Doutorandos da Uerj desenvolvem pesquisa no CERN, referência mundial em física de partículas

08/12/202009:58

Diretoria de Comunicação da UERJ

Dois estudantes de doutorado do Departamento de Física Nuclear e Altas Energias do Programa de Pós-Graduação em Física da Uerj estão fazendo estágio no renomado CERN – Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, sede do maior colisor de partículas do mundo, o LHC (Large Hadron Collider) – equipamento onde prótons são acelerados para estudos científicos.

Kevin Mota, de 25 anos, e Mapse Barroso, de 29, trabalham em um dos grandes experimentos do setor, chamado CMS (Compact Muon Solenoid). Os dois rapazes fizeram graduação na Universidade Federal do Ceará e buscaram o doutorado na Uerj justamente pelo reconhecimento que a universidade possui na área de Física de Partículas e Altas Energias.

“Sou de Crateús, interior do Ceará, e chegar ao CERN era algo muito longe da minha realidade. Mas tomei conhecimento do trabalho da Uerj e do professor Alberto Santoro junto com essa instituição, pesquisador que é uma referência na área”, disse Kevin, que em outubro se mudou para Meyrin, em Genebra, na fronteira franco-suíça, onde fica instalado o CERN.

Em março de 2019, ele havia deixado o Ceará para começar o doutorado na Uerj. Sete meses depois, nova mudança: ganhou uma bolsa Capes PrInt (Programa de Internacionalização da Pós- Graduação) e foi para Genebra. Em março deste ano, teve que lidar com a pandemia de coronavírus. “Foram tempos difíceis. Paramos de sair, como todo mundo, e isso atrapalhou os trabalhos no laboratório. Aproveitei o tempo para focar nas pesquisas que podia fazer de casa e mantive o contato on-line com todo o grupo de pesquisadores. Em julho, aos poucos, conseguimos retomar o trabalho presencial.” (Saiba mais na matéria publicada em junho)

Para Mapse Barroso, a jornada foi parecida. Ele também deixou a família no Ceará e se mudou para o Rio com a namorada. Casaram-se em dezembro de 2019. Em março de 2020, já se mudaram para Genebra. Chegaram lá dez dias antes da decretação do lockdown. “Foi bastante frustrante, logo no início dos trabalhos, interromper as idas ao laboratório. Todos tivemos que lidar com essa realidade que se impôs ao mundo. Quando pudemos voltar, foi uma alegria. É muito bom olhar de onde eu vim e ver que cheguei até aqui.”

Reconhecimento

Em comum, além do local de origem, os dois estudantes têm também fortes sentimentos de carinho e gratidão à Uerj. “O pessoal da Universidade tem uma noção de grupo muito forte. Todos se ajudam, orientadores e colegas são receptivos, participativos e muito presentes na vida acadêmica uns dos outros. Estou muito feliz e agradeço à Uerj por essas conquistas”, afirmou Kevin, que tem como orientador o professor Wagner Carvalho e como coorientador o professor Alberto Santoro.

Já Mapse ressalta a enorme transformação vivida. “Entrar na Uerj foi muito bom. Saí da minha zona de conforto, encarei outra cidade e acabei descobrindo o mundo, com a ajuda de todos. Tem sido uma experiência muito gratificante e que mudou a minha vida.” Ele tem como orientador o professor Sandro Fonseca e como coorientador o professor Alberto Santoro.

A melhor notícia da dupla, porém, é que ambos vão poder estender a permanência no projeto: a bolsa da Capes PrInt dura um ano, mas eles conseguiram verba local para continuar as pesquisas no CERN, e deverão estar de volta ao Brasil e à Uerj apenas no fim de 2021.

Além de todo o conhecimento adquirido, dizem que trarão também um desejo – um dia conseguir implantar no Ceará um programa de pós-graduação nos moldes do que encontraram na Uerj. “Temos bons programas de pós, mas para quem sonha com a Física de Partículas, é uma área muito concentrada no Sudeste. Vai ser um sonho a gente conseguir criar e oferecer esse curso aos nossos conterrâneos”, diz Mapse.

O projeto de pesquisa

Em parceria com pesquisadores da Unicamp e da Universidade do Estado do Amazonas, o grupo da Uerj tem contribuído, desde 2017, para melhorias no software do sistema de controle on-line de Câmaras de Placas Resistivas, bem como no software off-line para aquisição de dados e reconstrução. De acordo com o professor Sandro Fonseca, “a inclusão destes aprimoramentos demonstra a maturidade do grupo, que tem uma significativa colaboração no CERN abrindo espaço para formação de expertise nacional nas áreas de Engenharia Eletrônica, Física de Partículas, desenvolvimento de software e construção de detectores em Física de Altas Energias”.

Em uma entrevista de 2019, o professor Alberto Santoro definiu a Física de Partículas como a Física que estuda as interações mais fundamentais da natureza e os seus primeiros “tijolos”, para que a partir desse conhecimento seja possível reconstruir, aos poucos, todo o universo, até chegar a compreender como os próprios seres humanos são constituídos.