Serviço de Acolhimento à Saúde Universitária da Uerj celebra primeiro ano com mais de mil atendimentos realizados

25/09/202616:32

Diretoria de Comunicação da Uerj

Estudante de graduação da Uerj no campus Maracanã, W. vivia um momento de grande pressão psicológica. “Coisas da vida mesmo, que todo mundo pode passar um dia. Senti que estava difícil até formular as perguntas certas para mim mesmo e que eu não daria conta sozinho. Saber da existência do Sasu me mostrou que eu precisava e podia buscar ajuda profissional, e eu finalmente busquei”, relembra.

O relato de W. exemplifica a relevância do serviço na comunidade acadêmica. Em seu primeiro ano de atividade — comemorado na última sexta-feira (18) na porta do espaço, situado no subsolo do Pavilhão Reitor João Lyra Filho, no campus Maracanã —, o Serviço de Acolhimento à Saúde Universitária (Sasu) da Uerj acolheu 734 pessoas e realizou mais de 1.100 atendimentos.

Vinculado à Pró-reitoria de Saúde (PR5), o serviço realiza escuta, acolhimento, orientação e avaliação em saúde voltado a estudantes, docentes, técnicos administrativos e trabalhadores terceirizados. Funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e atua de forma articulada com o Sistema Único de Saúde (SUS), auxiliando a comunidade universitária a identificar suas necessidades de saúde e a encontrar os caminhos mais adequados para o encaminhamento e o cuidado.

“Parece que tirou um peso das minhas costas”

Para W., o acolhimento recebido foi transformador. “No momento que decidi ir até o serviço, fui atendido por uma enfermeira da equipe, que foi super simpática, conversou comigo calmamente sobre o que eu estava passando, me apontando as perguntas que eu deveria me fazer”, relata.

O aluno conta que foi convidado a retornar para acompanhamento. “Ela falou: ‘volta aqui em um mês para a gente conversar, para ver o que está acontecendo, se melhorou, se piorou’. E não é que melhorou? Depois de conversar com ela, melhorou muito. Parece que tirou um peso das minhas costas. Mesmo assim, ela me orientou que retornasse no mês seguinte. Me senti muito acolhido”, acrescenta ele.

W. também destaca a importância de a Universidade ter uma atenção à saúde voltada à sua comunidade. “Achei ótimo a Uerj tomar essa iniciativa. Ter alguém para apontar um caminho quando a vida ‘pesa’, como foi o meu caso, é muito bom para o aluno”, afirma.

Uma proposta ousada: construção coletiva e pioneirismo do serviço

Anália Barbosa, coordenadora do Sasu; Ronaldo Damião, secretário estadual de Saúde; Gulnar Azevedo e Silva, reitora da Uerj; e Marcos Lago, pró-reitor de Saúde (PR5)

A reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva, destaca que a criação do Sasu nasceu da escuta às demandas da comunidade. “Eu percebia que a comunidade universitária apontava a dificuldade de conseguir assistência à saúde”, explica. Segundo a reitora, a solução encontrada foi inovadora: criar um serviço que não substitui o SUS, mas facilita o acesso a ele. “Não há porta de entrada diferenciada no SUS. A porta precisa seguir o caminho do Sistema Único de Saúde, que é a linha de cuidado. Com o Sasu, procuramos oferecer um acolhimento que também acompanha, seguindo o princípio da humanização do serviço de saúde”, completa Gulnar.

Anália Barbosa, coordenadora do Sasu, faz um balanço desse primeiro ano. “Das 734 pessoas que passaram pelo serviço nos primeiros 12 meses, talvez o mais importante não seja quantas pessoas chegaram, mas sim quem chegou e o que essas pessoas nos ensinaram sobre a própria Universidade”, afirma. Ela destacou que 70% dos atendimentos foram destinados a alunos e trabalhadores terceirizados, e que 65% das demandas foram atendidas pela equipe multiprofissional. “Isso significa que saúde física e saúde mental não são dimensões isoladas. Elas caminham juntas, se atravessam. Portanto, é preciso reunir diferentes olhares e profissionais para compreender a necessidade de quem chega ao atendimento”, explica.

A coordenadora também ressalta o caráter pioneiro do serviço. “Com a cautela que essa afirmação exige, mas também com muita convicção, temos dito que estamos construindo uma experiência pioneira no nosso país. O Sasu é fruto de uma construção coletiva, de pessoas que compartilham uma ideia que está na base desse trabalho: a saúde da comunidade universitária também é responsabilidade da Universidade”, aponta ela.

No evento comemorativo, Anália agradeceu a todos os setores e pessoas envolvidas, desde a reitoria até a equipe de segurança, passando pela gráfica, transporte e manutenção. “O Sasu não chegou pronto até nós. Nós fomos construindo o Sasu enquanto ele já acontecia. Aprendemos juntos, discutimos muito, construímos fluxos, revimos decisões, erramos, corrigimos, mudamos caminhos e seguimos pensando todos os dias sobre como fazer melhor”, relata a coordenadora do serviço.

Equipe multidisciplinar

Equipe do Sasu

Atualmente o Sasu realiza acolhimento e atendimento multiprofissional em saúde, integrando as dimensões física, psíquica e social. Além do acolhimento psicossocial, inclui atendimentos de enfermagem, serviço social, psicologia e medicina de família e comunidade, conforme a necessidade identificada na avaliação inicial. “Fazemos escuta qualificada, avaliação clínica e de risco, além de darmos orientações. Também oferecemos acompanhamento e articulação com outros serviços da Uerj e da rede SUS”, lista Anália.

A equipe é formada por uma coordenadora (que também é assistente social), um assistente social, dois médicos de família e comunidade, um enfermeiro, quatro técnicos de enfermagem, duas psicólogas, um profissional administrativo e um segurança. Nos casos que demandam atenção especializada ou urgência, Anália explica que são realizados os encaminhamentos necessários. “A proposta é funcionar como uma porta de acolhimento integral à saúde da comunidade universitária, e não apenas como um serviço de saúde mental”, resume.

Integralidade em saúde

Especialista em medicina de família e comunidade formado pela própria Uerj, Fillipe Tinoco integra a equipe desde antes da inauguração. Ele destaca a proposta inovadora do Sasu. “É um serviço que traz esse desafio: nós não substituímos a rede de saúde, estamos aqui para ser uma porta de entrada, fazer um primeiro acolhimento, oferecer uma avaliação em tempo oportuno e colaborar com o percurso das pessoas na própria rede de saúde”, explica.

Tinoco ressalta que a sua formação contribui para uma abordagem integral. “Trago essa bagagem de pensar a pessoa como um todo, não separar o que é o físico, o emocional, o social. Aqui é um lugar que posso contribuir com a perspectiva da integralidade. Para todos os casos que chegam ao Sasu, não necessariamente podemos apresentar uma solução, mas temos um compromisso de fazer a escuta e de acolher”, diz o médico, que também enfatiza o trabalho colaborativo entre as categorias profissionais.

Ele observa que muitas demandas físicas escondem questões psicossociais. “Muitas vezes a queixa é apresentada pelo aspecto físico, como uma dor de cabeça ou pressão elevada, e quando conseguimos fazer uma escuta nessa perspectiva acolhedora, contando com essa colaboração interprofissional, conseguimos entender um pouco mais a fundo o que está por trás”, explica.

Anália Barbosa resume o compromisso do serviço. “Que uma pessoa, ao chegar no Sasu precisando de ajuda, não precise descobrir sozinha qual o caminho seguir. Que ela encontre uma porta aberta e que do outro lado dessa porta encontre pessoas dispostas a construir esse caminho com ela”, sintetiza.

Parceria com a Segurança

Sasu conta com a parceria da equipe de Segurança

A articulação entre o Sasu e a equipe de segurança tem se mostrado fundamental no cotidiano do campus Maracanã. Para Andréa Travassos, chefe da Segurança, o serviço se tornou um ponto de referência indispensável. Ela menciona que os vigilantes da sua equipe são preparados para acompanhar e encaminhar pessoas ao serviço, e destaca a disposição dos profissionais do Sasu em atender em qualquer setor. “Eles não têm problema em ir ao lugar onde a pessoa está. Muitas vezes, quem passa por um problema emocional não quer sair do local. E o Sasu se dispõe a ir até lá”, conta.

Andréa também salienta o trabalho de orientação e treinamento contínuo da equipe de segurança. “Sou grata por ter profissionais muito sensíveis”, afirma. A vigilante Mariana Santos, que atua no 10º andar do Pavilhão João Lyra Filho, compartilha dessa visão. Para ela, o papel da Segurança vai além da vigilância patrimonial. “Eu digo que não tomo conta apenas de prédio, de cimento, de cadeira. Entendo que o maior patrimônio aqui são as pessoas. Procuro com o meu trabalho zelar pela integridade física e mental de cada um”, declara.

Mariana ressalta como um olhar atento faz a diferença. “Ninguém traz escrito no rosto o problema que está enfrentando, a bagagem que carrega consigo ou o que passa em casa”, reflete. “Se dispor a ter uma escuta realmente atenta, um olhar mais crítico, é oferecer um cuidado completo ao ser humano”, finaliza.

Serviço de Acolhimento à Saúde Universitária (Sasu)

Local: Pavilhão Reitor João Lyra Filho do Campus Maracanã – Subsolo, em frente à Gráfica da Uerj

Atendimento: Segunda a sexta-feira, das 8h às 18h

Contato: msasu@uerj.br

Fotos: George Magaraia