Zeny Rosendahl, docente do Instituto de Geografia, recebe título de Professora Emérita da Uerj

03/09/202610:54

Diretoria de Comunicação da Uerj

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) concedeu, na última terça-feira (1º), o título de Professora Emérita à Zeny Rosendahl, do Instituto de Geografia (Igeog). Realizada na Capela Ecumênica do campus Maracanã, a cerimônia reuniu autoridades, professores, pesquisadores, estudantes, ex-alunos, integrantes da comunidade acadêmica e familiares da homenageada para celebrar uma trajetória dedicada ao ensino, à pesquisa e à formação de novos geógrafos. O título de Professor Emérito é outorgado exclusivamente a membros aposentados do magistério superior que tenham se distinguido pela notável eficiência no exercício da docência, na produção científica e na prestação de serviços relevantes à Universidade.

Com graduação e mestrado na Uerj, Zeny é docente da instituição desde a década de 1980, tendo sido também pró-reitora de Graduação entre 2005 e 2006. Geógrafa de reconhecida projeção nacional e internacional, construiu uma trajetória acadêmica marcada pelo pioneirismo e pela excelência na área da geografia cultural, com ênfase nos estudos da religião, do espaço sagrado e das relações entre cultura, território e sociedade. Ao longo de mais de quatro décadas de atuação, contribuiu de forma decisiva para a revalorização da geografia cultural do Brasil, abrindo novos caminhos de investigação e ampliando os horizontes da ciência geográfica.

Zeny Rosendahl e Gulnar Azevedo e Silva

Na solenidade, a reitora Gulnar Azevedo e Silva destacou o empenho de Zeny tanto na formação quanto na pesquisa e na extensão, no campo da geografia e em áreas correlatas, reconhecendo a importância da docente para a história da Uerj. “É inspirador ver uma trajetória que começou na nossa Universidade alcançar essa grandeza. Sua carreira é resultado do encantamento com a cultura carioca e brasileira, e um exemplo de como a interdisciplinaridade é importante na formação de grandes profissionais e também na produção do conhecimento”, ressaltou.

Zeny é fundadora do Programa de Extensão em Estudos Avançados em Geografia, Religião e Cultura (Peagerc) e da revista Espaço Cultura, primeiro e mais importante periódico de geografia cultural do Brasil. Também fundou o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Espaço e Cultura (Nepec) da Uerj, referência nacional na área. Sua expressiva produção acadêmica, com dezenas de artigos, livros e capítulos publicados, se consolida como uma das principais referências latino-americanas nos estudos da geografia da religião.

Saudação

Aureanice de Mello Corrêa saudou a homenageada

A professora Aureanice de Mello Corrêa, na saudação à homenageada, destacou a ousadia de Zeny ao criar o Nepec, do qual também foi integrante. “Fiquei emocionada com o convite para ser a relatora. Nesse momento, decidi que o fio condutor da minha apresentação seria pautada nas minhas memórias afetivas, mas com certeza também daqueles que fizeram parte do Nepec, criação ousada da homenageada na época”, disse.

“Movida pela ousadia, Zeny pavimentou o caminho para nós, ‘nepequianos’ e parceiros, que passamos a pensar o espaço geográfico sobre a perspectiva das práticas culturais. Que são sociais e se manifestam sobre múltiplos processos, seja por meio da religiosidade, da música, do cinema, das paisagens significadas, gerando processos identitários, nos templos, igrejas, terreiros, mesquitas, na cidade, na periferia, nos estilhaços de centralidade. O Nepec é, então, sagrado e profano, território existencial constituído por fronteiras dialógicas, um lugar onde o pensamento é livre, engendrando o pensar intelectual, criativo, inovador”, pontuou.

Observadora de si mesma

Autoridades da Uerj participaram da solenidade

Em sua fala, a professora Zeny contou sua motivação para seguir a carreira de geógrafa e aconselhou os novos estudantes e pesquisadores. “Ao relembrar a minha vida acadêmica na Uerj, como observadora da minha própria caminhada, penso que foi a pesquisa empírica que me fez fazer o que eu fiz. Porque é necessário reconhecer o que acontece na geografia fora da sala de aula”, afirmou. “Saia do gabinete para ver e sentir o que acontece em campo. E depois volte para consultar a teoria a respeito. Se não existir, crie. Essa é a trilha do sucesso. Me sinto honrada e agradeço por esse título tão importante que a Universidade me concedeu” concluiu.

Fotos: George Magaraia