Diretoria de Comunicação da Uerj
Na semana em que foi celebrado o Dia Nacional dos Direitos Humanos — 12 de agosto —, a Uerj realizou o evento “Pacto Nacional Contra o Feminicídio 2026: estratégias, pesquisas e ações institucionais”. A mesa aconteceu na última sexta-feira (14), no campus Maracanã, e contou com a presença da reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva, e da ministra das Mulheres, Márcia Helena Carvalho Lopes. O objetivo foi ampliar o diálogo sobre a temática, convocar toda a comunidade acadêmica e reforçar a participação da Uerj no Pacto, visando a prevenir discriminações, misoginia e violência de gênero contra mulheres.
O Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio foi instituído pelo Governo Federal e reúne ações integradas nos âmbitos federal, estadual e municipal, além do Legislativo, Judiciário, Ministério Público, defensorias e sociedade civil, com foco na prevenção da violência, proteção das vítimas e responsabilização dos agressores. Em sua fala, a reitora enalteceu a adesão da Uerj a esse movimento. “Nosso objetivo é mostrar a todos que, enquanto universidade, devemos atuar construindo conhecimento, por meio de nossas ações e pesquisas. Trabalhando, dessa forma, para que a sociedade brasileira entenda a necessidade desse pacto”, analisou a reitora, que ainda destacou a responsabilidade institucional em colaborar para a construção de um país com mais empatia e acolhimento às mulheres.
Nesse sentido, a ministra das Mulheres ressaltou a importância da participação da Uerj nessa empreitada. “É fundamental estarmos todos aqui ouvindo as falas das professoras, com seus resultados de pesquisas que nos mostram o quão complexa é essa problemática da violência contra as mulheres. O pacto foi criado para mudar essa realidade, mas isso obviamente não é simples. Por isso, o Governo vem se esforçando para criar articulações com as universidades de todo o país, inclusive com a Uerj. Sempre que sou convidada para eventos como este faço questão de vir, porque é um espaço de esperança e possibilidades”, afirmou Márcia.
Fizeram parte ainda da mesa a superintendente de Equidade Étnico-racial e de Gênero (Supeerg) da Uerj, professora Patrícia dos Santos; a diretora do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Uerj, professora Maira Covre; a professora Claudia Leite de Moraes, do Departamento de Epidemiologia do Instituto de Medicina Social Hesio Cordeiro (IMS) da Uerj; e a professora Laura Lowenkron, também do IMS. Oportunamente, Maira apresentou algumas reflexões sobre o projeto que coordena, intitulado “Campanhas e ações de prevenção à violência de gênero no Brasil (2000-2018)”. “O papel da universidade, e principalmente do pensamento relacionado às Ciências Sociais e às Ciências da Saúde, é influenciar políticas públicas. Visamos entender o fenômeno para buscar resultados que possam colaborar empiricamente para esse objetivo”, analisou.
Lançamento do Guia de Bolso da Cadri
Na ocasião, a Comissão Permanente de Combate aos Assédios, Discriminações, Racismo e Injúria Racial (Cadri) da Uerj também lançou o Guia de Bolso da Cadri e a apresentou o Guia Institucional da Política de Combate aos Assédios, Discriminações, Racismo e Injúria Racial. A superintendente Patrícia Santos salientou que o material é mais um elemento para construir uma Uerj mais inclusiva. “É importante que entendamos que este é um trabalho coletivo fundamental para avançarmos em questões que possibilitem que vivenciemos uma universidade antirracista, que combata a homofobia e todo tipo de discriminação. Esta é a Uerj que desejamos”, afirmou Patrícia.
A Cadri é responsável pelo desenvolvimento de ações de formação, prevenção, sensibilização e educação voltadas ao enfrentamento dos assédios, das discriminações, do racismo e da injúria racial na Uerj. E as publicações em questão têm função educativa e apresentam conceitos, fluxos de encaminhamento, canais de escuta, referências normativas e instrumentos institucionais disponíveis para toda a comunidade da universidade.
A ouvidora-geral da Uerj, Isabel Gomes, frisou como a instituição tem o poder de influenciar a sociedade brasileira. “Somos um espaço de produção de conhecimentos e competências, e temos uma responsabilidade que ultrapassa os limites da própria universidade. Precisamos fortalecer relações baseadas no respeito à igualdade, à dignidade humana e à defesa dos direitos de todas as pessoas”, pontuou. “Nesse aspecto, o trabalho desenvolvido pela Cadri é fundamental, e o guia de bolso, que hoje lançamos, é tão importante. Ele transforma informação em ferramenta de prevenção, ajuda a reconhecer situações de assédio e discriminação, compreender direitos e saber onde buscar orientação e apoio. E a ouvidoria, que completou 26 anos, exerce uma função estratégica”, acrescentou Isabel.
Ademais, estiveram na segunda mesa a reitora da Uerj; a professora Vânia Lúcia de Pádua, do Programa de Pós-graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental (PPGCTA) da Uerj-Zona Oeste; a professora Laura Dutra, da Faculdade de Tecnologia (FAT) da Uerj-Resende; Luma Marcelino, assistente social do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) da Uerj; e Elaine Mateus, pedagoga da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF) da Uerj.
Compôs, ainda, o evento o vice-reitor da Uerj, Bruno Deusdará, que exaltou a pluralidade do encontro. “É muito feliz testemunhar as várias costuras que foram feitas aqui, representando a tecitura tão heterogênea que é a nossa universidade. E esse guia é um instrumento absolutamente necessário para dizermos à comunidade acadêmica que na Uerj não vamos empurrar para debaixo do tapete situações de assédio, racismo, injúria racial e qualquer outro tipo de violência”, concluiu.
Fotos: George Magaraia
