Campus Maracanã da Uerj sedia debate do inédito Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño

21/08/202615:31

Diretoria de Comunicação da Uerj
Autoridades participaram da abertura do evento

O Teatro Odylo Costa, filho, no campus Maracanã da Uerj, foi palco, na última quinta-feira (20), do evento “Antecipar e reagir: impactos do El Niño no Rio de Janeiro”, promovido pelo Governo do Estado, por meio do recém-criado Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño. O principal objetivo foi incentivar os municípios fluminenses a se prepararem para minimizar os impactos e responder rapidamente a possíveis emergências relacionadas ao fenômeno climático.

O encontro foi o pontapé inicial para a promoção de ações integradas do estado para capacitação sobre o El Niño e as suas consequências. A reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva, esteve presente na mesa de abertura e salientou o importante papel da Universidade nesse movimento de articulação. “Ficamos muito felizes pela Uerj ter sido escolhida para acolher o início dos debates relacionados a essa maravilhosa iniciativa. Esse é um momento crucial para compreendermos que a integração é fundamental para a prevenção dessas questões, e aproveitamos para evidenciar a competência e a disponibilidade da Uerj para colaborar na mitigação dos efeitos do El Niño”, afirmou a reitora.

Também participaram da mesa o secretário estadual de Defesa Civil, Coronel Tarciso Antônio de Salles Junior; o secretário estadual de Saúde, Ronaldo Damião; o secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Tostes de Alencar Mascarenhas; o secretário estadual de Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, Ricardo Augusto Rosa Mansur; a chefe do Serviço de Articulação Interfederativa e Participativa da Superintendência do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, Patrícia Sant’anna; e o promotor de Justiça do Ministério Público do Estado, Vinicius Lameira Bernardo.

Em sintonia com a fala da reitora da Uerj, o secretário estadual de Defesa Civil enfatizou a relevância da participação de diferentes segmentos de poder na atuação do Comitê. “São muitas mãos participando desse processo. E a criação do Comitê se mostra muito relevante na medida em que já estamos sofrendo os efeitos do El Niño, com quadros de baixa umidade, estiagens, fortes ventos, dentre outras problemáticas que contribuem para a ocorrência, por exemplo, de incêndios florestais. Precisamos trabalhar em harmonia, e a Defesa Civil e os demais órgãos aqui presentes estão preparados para isso”, analisou o secretário.

Apresentações das Câmaras Técnicas

Após o encerramento da mesa de honra, a conferência apresentou ao público as principais questões tratadas pelas quatro Câmaras Técnicas que compõem o Comitê. Estas têm como foco questões essenciais ao tema, como saúde e proteção social; agricultura, pecuária e segurança alimentar; incêndios florestais e proteção ambiental; e infraestrutura, energia e recursos hídricos.

Em sua fala, a superintendente de Informação Estratégica de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), Luciane de Souza Velasque, destacou exemplos da atuação da Secretaria. “Tivemos um caso emblemático na capital fluminense, que foi a morte por exaustão térmica de uma jovem em um show realizado no dia 17 de novembro de 2023 (a fatalidade ocorreu durante apresentação da cantora Taylor Swift, no Estádio Nilton Santos). E, infelizmente, outros casos ocorreram no mesmo ano”, contou. “Por isso, a partir desse período, a SES-RJ passou a monitorar um marcador chamado ‘Índice de Excesso de Calor’, e constatamos que os óbitos não ocorreram de forma homogênea em todo o estado. Logo, compreendemos a necessidade de não somente acompanhar o calor extremo, mas também de entender qual é a capacidade e a vulnerabilidade do território em relação à resposta a esse fenômeno”, destacou a superintendente.

Afinal, o que é o El Niño?

O El Niño se manifesta no Oceano Pacífico Equatorial e em suas regiões adjacentes, sendo marcado por alterações anormais na temperatura da superfície do mar e nos padrões de circulação atmosférica. Considerado um dos principais fenômenos climáticos do planeta, pode provocar mudanças em escala global e, consequentemente, afetar as condições de temperatura do ar e de precipitação em diferentes regiões da Terra, com efeitos que podem persistir por vários meses ou até anos.

Fotos: George Magaraia