Diretoria de Comunicação da Uerj

A Uerj acaba de criar o “Fórum de Estudos Estratégicos”, espaço institucional permanente voltado à promoção de debates qualificados, plurais e interdisciplinares sobre temas centrais em prol do desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro. O projeto é uma iniciativa do Centro de Estudos Estratégicos e Desenvolvimento (Ceed), órgão deliberativo e executivo ligado diretamente à Reitoria, e terá como ação inaugural o lançamento do livro “Meia-volta, volver: a violência da militarização das escolas do Brasil”, no dia 7 de outubro, às 14h30, no auditório 113 (11º andar) do campus Maracanã da Uerj.
Organizada por Felipe Queiroz e Gaudêncio Frigotto, a obra reúne artigos de estudiosos que refletem sobre o processo de desmonte da escola pública brasileira e os impactos da militarização na formação democrática e cidadã dos estudantes. Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Comitê Diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, é um dos autores do trabalho e realizará uma conferência sobre o tema no evento de lançamento, que emitirá certificado de participação. O diretor do Ceed, Rodrigo Azevedo dos Reis, ressalta que essa iniciativa reflete a proposta do Fórum de ser um espaço provocador para discussões acadêmicas. “Queremos abordar assuntos que interessem à Universidade e ao desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro”, aponta Reis.
Com a missão de fomentar discussões qualificadas e pensar o futuro da universidade como promotora de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do Estado, o Fórum é organizado em cinco eixos temáticos: educação, saúde, desenvolvimento, estudos de territórios e estudos de conjuntura. O vice-diretor do Ceed, Felipe Queiroz, acrescenta que o projeto veio para suprir uma lacuna da atuação do Centro até então. “Conseguimos avançar no âmbito do desenvolvimento de ações, mas estávamos falhando no campo dos estudos. E isso nos moveu a criar esse Fórum que se propõe a elaborar estudos estratégicos e a recuperar uma tradição que a Uerj tem de promover grandes debates, que sentimos que se perdeu um pouco pós-pandemia de Covid-19″, afirma Queiroz.
Uma nova fase para o Ceed

A diretoria do Centro salienta que o Fórum é o mais recente passo dado em um processo amplo de reformulação que o órgão vem passando nos últimos quase três anos, na gestão que se iniciou em 2024 com a liderança do professor Floriano Godinho de Oliveira, que passou o bastão no ano passado para Reis. “A base do que viraria a se tornar o Ceed existe desde a década de 1990, e ocupava um lugar de maior protagonismo na articulação de saberes da Universidade, através da pesquisa, extensão e graduação. Esse diálogo com a municipalidade ocorreu em um período em que houve uma intensificação do processo de interiorização da Uerj, que se consolidou com o estabelecimento de campi externos”, contextualiza o atual diretor.
O Centro de Estudos Estratégicos e Desenvolvimento (Ceed) foi criado em 2009 como Coordenadoria de Estudos Estratégicos e Desenvolvimento. Recebeu a denominação atual pelo Aeda 72/2020, tendo como principal objetivo incentivar ações em todas as regiões administrativas fluminenses, por meio de parcerias estabelecidas entre a Uerj e os municípios do estado do Rio de Janeiro.
Entretanto, Reis, que é também professor do curso de Engenharia Química do Instituto de Química (Dopi-IQ) da Uerj, ressalta que ao longo dos anos a função que inicialmente era ocupada exclusivamente pelo órgão foi se diluindo para outras instâncias da Universidade. “Conforme as gestões foram mudando, o Centro foi se transmutando e a própria Uerj passou por uma mudança de perfil, fortalecendo a sua pesquisa. E, nesse processo, as atividades do Ceed não tinham continuidade. Quando o Floriano, que é um geógrafo especialista em desenvolvimento do Estado do Rio, assumiu, ele se comprometeu a retomar a ideia inicial do projeto, e eu fui convidado para ser o vice-diretor para ajudá-lo no propósito de promover ações de desenvolvimentos voltadas aos municípios do interior”, detalha Reis.
Nessa nova fase, o vice-diretor do Ceed enfatiza que o trabalho do Centro vem se materializando como um instrumento que articula a Universidade e a sociedade. “Dialogamos externamente e internamente para, assim, definirmos quais áreas podem responder às demandas dos municípios. Dessa forma, podemos identificar os pesquisadores que atuam nos campos que supram as necessidades apresentadas para definir as ações que serão elaboradas em prol do desenvolvimento social dessas localidades”, analisa Queiroz.
Plano Diretor de Piraí: um trabalho em parceria com a Uerj

O trabalho realizado no município de Piraí, localizado no Vale do Paraíba Fluminense, concretizou, então, esse recomeço. Na região, a Uerj firmou em maio de 2025 uma parceria estratégica com a Prefeitura voltada à construção do novo Plano Diretor da cidade, lei municipal que orienta o crescimento e o desenvolvimento urbano, que visa melhorar a qualidade de vida da população e reduzir as desigualdades socioeconômicas das cidades. “O professor Floriano nos convidou a fazer uma pesquisa territorial no município, e esse convite se desdobrou nesse convênio com a Uerj, com o envolvimento das faculdades de Economia, Geografia, Geologia, Ciências Sociais, Formação de Professores, Engenharia, dentre outras. Acabamos de finalizar esse projeto, no qual durante sete meses pesquisadores da Uerj atuaram em Piraí fazendo um amplo mapeamento socioeconômico, territorial, ambiental, geológico e hidrológico; além de uma escuta ativa da população”, explica Queiroz.
O vice-diretor do Ceed destaca que essa experiência é um bom exemplo do potencial articulador da Universidade. “Essa pesquisa foi tão boa que, a partir dela, os municípios de Barra do Pirai e Cantagalo nos convidaram para viabilizarmos ações em parceria com esses territórios”, conta.

Nesse sentido, representantes do Ceed e da Pró-reitoria de Extensão e Cultura (PR3) estiveram, no dia 9 de setembro, no município de Cantagalo e avançaram no planejamento, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, de um projeto voltado à educação permanente dos profissionais das equipes de Saúde da Família. A iniciativa busca aproximar a Universidade da gestão municipal e contribuir para o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, por meio de ações de formação, qualificação e desenvolvimento permanente dos trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS).
Já para Barra do Piraí, o convênio firmado neste mês com a Universidade estabelece cooperação técnico-científica para a realização de pesquisa voltada à revisão do Plano Diretor Participativo do município. A Uerj, por meio do Ceed, atuará como instituição executora das atividades técnico-científicas previstas no projeto, mediante disponibilização de equipe acadêmica multidisciplinar composta por docentes, pesquisadores, estudantes e técnicos especializados. As ações contemplam ainda a atualização, consolidação e elaboração de base cartográfica, mapas temáticos, quadros normativos e demais produtos técnicos de representação territorial necessários à revisão do Plano Diretor Municipal.
Uma ponte entre a Universidade e a sociedade
Em uma análise sobre as potencialidades do Ceed, Reis entende que, para o trabalho se tornar ainda mais eficiente, é preciso corrigir uma falha que começa internamente. “As demandas de parceria chegam em diferentes pontos focais, o que faz parte da grandiosidade da nossa dinâmica. Porém, elas deveriam ser encaminhadas de forma canalizada para cá, e isso nem sempre acontece. Parte da própria comunidade acadêmica não sabe que nós existimos e que há internamente esse caminho facilitador e articulador. Queremos, então, mudar esse cenário melhorando a forma como nos comunicamos”, afirma.
O professor salienta, ainda, a importância do Centro para a conexão entre a academia e a sociedade. “Precisamos desmistificar essa ideia de uma Universidade encastelada. Está sendo positiva a iniciativa de irmos aos municípios para apresentarmos as possibilidades de atuação da Uerj nas mais diversas questões que estes possuam. Eles têm as demandas e nós temos as soluções. Mas, para que isso possa ser viabilizado, precisamos dessa política de aproximação”, finaliza.