Diretoria de Comunicação da Uerj
Com a participação de alunos, docentes e técnicos, a Uerj fez parte, entre os dias 4 e 7 de agosto, da 6ª edição do Rio Innovation Week (RIW), considerada a maior conferência global de tecnologia e inovação, realizada no Pier Mauá. A instituição esteve presente em mesas, rodas de conversa, palestras e espaços de exposição de trabalhos, evidenciando a sua importância para a produção acadêmica, científica e social.
A reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva, ressaltou o quão fundamental vem sendo a contínua presença da Universidade no evento. “Entendemos que precisamos estar presentes, atualizados e integrados a toda essa movimentação que acontece na cidade. Temos todo um trabalho de pesquisa que também está conectado à inovação, e estar aqui significa que estamos envolvidos e queremos dar continuidade a essa perspectiva”, analisou.
Com o tema “Simbiose: o futuro não acontece isolado”, o encontro promoveu debates sobre a importância da colaboração entre diversas áreas do conhecimento para a promoção de avanços tecnológicos. Nesse sentido, a Uerj levou ao Espaço RIW Disruptivo produtos, processos e metodologias inovadoras desenvolvidos pelos laboratórios das Unidades de Desenvolvimento Tecnológico (UDTs), Incubadoras e Empresas Juniores vinculadas ao Departamento de Inovação (InovUerj) da PR2. Ao todo, foram 36 estandes expositivos com pesquisadores da Uerj apresentando estudos em diferentes áreas.
A professora Suzana Bottega Peripolli, do Departamento de Engenharia Mecânica da Uerj e coordenadora do InovUerj, enfatizou a relevância de levar à sociedade o que a Universidade produz. “É uma oportunidade de mostrarmos a comunidade em geral o que desenvolvemos em termos de inovação e de propriedade intelectual, com a apresentação dos projetos dos nossos laboratórios das UDTs, das nossas Incubadoras e Empresas Juniores, que podem prestar serviços e pesquisa aplicada à indústria”, destacou.
Impacto no futuro e inclusão

Dentre os participantes, esteve presente o Laboratório de Pesquisa em Células-Tronco (LPCT), do Departamento de Histologia e Embriologia (DHE/Ibrag) da Uerj. Na ocasião, a professora Simone Nunes de Carvalho apresentou o projeto “Biocurativos e Miméticos de Pele”, do qual é coordenadora. “Buscamos desenvolver nanobiocurativos, que são curativos com atividade biológica e antimicrobiana para feridas complexas, isto é, que não cicatrizam. Nosso objetivo é usar essa tecnologia como uma ponte para desenvolvermos miméticos de pele. Utilizamos a bioimpressão 3D, que é uma tecnologia inovadora, que usa o mesmo princípio da impressão 3D, aliada a células e moléculas biocompatíveis, que mimetizam um ambiente tridimensional muito próximo ao do tecido humano. Visamos no futuro que isso nos permita substituir a necessidade de transplante de órgãos”, disse Simone.

No mesmo espaço, também foi possível conhecer o “O mar é delas”, projeto de extensão do Laboratório de Oceanografia Química (Laboqui), da Faculdade de Oceanografia (Faoc) da Uerj. Em atividade desde 2019, as atividades são coordenadas pela professora Luana Pinho, que destacou a importância da inclusão feminina na Oceanografia. “Trabalhamos com escolas públicas do Rio de Janeiro, apresentando o curso e a carreira de Oceanografia para meninas do Ensino Médio. Dentro do nosso projeto temos diversas formas de ação, entre elas o desenvolvimento de jogos para apresentar a área de forma lúdica e interessante. Produzimos essas atividades com materiais provenientes de pesquisas que são feitas no Laboqui. Para o RIW, por exemplo, trouxemos o jogo da memória do microplástico, no qual utilizamos partículas de poluição plástica da Baía de Guanabara, coletadas para a pesquisa de uma doutoranda do laboratório. Dessa forma, aliamos a produção científica com o setor de extensão da Universidade, levando os resultados das nossas pesquisas para as participantes do projeto, que entendem assim a importância de estudar a poluição dos ambientes marinhos”.
Inovação e repercussão social
Representando também a PR2, ocorreram 24 palestras nos palcos Future e Transformar, representando os diversos centros setoriais nas áreas de Ciência e Tecnologia, Humanidades e Ciências Sociais Aplicadas. Elizabeth de Macedo, pró-reitora da PR2, exaltou a participação da Uerj em mais uma edição do RIW. “Estamos em mais um ano aqui apresentando as pesquisas desenvolvidas pela Uerj, que reforçam o nosso compromisso institucional com a inovação tecnológica e cientifica e com a promoção social”, frisou.

Nesse sentido, o professor Heitor Evangelista da Silva, do Departamento de Biofísica e Biometria (DBB/Ibrag) da Uerj, apresentou a palestra “Laboratório Polar Criosfera 1: Num oceano vasto de gelo, cada gota de conhecimento faz a diferença”. O pesquisador, responsável pelo laboratório brasileiro que é referência global nas pesquisas de interação do clima na Antártica, demonstrou empolgação pela possibilidade de acessar um público tão diverso. “Trazer esse projeto para cá é extraordinário, porque compartilhamos os nossos projetos com crianças, adolescentes, engenheiros. E, para nós, é um grande desafio mostrar a todos eles como a ciência funciona e como a Uerj está inserida nesse processo, que consegue congregar o conhecimento, a tecnologia, o ensino, a pesquisa e a extensão”, afirmou.
Saúde pública e IA
Ademais, o Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) da Uerj marcou presença na conferência, com 13 mesas e a participação de 56 palestrantes. Foram debatidos assuntos contemporâneos da área da saúde, como formação médica e inteligência artificial, Enfermagem, humanização do atendimento, SUS, saúde do adolescente, transplante hepático, tratamento do câncer de próstata, terapia assistida por animais, doação de órgãos, entre outros.
Na mesa “Formação médica e IA: o que muda e como estamos preparados” esteve presente o diretor geral do Hupe, Rui de Teófilo Filho, que salientou a relevância do tema para a atualidade. “Eu me formei há mais de 20 anos e tudo mudou muito. Hoje, precisamos focar no futuro da formação médica aliada à inteligência artificial, compreendendo-a como uma ferramenta que tem o potencial de colaborar para que o médico tenha mais tempo de dedicação à empatia e ao cuidado do seu paciente. Não existe humanização artificial”, declarou.
Doação de sangue e Vestibular 2027
Durante o evento, a Uerj contou ainda com um estande que ocupou o Armazém 4 do Píer Mauá, onde o público pôde encontrar informações sobre o Vestibular 2027 e as frentes de atuação do Centro de Produção (Cepuerj) da Uerj. Além disso, também foram disponibilizadas informações aos participantes sobre o Banco de Sangue Herbert de Souza, localizado no Hupe (Boulevard 28 de Setembro, 109, Vila Isabel). Regina Rangel, assistente social que atua na captação de doadores de sangue do Banco, ressaltou o impacto positivo do espaço dado no RIW à promoção da doação de sangue.

“Estamos aqui pelo terceiro ano e falamos ao público sobre a importância da doação, as normas para ser doador e as possíveis inaptidões. Um espaço de divulgação como esse é muito importante, porque muitas pessoas, até mesmo que fazem parte da comunidade da Uerj, não sabem que temos um banco de sangue no Hupe. E a nossa demanda transfusional é muito grande, nossa média de necessidade é de 30 bolsas de sangue diariamente”, detalhou. Mais informações sobre o trabalho do Banco de Sangue Herbert de Souza podem ser obtidas na página do Instagram da iniciativa.
Fotos: George Magaraia
