Lançamento do Guia da Inserção Curricular da Extensão Uerj mobiliza comunidade acadêmica

20/08/202615:25

Diretoria de Comunicação da Uerj
Caren Victorino Regis, Antonio Soares, Gulnar Azevedo e Silva, Bruno Deusdará, Ana Maria Santiago e Alzira Batalha

Produzido coletivamente pelas equipes das pró-reitorias de Graduação (PR1) e de Extensão e Cultura (PR3), o Guia da Inserção Curricular da Extensão (ICE) Uerj foi lançado, na última terça-feira (18), em cerimônia no auditório 111 do campus Maracanã. A publicação tem como objetivo orientar e fornecer diretrizes claras para a comunidade acadêmica sobre o planejamento, a organização e a integração das ações extensionistas aos currículos da graduação.

Conforme determinado pela Resolução CNE/CES nº 7/2018 e pela Deliberação Uerj nº 04/2023, todos os cursos devem destinar, no mínimo, 10% da carga horária total a atividades de extensão. A articulação entre teoria e prática promove experiências transformadoras e favorece a uma formação cidadã e profissional atenta às demandas reais da sociedade.

Em seu discurso, a reitora Gulnar Azevedo e Silva destacou que a medida não deve ser entendida apenas como o cumprimento de uma obrigação legal. “Temos hoje a oportunidade de pensar e discutir qual é a missão de uma universidade. Assim como formar pessoas e construir conhecimento, o nosso papel é, também, fazer isso para a sociedade, como nosso compromisso social”, afirmou. “Quando a proposta da política de cotas surgiu como obrigatoriedade, nós aprimoramos e estruturamos o modelo, que garante a permanência dos cotistas. Da mesma forma, vamos aproveitar a necessidade de inserir a extensão no currículo e transformar esse processo em um momento fundamental de reflexão sobre tudo o que fazemos”, acrescentou.

O pró-reitor de Graduação (PR1), Antônio Soares, também reforçou a importância da extensão para a sociedade. “As atividades extensionistas são uma forma de devolver o investimento feito na Universidade, mostrando o que fazemos por meio do protagonismo dos nossos estudantes, exercido da melhor forma possível”, observou. E destacou o próximo desafio. “Agora precisamos garantir as condições para que essas práticas aconteçam”, pontuou.

Alzira Batalha, diretora de Extensão da Uerj

Para a diretora de Extensão (Dirext), Alzira Batalha, a ICE não deve ser vista como mera inclusão de atividades extensionistas. “Ela requer mudanças na concepção de educação, de conhecimento e do próprio currículo. A extensão passa a estar integrada à matriz curricular de todos os cursos da graduação”, observou. “Essa é uma ótima oportunidade para que nossos cursos façam uma revisão acurada do seu projeto pedagógico, tendo como ponto de partida um diálogo fecundo com os Brasis que erguem e sustentam o nosso Brasil, conhecendo os problemas da realidade contemporânea, como também a nossa rica diversidade cultural”, completou.

Para a diretora do Departamento de Orientação e Supervisão Pedagógica, Caren Victorino Regis, o Guia é fruto de um diálogo que não se inicia ou termina com o lançamento. “O dia de hoje marca a continuidade de debates, questionamentos e possibilidades. Esta é a primeira versão do Guia, que responde a questões mais urgentes, levantadas pelas próprias unidades acadêmicas, ao longo dos anos; reformas curriculares, a criação de cursos e outros processos acadêmicos-administrativos. Continuemos esse diálogo, porque só é possível avançar pensando e realizando coletivamente”, observou.

Múltiplas realidades e necessidades

Em sua fala, a pró-reitora de Extensão e Cultura (PR3), Ana Maria Santiago, destacou a ampla diversidade de cursos e suas especificidades como um dos desafios para implementação da ICE. “A Universidade possui muitos cursos diferentes, com realidades e necessidades diferentes. E quando saímos dos nossos muros, encontramos ainda mais diversidade. Por isso, é fundamental entendermos que são muitas transformações que precisamos promover, para atender às necessidades da sociedade, do mercado de trabalho e às demandas produtivas. Não percamos essa oportunidade de fazer uma autorreflexão sobre o que estamos oferecendo e como isso pode ser mais dialógico, ativo e atraente para os alunos”, enfatizou.

Ensinando e aprendendo ao mesmo tempo

Para Paulo Freire, “o ensino não é a simples cópia ou entrega de fatos, mas uma troca viva onde todos crescem juntos pelo diálogo”. Da mesma forma, Alzira defende que a extensão deve ser um diálogo fecundo, articulado entre Universidade e sociedade. “Não é a Universidade levando saberes para uma sociedade que muitos pensam desprovida de saberes, mas um relacionamento de mão dupla. E isso tem implicações. Significa que temos que repensar o que entendemos por universidade, por conhecimento e por currículo”, afirma. “E devemos nos perguntar, enquanto servidores públicos, em uma universidade pública, lutando pela persistência de uma democracia, que contribuição podemos dar nesse processo de reforma curricular; que projeto societário iremos abraçar?”, questiona.

A versão virtual do Guia da Inserção da Extensão Uerj está disponível para download no site da Dirext.

Fotos: George Magaraia