Diretoria de Comunicação da Uerj

Dois ex-alunos e atuais servidores técnicos da Uerj lideraram a equipe que conquistou o primeiro lugar no Hackathon IA Coppe 2026, no Desafio 2 — Previsão de Demanda Energética. O evento, voltado ao desenvolvimento de soluções de Inteligência Artificial para demandas da transição energética, foi realizado pela Coppe/UFRJ, com patrocínio de organizações públicas e privadas dos setores de energia, tecnologia, pesquisa e inovação, como a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), entre outras.
A equipe vencedora, batizada de Atanora, foi liderada por Larissa Pinheiro e Ricardo Araújo, ex-alunos de Engenharia Química da Uerj e atualmente lotados no Centro de Produção da Uerj (Cepuerj). A edição recebeu mais de 550 inscrições e passou por diferentes etapas de seleção até chegar às 13 equipes que participaram da etapa presencial, realizada de 25 a 27 de setembro. Foram três dias intensos de desenvolvimento, mentorias e apresentações diante de especialistas e representantes das organizações envolvidas.
Larissa Pinheiro foi a única mulher entre os apresentadores dos projetos finalistas no desafio 2, em uma competição que reuniu equipes de alto nível técnico. A solução vencedora, batizada de Predicta, foi idealizada por ela e por Ricardo Araújo. Os dois também foram responsáveis pela maior parte de sua implementação.
Trajetória ligada à Uerj desde a formação

A relação da dupla com a Uerj começou muito antes do Hackathon. Larissa é engenheira química formada pela Uerj (2014), mestre e doutora em Engenharia Nuclear pela Coppe/UFRJ. Ricardo também é engenheiro químico pela Uerj (2014), pós-graduado em Engenharia Energética na própria Universidade e atualmente cursa Ciência da Computação na Universidade Federal de Ciência e Inovação do Rio de Janeiro (UFCIRJ, antigo Cefet/RJ).
Para Larissa, a vitória no Hackathon teve um significado especial. “Mais do que desenvolver uma solução em três semanas, conseguimos testar e validar externamente uma linha de pesquisa e desenvolvimento que já vínhamos construindo, ao mesmo tempo em que levamos para a competição uma trajetória fortemente ligada à formação e à pesquisa na Uerj”, afirma.
A solução Predicta
Durante a construção da equipe, a dupla incorporou ao time Pedro Costa e Rômulo Góes, graduandos em Ciência da Computação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), e Raul Castro, desenvolvedor e economista também formado pela Uerj, que contribuíram para o desenvolvimento da solução durante a competição.
Voltada aos operadores do sistema de distribuição de energia elétrica, a Predicta é uma plataforma online cujo principal objetivo é prever a demanda energética das próximas horas ou dias com base no histórico de demanda e em fatores climáticos que possam afetar essa demanda. “No desenvolvimento da solução, utilizamos dados climáticos de 10 anos de todo o Brasil e de demanda elétrica do Operador Nacional do Sistema (ONS) de 2023 a 2026 — cuidando de evitar o período atípico da pandemia — alimentados em modelos de inteligência artificial não generativos e treinados para perceber a relação entre clima, horário, dia da semana e demanda energética”, conta Larissa.
A ideia da Predicta é solucionar um dos maiores problemas que o Sistema Nacional Interligado vem enfrentando: a altíssima demanda energética em períodos muito curtos, pressionando o sistema. A solução estuda como a demanda estará nas próximas horas e dias, o que pode variar por aspectos climáticos, como ondas de calor, frio, secas ou tempestades. Com isso, previne eventuais quebras no sistema, informando ao motor de tarifas dinâmicas quando estas deveriam ficar mais cara ou mais barata, além de incentivar o consumidor a usar a energia em momentos de ociosidade da rede e reduzir o consumo nos momentos de pico.
“O grande diferencial da nossa solução é que a tarifa dinâmica indica horários precisos de quando o consumo estará elevado ou baixo,”, explica Larissa. “Essa tecnologia pode ser aplicada a diversos setores, como o de marketing, financeiro e energético. A validação trazida pelo Hackathon IA Coppe 2026 nos mostra que estamos na ponta do desenvolvimento de tecnologia que causa impactos reais”, finaliza.
Sobre o Hackathon IA Coppe 2026
O Hackathon IA Coppe 2026 é a segunda edição do evento — a estreia foi em 2025 —, que tem como objetivo estimular o desenvolvimento de soluções inovadoras com o uso de Inteligência Artificial, ciência de dados e tecnologias digitais para enfrentar desafios relacionados à Transição Energética. Os seis desafios da edição de 2026 foram: 1- Constrained-Off (Curtailment) via dados do NOS; 2- Previsão de Demanda Energética; 3- Descarbonização Industrial; 4- Copiloto Regulatório Inteligente; 5- Inteligência Competitiva do Setor Elétrico; e 6- Confiabilidade e Manutenção da Transmissão.