Uerj leva ciência, tecnologia e inovação à Zona Oeste do Rio de Janeiro no Festival da Ciência 2026

18/08/202612:58

Diretoria de Comunicação da Uerj
Gestores da Uerj marcaram presença no Festival

 

O Parque Oeste Ana Gonzaga, em Inhoaíba, recebeu na última sexta-feira (14) a edição 2026 do Festival da Ciência. Com o tema “Viva Zona Oeste”, o evento promovido pela Prefeitura do Rio reuniu 23 instituições de ensino e pesquisa no entorno da Nave do Conhecimento de Campo Grande, espaço do parque dedicado à inclusão digital e à tecnologia. A Uerj Zona Oeste marcou presença com uma programação diversificada de projetos de extensão e pesquisa, reafirmando seu compromisso com o desenvolvimento da região que concentra 41% da população carioca.

Na abertura, a assessora de Apoio Pedagógico da Pró-reitoria de Graduação (PR1) da Uerj, Talita Vidal, representando a reitora Gulnar Azevedo e Silva, destacou a importância da presença da Universidade na região. “Eventos como esse são super importantes para a Uerj divulgar que é uma universidade inclusiva e está presente em todas as regiões do estado. Estamos aqui em Campo Grande, no campus Zona Oeste, abertos para receber novos estudantes e estabelecer novos compromissos com a comunidade local”, afirmou.

Uerj Zona Oeste aponta caminhos para o território

Também participou da abertura o secretário municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (SMCTI), Gabriel Medina, que apontou a importância de aproximar a ciência da sociedade para fortalecer o pensamento crítico. Já o subsecretário de Tecnologias Sociais da SMCTI, Henrique Silveira de Souza, responsável pela organização do evento, frisou que esta é a primeira vez que o Festival é realizado na região. Ex-aluno da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF), Souza destacou o papel da Uerj como indutora do desenvolvimento na Zona Oeste. “A Uerj aqui tem esse papel de apontar caminhos para a região. Os cursos de Engenharia, Farmácia, entre outros, precisam estar cada vez mais articulados com o mercado de trabalho local para desenvolver, gerar trabalho, renda e qualidade de vida para a população”, ressaltou.

O diretor da Faculdade de Ciências Exatas e Engenharia (FCEE) na Uerj, Florêncio Gomes, enfatizou o papel do Festival e da universidade na integração com a comunidade, aproximando a produção acadêmica da realidade local. “A Uerj Zona Oeste tem esse papel de mostrar os trabalhos e projetos envolvidos na área da extensão e da pesquisa científica. A FCEE trouxe projetos importantíssimos, mostrando essa integração que a Universidade pode ter com a comunidade e com o setor produtivo”, declarou Florêncio, destacando a expectativa de despertar o interesse dos alunos do ensino médio pelos cursos oferecidos no campus.

Mulheres na ciência e transformação social

Professora Catharina Fingolo participa de painel

Uma das atividades mais aguardadas, o painel “Ciência Delas: Mulheres que pesquisam, transformam e reinam territórios”, reforçou o protagonismo feminino na ciência. A diretora da Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde (FCBS), Catharina Fingolo, compartilhou sua trajetória de pesquisa sobre o manguezal da Reserva Biológica Estadual de Guaratiba, bairro da Zona Oeste. “Desenvolvo um trabalho com a serapilheira [camada de matéria orgânica que recobre a superfície do solo em florestas e outros ecossistemas], transformando esse subproduto da natureza em produtos farmacêuticos com atividades biológicas ou farmacológicas. Reinventar um território é utilizar o material que não é utilizado na natureza e convertê-lo em atividade, no caso, extratos de plantas medicinais elaborados para atividade biológica”, resumiu.

Diversidade de temas na pesquisa e na extensão

A Uerj apresentou um painel diversificado de projetos, abrangendo desde a robótica educacional até a biotecnologia e a sustentabilidade. Coordenado pelo professor Maurício Quelhas Antolin, da FCEE, o “LabMov Kids” introduziu crianças e adolescentes à programação e à eletrônica por meio de atividades lúdicas com robôs controlados por celular e jogos educativos. “Todos esses projetos foram desenvolvidos pelos nossos alunos no laboratório com o objetivo principal de incentivar o estudo da eletrônica e da robótica educacional”, explicou o professor. “A ideia é estimular o ensino, principalmente aqui na Zona Oeste, utilizando materiais de baixo custo e recicláveis”, completou.

Daniele Cruz Bastos, vice-diretora da FCEE, apresentou o projeto “Brilhando na Zona Oeste Carioca”, que incentiva a participação de meninas e mulheres nas áreas de tecnologia e engenharias. Um dos focos do projeto é a gestão de resíduos sólidos e a transformação de resíduos em novos materiais. “A gente explica a importância desde a extração da matéria-prima até o ciclo de vida do material, pensando na destinação correta após o uso. Utilizamos resíduos da mineração e fibras lignocelulósicas para produzir novos materiais com matrizes poliméricas recicladas, incentivando a sustentabilidade”, detalhou Daniele.

 

Já Aline Soares, vice-diretora da FCBS, reuniu quatro projetos sob o tema “Zona Oeste como território de ciência, alimentação e educação”. Entre eles, o “Uerj é Panc” resgata o conhecimento tradicional sobre plantas alimentícias não convencionais, e o projeto de pesquisa sobre “insetos comestíveis” desenvolve produtos como pães e biscoitos com farinha de grilo, mosca soldado negro e tenébrio. “A nossa expectativa com o Festival da Ciência é ampliar cada vez mais a visibilidade da Uerj na Zona Oeste e dar visibilidade a esse território, aproximando a Universidade da comunidade”, afirmou Aline.

Complementando a programação da FCBS, Jéssica Manya Bittencourt Dias Vieira coordenou o projeto “Microbiologicamente falando…”, que leva conceitos de microbiologia de forma lúdica para escolas e a comunidade. Eidy de Oliveira Santos, da mesma faculdade, apresentou o “Biodialogando”, que divulga o potencial biotecnológico da região, e o professor George de Azevedo Queiroz mostrou o projeto “Meio ambiente na lente”, que utiliza a fotografia para entender a percepção ambiental dos moradores de Campo Grande.

A FCEE também apresentou o projeto “Iniciativas sustentáveis para o desenvolvimento da Zona Oeste”, coordenado por Luanda Silva de Moraes. O grupo desenvolve pesquisas para a produção de energia limpa e a reciclagem de plásticos, transformando garrafas PET em novos produtos. “Nossa intenção é impactar a juventude, inspirando-os a cursar engenharias. Queremos mostrar que é possível reciclar e transformar, seguindo a ‘máxima de Lavoisier’ [Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma]. Produzimos energia limpa a partir do etanol e utilizamos garrafas PET pós-consumo para criar novos materiais”, explicou.

Já Luciana da Cunha Costa, também da FCBS, apresentou o projeto “Química Orgânica para Todos”, com experimentos interativos, enquanto Paula de Castro Brasil, da FCEE, abordou a gestão e educação ambiental na Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) da Floresta da Posse.

 

Relação de projetos da Uerj Zona Oeste no Festival:

Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde (FCBS)

  1. “Meio ambiente na lente”: projeto de extensão que usa a fotografia para sensibilizar sobre educação ambiental e percepção do território.
  1. “Uerj é Panc”: resgate de plantas alimentícias não convencionais e valorização da biodiversidade e segurança alimentar.
  1. “Tudo em 20 Podcast”: divulgação científica sobre ciência e comunidade da Zona Oeste.
  1. “Desenvolvimento de produtos com insetos comestíveis”: pesquisa sobre entomofagia e desenvolvimento de alimentos alternativos.
  1. “Microbiologicamente falando…”: letramento em Microbiologia, abordando vacinação e saúde.
  1. “Biodialogando”: divulgação do potencial biotecnológico da Zona Oeste e oportunidades de formação.
  1. “Química Orgânica para Todos”: experimentos de química e desenvolvimento de biopolímeros.

 

Faculdade de Ciências Exatas e Engenharia (FCEE)

  1. “LabMov Kids”: introdução à programação e tecnologia para crianças.
  1. “Brilhando na Zona Oeste Carioca”: incentivo a meninas e mulheres nas ciências exatas, com foco em materiais sustentáveis.
  1. “Arie da Floresta da Posse”: gestão e educação ambiental para sustentabilidade.
  1. “Iniciativas sustentáveis”: desenvolvimento de novos materiais e reaproveitamento de resíduos, com incentivo à participação feminina.

 

Fotos: André Milagres