitor de Planejamento e Gestão (PR6), Rodrigo Pessoa, afirma que as direções dos campi e unidades possuem papel fundamental na identificação das condições locais e na execução das medidas necessárias, permitindo cruzar os alertas oficiais com a realidade de cada local. “Quando a ocorrência pode ser administrada localmente, a própria unidade atua; quando ultrapassa essa capacidade, o caso vai ao nível central”, atenta Pessoa.

A PR6 participa tanto do Comitê Estratégico, que avalia o nível de impacto e subsidia as decisões, quanto do Comitê Tático-Operacional, responsável pela execução. Como a Uerj tem campi em regiões com vulnerabilidades distintas, o protocolo não aplica uma decisão única e automática a toda a Universidade, mas estabelece uma mesma estrutura de proteção e tomada de decisão, permitindo ações específicas. “Uma região pode estar em risco elevado enquanto outra opera normalmente”, reforça.

A respeito do patrimônio da Uerj, o protocolo também estabelece medidas de proteção de instalações, equipamentos, acervos, arquivos, amostras de pesquisa e outros bens considerados prioritários, sempre condicionando essas ações à segurança das pessoas envolvidas. “Em situações mais graves, o Aeda 040/2026 prevê ainda que o retorno às instalações somente ocorra após as verificações técnicas pertinentes, reduzindo o risco de reocupação de espaços que possam ter sido comprometidos”, completa o pró-reitor.

Ações imediatas e antecipação de respostas

Após eventos de impacto alto ou severo, as unidades afetadas terão 30 dias para apresentar relatório técnico à Reitoria, mapeando falhas, perdas e propondo ajustes. Para o pró-reitor de Graduação (PR1) Antonio Soares, o protocolo emergencial serve para antecipar ações e dar respostas imediatas, já que esses eventos climáticos extremos “deixaram de ocorrer a cada dez anos e agora serão anuais”. “Uma vez instituído, ele dá autonomia: conforme o nível de alerta, sabemos se as atividades serão mantidas, adaptadas ou suspensas, sem necessidade de consultar a administração central”, explica.

A proposta é delimitar a decisão administrativa sobre evacuar ou manter os prédios funcionando. Uma câmara técnica, estabelecida por portaria específica, será composta por pesquisadores da Universidade e especialistas em eventos extremos. “A equipe técnica conta com meteorologistas e climatologistas e também agregou um profissional do serviço geológico do estado. Além disso, está sendo planejado o acolhimento com água e alimentação para quem não puder deixar a Uerj em segurança, pois sair em meio a um vendaval ou alagamento é ainda mais perigoso”, anuncia Soares.

Padrão único de alerta com cards institucionais e divulgação em redes sociais

A Diretoria de Comunicação Social (Comuns), integrante do Comitê Estratégico, será responsável por centralizar e padronizar as informações à comunidade universitária durante os episódios meteorológicos extremos. O novo protocolo estabelece um modelo único de comunicação, com cards oficiais que informarão — de forma direta e objetiva — o tipo de evento, o local afetado, o nível de impacto, a situação em andamento e as orientações concretas para estudantes, docentes e técnicos.

A estratégia de divulgação varia conforme a gravidade do evento. Em situações de nível baixo ou médio, os cards de “Informe” serão enviados via Sistema Eletrônico de Informações (SEI) para todas as unidades e compartilhados pelos grupos oficiais de mensagens institucionais, com o objetivo de multiplicar o alcance da mensagem entre a comunidade.

Nos níveis alto ou severo, o protocolo prevê a publicação do card de “Alerta” nos perfis oficiais da Universidade nas redes sociais (como no Instagram @uerj.oficial), no portal institucional (uerj.br) e o envio de nota de esclarecimento à imprensa, informando as atividades afetadas, seus respectivos públicos e as orientações da Universidade. Todas as notas oficiais deverão incluir a cláusula de encerramento: “Na ausência de novo informe oficial, fica estabelecido o retorno à normalidade no turno ou dia subsequente.”

A Comuns também atuará na aprovação da comunicação oficial institucional, garantindo que as mensagens sigam as janelas de decisão estabelecidas — até as 10h para o turno da tarde, até as 15h para o noturno e até as 21h para o turno da manhã seguinte — assegurando que a informação chegue à comunidade de forma ágil e eficaz.

Na ausência de nova deliberação emitida dentro das janelas estipuladas, presume-se o retorno integral à normalidade no turno subsequente, ressalvadas as hipóteses de enquadramento no nível severo. Nesse caso, o retorno físico às instalações dependerá de laudos de avaliação técnica e de potabilidade da água emitidos pela PR6. A volta poderá ocorrer de forma escalonada, priorizando-se serviços essenciais e de saúde.

Como funcionarão os dois níveis de comando

O Comitê Estratégico, presidido pela Reitoria e composto pelas Pró-reitorias, pela Diretoria de Comunicação Social (Comuns), pelas Direções de Centros Setoriais e por representações do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), é a instância máxima de deliberação. Caberá a esse grupo classificar o nível de impacto do evento, decidir sobre a manutenção, restrição, suspensão ou retomada das atividades, articular o apoio com autoridades públicas e aprovar a comunicação oficial institucional.

Já o Comitê Tático-Operacional, formado pelos departamentos e serviços da Pró-reitoria de Saúde (PR-5), da Pró-reitoria de Planejamento e Gestão (PR-6) e pelas direções das unidades e campi afetados, tem a função de converter as deliberações estratégicas em planos de ação práticos. Suas atribuições incluem coordenar segurança, infraestrutura e logística, executar procedimentos de evacuação, organizar abrigos temporários, prestar primeiros cuidados e realizar o levantamento inicial de danos.

Essa estrutura escalável garante que ocorrências localizadas sejam resolvidas pelas direções dos campi, enquanto eventos que extrapolem a capacidade local sejam imediatamente transferidos para o nível central de decisão.