Uerj inaugura Centro Cultural da Democracia em prédio histórico no Catete que abrigou Faculdade de Direito

26/11/202110:12

Diretoria de Comunicação da UERJ

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) inaugurou, nesta quarta-feira (24), o Centro Cultural da Democracia. O equipamento dará novo uso ao casarão bicentenário da Rua do Catete 243, no bairro homônimo da Zona Sul do Rio de Janeiro.

O prédio icônico, que é tombado pela Prefeitura do Rio de Janeiro e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), abrigou a Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, uma das quatro instituições que deram origem à então Universidade do Distrito Federal (UDF), atual Uerj. Após a transferência do curso para o campus Maracanã, em 1976, o espaço foi cedido para a União Nacional dos Estudantes (UNE), que o utilizou como sede por duas décadas, mantendo no endereço um símbolo da aguerrida luta contra a repressão no país. 

“O desafio é não só recuperar a estrutura física do casarão histórico, mas transformá-lo em um espaço importante para o fortalecimento da democracia e dos direitos humanos no  Rio de Janeiro”, explicou o reitor da Uerj, Ricardo Lodi Ribeiro. Sobre o futuro uso da construção, revelou: “Aqui vamos ter espaço multimídia, exposições permanentes e temporárias, teatro, cinema, café e um ponto de encontro de todas as lutas sociais do estado”.

A pró-reitora de Extensão e Cultura da Uerj, Cláudia Gonçalves, destacou que a implantação do Centro Cultural da Democracia se baseia na tríade “memória, debate e cultura” e o espaço vai trabalhar esses temas, com uma biblioteca e salas para debates, além de “um centro de memória que resgate a história das dores da ditadura, que marcou muito o prédio”. A professora assinalou que o local será “um espaço diverso de reflexão dos problemas do Brasil e da democracia brasileira”.

A implantação do projeto se deu por meio da articulação entre a Pró-reitoria de Extensão e Cultura (PR3), a Faculdade de Direito e a Prefeitura dos Campi, para “que se possa ter um resultado no menor tempo possível, mas que traduza toda a tradição do prédio e a perspectiva para um futuro de compromisso com a consolidação do Estado Democrático de Direito”, disse Lodi.

A cerimônia de abertura recebeu personalidades da própria universidade e convidados. Compuseram o ato solene: o reitor Ricardo Lodi Ribeiro; o vice-reitor Mario Sergio Alves Carneiro; a pró-reitora de Extensão e Cultura, Cláudia Gonçalves; a diretora da Faculdade de Direito, Heloísa Helena Gomes Barboza; o ex-reitor e ex-diretor da Faculdade de Direito, professor Antônio Celso Alves Pereira; a representante da Associação de Pós-Graduandos (APG/Uerj), Natália Silva Trindade; e a vereadora de Niterói e ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) Verônica Lima. Também se pronunciou a aluna Natália Cardoso, do quinto período do curso de História, representando o Diretório Central dos Estudantes da Universidade.

Alegria e muita emoção marcaram diversos depoimentos. Foi o caso da professora Heloísa Helena Gomes, primeira mulher a ocupar o cargo de diretora da Faculdade de Direito nos 86 anos do curso. Ela contou ter estudado naquele espaço e narrou como era a resistência ao que chamou de “tempo do medo” –  a ditadura militar. “Neste local, havia uma pequena cantina e não podíamos reunir três ou mais colegas para tomar café”, disse. A professora salientou a importância do edifício como símbolo de uma história que não pode ser esquecida nem minimizada pelos jovens.

Já o ex-reitor Antônio Celso lembrou ter iniciado a carreira de professor naquele endereço e parabenizou a Uerj pela preservação da memória de lutas e história da instituição. 

Após as falas, os convidados acompanharam uma intervenção artística encenada pelo diretor e ator Bruno Peixoto e as autoridades da Uerj descerraram a placa de inauguração. Um painel foi instalado para preservar uma inscrição grafitada na parede, que será mantida como símbolo de resistência e da memória dos fatos que tiveram o prédio como palco: “Abaixo a ditadura”.

Exposição e espetáculo teatral

As paredes do antigo casarão são testemunhas da história e, na noite de retomada do espaço, expuseram sua própria trajetória por meio de imagens de acervos. As fotos contaram mais sobre os tempos de glória do endereço e como era no passado, em diversas épocas e usos.

A noite de inauguração do Centro Cultural da Democracia foi encerrada com a apresentação teatral “A casa e o mundo lá fora – Cartas de Paulo Freire para Nathercinha”, pelo grupo En La Barca Jornadas Teatrais. A peça seguirá em cartaz no espaço com entrada franca até 16 de dezembro, às quartas e quintas-feiras, às 19h30. A intervenção artística promove o diálogo entre o espaço dedicado à democracia e os 100 anos do patrono da educação brasileira, celebrados pelo Ano Paulo Freire na Uerj.

“No teatro-documentário isso é o principal: traçar ligações históricas, revisitando um passado duro dos últimos 60 anos, para que a gente se arme de informação e possa construir os próximos 60. Daí a importância dessa ocupação com Paulo Freire. No ano de seu centenário e no momento em que ele tem sido atacado de uma forma muito desleal, o trazemos para o debate do que deve ser a educação pública brasileira”, destacou o diretor do espetáculo, Bruno Peixoto.