Diretoria de Comunicação da Uerj
Com o tema “Saúde 5.0 – conectando tecnologia e humanização”, foi realizado, de 24 a 28 de agosto, o 64º Congresso Científico do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) da Uerj. O evento promoveu reflexões sobre o papel estratégico das novas tecnologias, como a inteligência artificial, em benefício da área da saúde e a importância de manter o cuidado centrado nas pessoas, sob uma perspectiva científica rigorosa e atualizada.
Em mais uma edição de sucesso, com números recordes, foram totalizados cerca de 2 mil participantes e convidados nacionais e internacionais; 691 trabalhos inscritos, de 202 instituições diferentes, englobando nove estados e dois países (Brasil e Argentina); cerca de 600 temas livres; 549 pôsteres de apresentação; e 78 trabalhos em apresentação oral.

Realizado anualmente, o encontro já se consolidou como um marco no calendário científico e acadêmico do Rio de Janeiro. E neste ano reuniu profissionais de renome nacional e internacional, pesquisadores e estudantes que apresentaram trabalhos e promoveram debates sobre temas relevantes. A atualidade e a relevância científica do evento foram destacadas pela reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva, como a chave para o seu êxito. “Esse é o terceiro congresso de que eu participo como reitora. Mas conheço esse espaço desde a década de 70 e, sempre que volto, é uma emoção. Estar aqui nesta edição para abordarmos questões relacionadas à Saúde 5.0 mostra como nos mantemos, ano após ano, conectados com os problemas contemporâneos da nossa sociedade”, analisou.
Compuseram, ainda, a mesa que deu início ao evento a diretora científica da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Eliete Bouskela; o diretor-geral do Hupe, Rui de Teófilo e Figueiredo Filho; a presidente do Congresso, Luciana Rodrigues; e o diretor do Centro Biomédico da Uerj, Mario Fritsch Toros Neves.
Humanização e inteligência artificial
As temáticas tratadas foram agrupadas em eixos principais, envolvendo: cuidado centrado na pessoa e humanização mediada por tecnologia; tecnologias digitais, inteligência artificial e apoio à decisão clínica; medicina de precisão, inovação diagnóstica e terapêutica; gestão do cuidado, segurança da informação em saúde, equidade e sustentabilidade; e formação profissional, educação em saúde e desenvolvimento de competências para a Saúde 5.0.

Nesse sentido, os desafios no desenvolvimento e incorporação da inteligência artificial na Medicina foi o tema abordado na conferência magna de abertura, realizada na última terça-feira (25). A palestra foi ministrada pelo médico oncologista Paulo Hoff, que é professor do Departamento de Radiologia e Oncologia da Faculdade de Medicina (FMUSP) da USP e membro do Conselho Diretor do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. “É crucial entendermos que, no futuro, não teremos uma dicotomia entre médico e a inteligência artificial. O contexto será da medicina somada à inteligência artificial. Logo, o desafio já não é desenvolver a IA, mas sim construir uma medicina confiável conjugada à IA. Cabe a nós incorporarmos a tecnologia com evidência, equidade, transparência e responsabilidade”, refletiu Hoff.
Programação robusta e homenagens a servidores
Nesta edição, em apenas cinco dias, a programação incluiu 17 cursos realizados nos dias pré-congresso; e 72 atividades, entre mesas-redondas, conferências e debates. Além disso, foram promovidas rodas de conversa; ações culturais e sociais; e o inédito HackHUPE, com a participação de 20 ligas acadêmicas de múltiplas instituições. Todas as atividades ocorreram em quatro plenárias principais e no Espaço Saúde e Cultura, que ocupou o estacionamento do Hospital, onde aconteceram também apresentações de pôsteres digitais, estandes e a feira de ligas.
Também foi realizada, na última segunda-feira (24), uma cerimônia de homenagem a 56 profissionais que completaram 25 e 35 anos de dedicação ao Hupe. A celebração reconheceu trajetórias construídas com compromisso, dedicação e contribuição para a saúde, o ensino, a pesquisa e a assistência, que fazem parte da história e da identidade da instituição.

Já na conferência magna de encerramento, o congresso recebeu Roberto Kalil Filho, professor de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). O médico cardiologista, que também é diretor do InCor e do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, apresentou ao público a palestra “Cardiologia de precisão: Os avanços para as próximas décadas”. “Não podemos perder de vista que existe um filtro regulatório que é o humano. Quando o estetoscópio foi criado, surgiu uma preocupação na classe médica sobre como ficaria a relação com o paciente. Porém, ele é um instrumento que auxilia no diagnóstico e é utilizado até o hoje. Faço, então, uma analogia com a inteligência artificial. Ela não existe para tratar o paciente, mas, sim, para auxiliar o médico por meio de uma medicina de precisão”, analisou Kalil. “A cardiologia é uma especialidade que avança a passos largos com a alta tecnologia, mas a decisão sempre será do médico. Ele vai usar esses mecanismos para direcionar a melhor condução para a proteção do seu paciente”, acrescentou.
Encerramento com o ministro da Saúde
O último dia do congresso foi marcado pela presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que, em sua fala, exaltou a presença feminina no Sistema Único de Saúde (SUS). “Aproveito essa ocasião para saudar a magnifica reitora da Uerj Gulnar e a professora Eliete Bouskela, que estão aqui ao meu lado. O SUS é feito, sobretudo, pelas mulheres brasileiras, que são mais de 76% dos profissionais de saúde atuantes no sistema, e são maioria em todas as categorias”.

Padilha ressaltou, ainda, a grandiosidade do Hupe e o papel fundamental do ensino público de qualidade para a ciência brasileira. “Há muito tempo eu queria vir ao Hupe, pela importância desse hospital e dessa universidade. A universidade pública é o lugar da ciência, e precisamos nos esforçar para manter os profissionais que formamos no nosso país. Por isso, queremos liderar esse movimento de modernização tecnológica dos hospitais, para cuidarmos cada vez mais da população brasileira”, enfatizou o Ministro, que participou também da cerimônia de premiação dos trabalhos de destaque do Congresso, com a entrega do Prêmio Pedro Ernesto e o reconhecimento das equipes vencedoras do HackHUPE – Desafios 5.0.
Fotos: George Magaraia