Longe de casa, conectados à Uerj: os desafios dos estudantes que estão fora do Brasil durante a pandemia

22/06/202012:58

Diretoria de Comunicação da UERJ

Lucas faz intercâmbio no Japão, estudando Relações Internacionais; Luz está em Portugal, e tem como foco Comércio Eletrônico, Empreendedorismo e Marketing Internacional; já Raphaela cursa Gestão, na França, enquanto Kevin se dedica ao doutorado em Física de Partículas, na Suíça. Mas apesar dos interesses distintos e de estarem tão distantes, duas coisas eles têm em comum: todos são alunos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e enfrentam a pandemia longe de casa. Mas eles não estão sozinhos.

A Uerj tem hoje 45 alunos de graduação em intercâmbio no exterior, distribuídos entre Alemanha, Holanda, Espanha, Portugal, França, Chile e Japão. Antes da pandemia eram 59, mas alguns optaram por retornar ao Brasil. Já na pós-graduação, são mais de 30 doutorandos com bolsas distintas (Capes PrInt, Faperj ou PDSE Capes), além de cerca de 30 professores, estudando e desenvolvendo pesquisas pelo mundo, mas esses números são muito dinâmicos: a cada semana há registros de novos retornos.

“Em um primeiro momento, a Diretoria de Cooperação Internacional (DCI) da Uerj contatou todos os alunos de graduação em intercâmbio para saber como estavam e informá-los sobre os cuidados necessários, conforme orientação dos órgãos públicos de saúde. Além disso, estamos em contato frequente com eles, orientando sobre os procedimentos para retorno ao Brasil, para os que assim optaram, e sobre a continuidade dos estudos no exterior em alguns casos”, explica a diretora do DCI, Cristina Russi. O mesmo também vem sendo feito em relação aos estudantes estrangeiros em intercâmbio na Uerj.

Quanto aos bolsistas de pós-graduação e pesquisadores, tanto a Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa (PR-2) como os próprios orientadores têm prestado auxílio e fornecido informações no que se refere à antecipação de retorno ao Brasil e, também, à permanência no exterior. Em alguns casos, a PR-2 recorreu à DCI para mediar, com consulados e embaixadas, não só a marcação de voos internacionais, mas também a prorrogação de vistos. “Em certas situações, o próprio reitor, Ricardo Lodi Ribeiro, e o pró-reitor de Pós-graduação e Pesquisa, Luís Antônio da Mota, chegaram a interceder para resolver questões específicas e mesmo dar conforto a professores e alunos no exterior”, ressalta a diretora do Departamento de Fomento ao Ensino para Graduados (DEPG), Alice Casimiro Lopes.

A PR-2 tem feito um acompanhamento semanal tanto dos bolsistas como daqueles professores que estão fora do Brasil, mesmo sem bolsa, pelo Programa de Capacitação Docente (Procad). “Entendemos que esta é uma forma de mantermos uma rede de relações remotas com docentes e alunos, tão importante neste momento de isolamento físico”, complementa Alice Casimiro.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), uma das principais agências financiadoras, por exemplo, vem emitindo informes regulares sobre os diversos casos: desde aqueles em que a bolsa terminou em março e o bolsista não conseguiu retornar por conta do fechamento de fronteiras, até os referentes ao adiamento de defesas de teses pelas instituições de ensino do exterior devido à pandemia. As orientações a todas essas diferentes situações vêm sendo informadas pela Uerj aos bolsistas.

 

Confira o relato dos estudantes sobre o seu dia a dia na quarentena

Lucas Mattos Marinho Malta – Cursa Relações Internacionais no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Uerj. Está no Japão, em intercâmbio na Kwansei Gakuin University, desde setembro de 2019. Sua bolsa de estudos termina em julho e sua volta está prevista para agosto.

“O Japão foi um dos primeiros países a se preocupar com o vírus. Em fevereiro, já se percebia uma queda na movimentação de pessoas. Em abril, foi decretado estado de emergência na minha região (Hyogo) e as aulas foram modificadas para EAD. Agora, as escolas devem voltar com protocolos de segurança, mas ainda não sei se a universidade onde estou retornará com aulas presenciais.

Moro com uma família japonesa, o que tem me ajudado bastante com o isolamento. No momento, a maior dificuldade é a alta do dólar. Se eu não tivesse a bolsa de estudos, seria impossível me manter aqui. Optei por continuar, mas acho importantíssimo mantermos uma comunicação com a Universidade para termos ciência da situação da Uerj e dos alunos em intercâmbio.”

Luz Stecca – Aluna da Faculdade de Administração e Finanças da Uerj. Faz intercâmbio no Instituto Politécnico de Coimbra, em Portugal, há pouco mais de quatro meses. Sua volta ao Brasil será no fim do ano.

“O isolamento social foi mentalmente desafiador no começo, com muito medo e saudade dos meus queridos. Mas, agora, estou mais tranquila e grata por estar segura.

Aqui, o confinamento não foi total, tendo sido permitido fazer esportes ao ar livre. Desde o dia 3 de maio, começou a flexibilização. Na minha rotina, eu sempre caminho, estudo, rezo, medito, cozinho, procuro fazer algo com amigos. Entre as dificuldades, não tenho conseguido disciplina suficiente para realizar as tarefas on-line. Talvez seja por pouca maturidade mental e emocional da minha parte, e muita tristeza ao ver que as pessoas estão morrendo e que o Brasil está sem perspectiva. Mas venho melhorando. Aprendi muito e espero que possamos enfrentar e sair dessa juntos.”

Raphaela Resende Braga – Aluna de Engenharia Química da Faculdade de Tecnologia da Uerj. Está há cerca de cinco meses em intercâmbio na Université de Rouen, na França, no curso de Gestão. Seu retorno deve ser no fim do ano.

“Apesar do medo inicial do que estava por vir, com tantas notícias tristes de outros países, pode-se dizer que a situação aqui não saiu do controle. O governo francês atuou com muita cautela em todos os momentos, buscando não desesperar o povo. Onde eu moro, a quarentena foi muito respeitada e não tivemos problemas graves. A direção das residências estudantis montou uma rede de apoio para os alunos que optaram por permanecer nesse período. Eu estou sozinha, moro em uma residência estudantil dentro da faculdade e fiquei aqui por 70 dias, saindo apenas para ir ao mercado. Logo que a quarentena foi iniciada, a Uerj entrou em contato inúmeras vezes para saber como estava a situação e qual seria minha decisão, de permanecer ou retornar. Eles me auxiliaram com toda a documentação e mantemos contato frequentemente. Ainda é muito difícil ver a situação do Brasil e não ficar preocupada, com os que precisam trabalhar, e triste, com tantas pessoas que estão perdendo os empregos e passando por necessidades, sem saber o que vai acontecer.”

Saiba mais no vídeo que a Raphaela enviou.

 

Kevin Mota Amarilo – Doutorando do Instituto de Física da Uerj. Está na Suíça há seis meses, na Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear – CERN, o maior laboratório de física de partículas do mundo. Sua bolsa sanduíche termina em novembro, e a conclusão do doutorado está prevista para o fim de 2022.

“As atividades estão lentamente voltando ao normal. Lojas, restaurantes e escolas estão progressivamente abrindo, com cuidados de higiene e evitando aglomeração. Eu optei continuar aqui. Achei que seria a maneira mais rápida para retornar às atividades, quando a pandemia amenizasse. Tenho aproveitado esse tempo para focar no trabalho que pode ser feito on-line, de forma a avançar o máximo na minha pesquisa. Mesmo com as dificuldades, a colaboração entre os membros do grupo continua forte, e ainda mantemos contato via e-mail e em reuniões frequentes. A Uerj tem prestado todo o apoio necessário, por meio dos meus orientadores. Além do suporte intelectual, estamos sempre discutindo minhas condições sociais por aqui, e eles estão prontos para auxiliar no que for necessário.”

Confira a mensagem do Kevin.