Rede de Bibliotecas da Uerj recebe novas peças do acervo da carnavalesca, figurinista e cenógrafa Rosa Magalhães

15/09/202613:48

Diretoria de Comunicação da Uerj
Prêmios Emmy (à esq.) e 30 anos Rio, Samba e Carnaval (à dir.) e a tocha olímpica de 2016

A Uerj recebeu recentemente novas peças do acervo da falecida cenógrafa, figurinista e carnavalesca Rosa Magalhães, doadas pelas inventariantes da artista. Entre croquis de figurinos de teatro, fotografias pessoais e 28 troféus acumulados ao longo de sua carreira, destacam-se a tocha das Olimpíadas de 2016, em que ela foi diretora artística da cerimônia de encerramento, e o Prêmio Emmy na categoria de melhor figurino, pelo seu trabalho na abertura dos Jogos Pan-Americanos de 2007. A Rede Sirius – Rede de Bibliotecas da Uerj – é responsável por armazenar, catalogar e digitalizar esse novo material, que será incorporado ao Acervo Iconográfico Rosa Magalhães já existente, composto pelos croquis de carnaval doados em 2022.

Luciana Avelar, coordenadora do Núcleo de Memória, Informação e Documentação (MID) da Rede Sirius, explica que os troféus receberam limpeza e tratamento adequado e estão guardados na reserva técnica como parte do acervo da carnavalesca. “Futuramente, após a catalogação digital das peças tridimensionais, nosso plano é disponibilizar essa parte do acervo de forma completa, com fotos e descrição, junto com os croquis de carnaval que já estão no site”, aponta Luciana.

Croquis de Rosa Magalhães para a Imperatriz Leopoldinense em 2005 e 1999 (campeã)

Além dessas novas peças, em 2022, a Uerj já havia recebido, da própria Rosa Magalhães, 5.500 croquis de fantasias criadas por ela para diversas escolas de samba do carnaval carioca e paulista, constituindo o primeiro acervo de originais de arte carnavalesca da Uerj. A digitalização completa foi feita por Marcos Vasconcelos, publicitário do setor de comunicação da Rede Sirius, e a catalogação, por Luciana Avelar e Selma de Oliveira (bibliotecária da Rede Sirius). As obras estão disponíveis no catálogo da Rede e no acervo iconográfico digital da artista. O processo durou cerca de dois anos e foi parte do Programa de Incentivo ao Desenvolvimento Técnico-Científico (Prointec) da Uerj.

Alguns dos croquis de Rosa Magalhães estão sendo emprestados para o Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro e para o Sesc Pompeia, em São Paulo, para exposições em sua homenagem. Em 2025, também já foram emprestados para a Pinacoteca de São Paulo.

Marcos Vasconcelos, servidor da Rede Sirius

Vasconcelos conta que digitalizou manualmente cada croqui com um scanner de alta tecnologia, que permitiu a preservação de detalhes da textura e dos traços do desenho, frisando que não foi feita nenhuma edição, mesmo com as marcas do tempo no papel. “Muitos dos croquis tinham manchas de café e de graxa, por exemplo, devido à alta circulação na época, pois grande parte desse material foi para o Barracão. Hoje, não é mais um material de trabalho do dia a dia, mas sim um acervo artístico importante e raro”, conta. Considerando esse desgaste e possível deterioração dos papéis, ele observa que alguns poucos desenhos recebidos pela Uerj são, provavelmente, cópias dos originais, realizadas por Rosa Magalhães.

A disponibilidade desse acervo de carnaval possui uma importância simbólica, considerando a história da festividade no Rio de Janeiro e a relação da Universidade com as comunidades próximas. “Entendo que a Uerj, por estar localizada entre várias escolas de samba, como Salgueiro, Mangueira e a própria Vila Isabel, acaba funcionando como local de memória do carnaval”, afirma Luciana. Ela destaca que essa iniciativa de Rosa levou outros carnavalescos a entrarem em contato para, possivelmente, também doarem parte de seus acervos.

Vasconcelos também salienta a relação das bibliotecas com o carnaval. “Antes do acesso à internet, os temas dos sambas-enredo eram criados a partir de pesquisas em livros físicos”, diz. Projetos como esse, portanto, evidenciam e reforçam o papel acadêmico na preservação da memória desses artefatos, que fazem parte da história da região e da sua comunidade.

Fotos: George Magaraia