Ciência contra o crime: pesquisa com lantanídeos pode auxiliar perícias envolvendo armas de fogo

08/01/202110:31

Diretoria de Comunicação da UERJ

A inclusão de compostos lantanídeos (elementos químicos comuns no cotidiano) na fabricação de munições para armas de fogo pode ser uma poderosa aliada no âmbito da segurança pública, auxiliando na elucidação de crimes. Como essas substâncias demonstraram nos testes iniciais, ao serem irradiadas com luz negra, se tornam luminescentes, e sua inclusão nas munições pode trazer informações importantes como distância do tiro, altura do atirador e até o modelo da arma utilizada para efetuar o disparo. Desta forma, atuam como gunshot residues (marcadores de resíduos de arma de fogo), uma vez que também permanecem no chão, nas mãos e nas roupas do atirador.

A descoberta parece ter saído de um dos episódios da famosa série CSI, mas é proveniente de muito estudo e dedicação dos pesquisadores do Instituto de Química (IQ) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O professor Lippy Marques, responsável pela pesquisa, é um dos fundadores do Grupo de Materiais Inorgânicos Multifuncionais do IQ. No ano passado, conquistou a bolsa Jovem Cientista do Nosso Estado, concedida pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), justamente para prosseguir com a pesquisa na área. Leia a notícia publicada na ocasião.

E os novos resultados com esses compostos químicos são muito positivos. “O Európio (Eu), que fica vermelho sob a luz ultravioleta, se mostrou ainda mais estável do ponto de vista térmico que os elementos estudados anteriormente e que já eram considerados promissores. Essa estabilidade térmica é muito relevante, uma vez que a temperatura da arma pode chegar a dois mil graus Celsius. Como ele resiste a uma maior temperatura, é possível obtermos o mesmo resultado com uma quantidade menor dentro da munição. Além de gerar economia, também diminui a capacidade de ocorrer um comprometimento na queima da pólvora e, consequentemente, no disparo da arma”, explica o pesquisador.

Esse novo resultado está documentado no artigo publicado no The Journal of Phisycal Chemistry, que contou com a participação de pesquisadores do GMIM e do Instituto de Física da Uerj, bem como de outras instituições.

“Percebemos também que seria possível associar, durante o processo de fabricação das munições, diferentes lantanídeos para distintos tipos de armas, facilitando sua identificação. Se usarmos o Európio (Eu), por exemplo, que emite luminescência vermelha, poderíamos identificar as munições de pistolas. Se utilizarmos o Térbio (Tb), que resulta em uma luminescência verde, poderíamos obter uma identidade somente para as munições de fuzis. E ainda temos a possibilidade de outras cores, como o Túlio (Tm), que fica azul. E o Disprósio (Tb), com luminescência amarela”, complementa.