Professora da Faculdade de Enfermagem da Uerj é homenageada por atuação em prol do aleitamento materno

24/08/202613:05

Diretoria de Comunicação da Uerj
Patricia Lima recebeu honraria da Prefeitura de Nilópolis

Em reconhecimento à dedicação, compromisso e contribuição à promoção, incentivo e apoio ao aleitamento materno, a professora Patricia Lima Pereira Peres, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil da Faculdade de Enfermagem (Fenf) da Uerj, recebeu no dia 7 de agosto o Certificado de Honra ao Mérito da Prefeitura Municipal de Nilópolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde. A homenagem se deu por conta de suas ações como coordenadora do projeto de extensão “Apoiando a AmamentAÇÃO na Baixada Fluminense”.

A cerimônia de entrega ocorreu no período do “Agosto Dourado”, mês dedicado à conscientização e ao incentivo ao aleitamento materno no Brasil. Para Patricia, no entanto, essa é uma questão que perpassa todos os dias da sua trajetória. Quando ingressou na carreira docente na Uerj, em 2003, estava grávida de sua terceira filha e o seu trabalho desde então é baseado no cuidado à criança e no direito à amamentação. “Amamentei os meus três filhos por 90 meses no total e sempre entendi a importância disso no âmbito pessoal e social. Um tempo depois de retornar da minha última licença-maternidade integrei o Grupo Técnico de Aleitamento Materno do Estado do Rio de Janeiro (GTIAM), onde atuo até hoje como tutora e multiplicadora”, detalha.

O Ministério da Saúde recomenda a amamentação até os dois anos de idade ou mais, e que nos primeiros seis meses o bebê receba somente leite materno. O órgão frisa que o leite materno protege contra diarreias, infecções respiratórias e alergias; diminui o risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes; e reduz a chance de desenvolver obesidade. Além disso, há evidências de que o aleitamento materno contribui para o desenvolvimento cognitivo das crianças. A amamentação oferece, ainda, benefícios à mãe, já que reduz os riscos de hemorragia no pós-parto e diminui as chances de desenvolver câncer de mama, ovários e colo do útero no futuro. 

Amamentação como foco

Com o propósito de aprofundar a sua atuação na área, Patricia criou em 2008 o “Apoiando a AmamentAÇÃO na Baixada Fluminense” projeto de extensão vinculado à Faculdade de Enfermagem (Fenf) da Uerj. A iniciativa nasceu com duas principais frentes: a prestação de assessoria técnica às Secretarias Municipais de Saúde da Baixada Fluminense para ações relacionadas à amamentação e a capacitação de discentes da Uerj, que se tornam multiplicadores e atuam nos municípios atendidos pelo projeto.

Curso de amamentação realizado em Magé

A Baixada Fluminense, para a professora, não é apenas um campo de atuação profissional. “Eu sou de Nilópolis e lá vivi até me casar, aos 23 anos. Minha mãe mora na mesma casa onde nasci até hoje, e meu pai também morou até falecer durante a pandemia”, relata emocionada. Contudo, a professora explica que a escolha pela região não se deu meramente por conta do seu vínculo pessoal, mas sim por conhecer intimamente as suas carências. “A Baixada precisa da presença da universidade e a universidade precisa dos seus saberes. O aluno na sala de aula aprende o que está no livro e o que funciona na capital. Porém, quando se desloca para outros lugares, muitas vezes esses conhecimentos não funcionam, e é crucial que eles aprendam a dialogar e a aprender nesse contato com a sociedade. Essa é a grande importância dos projetos de extensão”, analisa Patricia, que destaca ainda que preza por escolher bolsistas que residam na Baixada Fluminense.

Na Uerj, a Diretoria de Extensão (Dirext) coordena e supervisiona as ações extensionistas classificadas em programas, projetos, cursos e eventos desenvolvidos pelas unidades acadêmicas e administrativas. Atualmente, Patricia ocupa o cargo de diretora do Departamento de Política Acadêmica de Extensão (Depaext). 

 Ao longo dos anos à frente do projeto, a professora também sentiu a necessidade de implementar ações que visem a proteção do direito à amamentação das discentes, docentes, servidoras e terceirizadas da Uerj. “Realizamos uma atividade teatral há uns anos na Faculdade de Formação de Professoras (FFP) da Uerj, em São Gonçalo, e lá entramos em contato com a realidade das estudantes que veem os seus direitos cerceados não apenas pelos professores, como já supúnhamos, mas também por seus próprios colegas de turma. Por isso, na minha tese de Doutorado eu foquei na amamentação como um direito social e faço parte de diversos comitês internos da Uerj que lutam pela garantia dessas questões para toda a comunidade acadêmica”, detalha Patricia.

A professora analisa que uma das motivações para a certificação foi a constância da atuação do projeto em Nilópolis. “É um município pequeno e essa é uma característica que facilita a implementação de ações por lá. Conseguimos capacitar nessa área até hoje 27 profissionais de nível superior e 210 agentes comunitários de saúde e técnicos de Enfermagem”, destaca Patricia.

Apoio virtual a mães

Atividade de projeto

Além da atuação nos municípios da Baixada Fluminense, hoje uma das principais iniciativas comandadas pelo projeto é o Grupo Mulheres Apoiando Mulheres na Amamentação (Mama), que oferece consultoria de amamentação gratuita em formato virtual. Por meio da página do Instagram do programa, criado em 2020, mulheres podem tirar as suas dúvidas sobre amamentação e alimentação infantil diariamente via mensagens, das 9h às 17h. E ainda são publicadas postagens informativas relacionadas à temática. “Essa ideia nasceu durante a pandemia de Covid-19, quando me vi impedida de atuar presencialmente. Pensei em um modo de dar suporte às mães remotamente, então utilizei inicialmente o meu próprio Facebook. A ideia foi amadurecendo e formamos uma parceria com a UFF, UFRJ e a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável e, assim, essa ação ganhou vida”, afirma.

Como parte do Mama, foi criado, no ano passado, o podcast “Deleitando: a ciência da amamentação”. A primeira temporada contou com dez entrevistados, que falam sobre temas relacionados ao aleitamento materno, e foi produzida durante o ano de 2025. Uma nova temporada já está sendo gravada, ainda sem previsão de estreia. Os episódios são publicados quinzenalmente, sempre às sextas-feiras, e a programação fica disponível nos canais oficiais do programa no YouTube e no Spotify.

Patricia analisa que todas as ações promovidas, ano após ano em diferentes esferas, com o objetivo de fortalecer a amamentação foram cruciais para que hoje este seja um assunto mais presente no dia a dia dos brasileiros. “Atuo nessa área há mais de 20 anos e vejo muitas mudanças positivas, com assuntos relacionados ao aleitamento sendo massificados socialmente e leis sendo criadas e fortalecidas. Porém, testemunho também muitos retrocessos, principalmente por conta do forte lobby da indústria de suplementos”, analisa a professora. “O nosso trabalho busca tirar as pedras que são colocadas no caminho das mães. Elas são barreiras estruturais e resultantes da desigualdade social. A informação liberta e é essa a nossa luta”, finaliza.