Diretoria de Comunicação da Uerj

O Laboratório de Geocronologia e Isótopos Radiogênicos (Lagir), da Faculdade de Geologia da Uerj, inaugurou no dia 9 de outubro seu novo equipamento: o espectrômetro de massas multicoletor Thermo Scientific Neoma MC-ICP-MS, adquirido com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Governo Federal. Além do espectrômetro, está em via de importação pelo mesmo projeto o sistema de ablação a laser Iridia.
Realizada no próprio laboratório, a cerimônia de inauguração teve a presença de várias autoridades acadêmicas e marcou a entrada da Uerj em uma nova etapa na produção de dados isotópicos de alta precisão, com impacto direto na pesquisa, na formação de recursos humanos e nas atividades de extensão universitária.
A reitora Gulnar Azevedo e Silva, presente na inauguração, exaltou a possibilidade de a aquisição ampliar a integração com outras instituições. “Gostei muito de ouvir que são equipamentos aptos a integrar diversas áreas, além de possibilitar a cooperação. É esse passo que precisamos dar na Uerj”, comemorou.
Ecossistema interinstitucional

Monica Heilbron, vice-coordenadora do Lagir, espera que as novas aquisições sejam a “cereja do bolo” da rede multiusuário da Universidade. “Será um passo a frente para criar um ecossistema efetivo de laboratório multiusuário aberto a todas as instituições de pesquisa do Rio de Janeiro e do país. O Neoma possui uma velocidade de análise que vai certamente ultrapassar muito a demanda interna da Uerj. Existem poucos similares no mundo. Então isso vai nos permitir fazer um movimento para fora”, apontou Monica.
Foram 2 anos e 4 meses desde o edital até a importação e toda a adequação do espaço físico para abrigar os equipamentos, conta o coordenador do Lagir, Henrique Bruno. “Ficou pronto e vamos começar a operar nossas primeiras análises. Essas máquinas vão possibilitar a colaboração com diversas outras áreas. Na parte biomédica, por exemplo, também têm uma aplicação enorme”, explicou.
Ele reforçou a importância das recentes aquisições. “São fundamentais ainda para a transição energética — terras raras, lítio, baterias —, pois vamos conseguir caracterizar os depósitos onde encontramos esses elementos. É uma nova fronteira. Isso coloca a Faculdade de Geologia da Uerj como um centro de excelência analítica. Hoje temos um parque laboratorial que é um dos melhores da América Latina, e isso não podemos deixar de exaltar”, comemorou.
Estrutura analítica ampliada

O Neoma é usado em estudos ambientais e climáticos, arqueologia, rastreabilidade de alimentos, biogeoquímica e na indústria de óleo e gás, temas alinhados ao eixo “Terra-Vida” do projeto. Com isso, a Uerj passa a contar com infraestrutura de geocronologia e geoquímica isotópica comparável aos principais centros internacionais, o que fortalece seus programas de pós-graduação e atrai novas colaborações e projetos.
A pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa (PR2) da Uerj, Elizabeth de Macedo, enxerga um futuro promissor com as novas possibilidades de integração e processamento do Neoma. “O Lagir é um laboratório que tem a característica de pensar a médio e longo prazo. Agora, o próximo movimento é ser o hub da América Latina para esse equipamento”, exaltou.
O conjunto inclui ainda equipamentos de preparação de amostras, ampliando a infraestrutura analítica do laboratório. Com essa estrutura, o Lagir passa a analisar, com altíssima precisão, tanto amostras em solução quanto minerais sólidos. Parte dessas tarefas, das quais pesquisadores da Uerj necessitam — e que atualmente são feitas em laboratórios parceiros —, poderá ser realizada no próprio Lagir com mais autonomia, menor custo e menor prazo. Como o equipamento alterna rapidamente entre análises de soluções e de sólidos, também pode aumentar o número de usuários atendidos.
Um laboratório pioneiro no Rio de Janeiro
O Laboratório de Geocronologia e Isótopos Radiogênicos da Uerj é o primeiro em geocronologia isotópica do Estado do Rio de Janeiro e o quinto do Brasil. Integra o Instituto GeoAtlântico — rede de pesquisa aprovada pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) como um INCT (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia). Suas instalações incluem um módulo de química ultra limpa, com pressão positiva, e um módulo de espectrometria de massas.
Atualmente, atende 107 usuários internos e 51 externos, apoia seis programas de pós-graduação distribuídos entre a Uerj, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).
Colabora com 14 instituições no Brasil e no exterior, incluindo Reino Unido, Portugal, Argentina, Irã e Índia, além das parcerias com a Petrobras e o Serviço Geológico do Brasil. Até 2024, os dados gerados no Lagir haviam dado origem a mais de 50 artigos em periódicos de alto impacto e contribuído para 22 teses de doutorado e 35 dissertações de mestrado, em seis programas de pós-graduação da Uerj, UFRJ, UFMG e UFOP, além de projetos de pós-doutorado. Desde 2006, 15 estudantes de graduação atuaram no Lagir como bolsistas de Estágio Interno Complementar (EIC), do programa Qualitec, da Uerj, e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), contribuindo, portanto, para a formação de profissionais para a ciência brasileira.
Impacto na pesquisa e na sociedade
Na Geologia, os dados isotópicos e geocronológicos produzidos no laboratório ajudam a reconstruir a formação e a evolução da crosta continental, a história dos antigos supercontinentes e a abertura do Oceano Atlântico. O Lagir também dá suporte à exploração de recursos minerais e de petróleo e gás, estudando rochas-fonte e a proveniência de sedimentos em bacias sedimentares.
As técnicas isotópicas são ainda usadas em temas ambientais, como o rastreamento de sedimentos e contaminantes em bacias hidrográficas e no ambiente marinho, e no estudo de registros de mudanças climáticas no passado geológico.
Fora das Geociências, contribui para trabalhos em arqueologia, biologia, paleontologia e saúde humana, nos quais as assinaturas isotópicas indicam a origem e a mobilidade de materiais, organismos e populações. Com o espectrômetro Neoma e em breve com o laser Iridia, essas linhas ganham novas ferramentas analíticas e se aproximam de áreas como biogeoquímica, rastreabilidade de alimentos e estudos ambientais, reforçando o caráter multiusuário e multidisciplinar do laboratório.
Fotos: André Milagres