Uerj e outras instituições alertam em estudo inédito que a Amazônia já emite mais carbono do que é capaz de absorver

08/10/202118:36

Diretoria de Comunicação da UERJ

Um estudo liderado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com participação do professor Sérgio Machado Corrêa, da Faculdade de Tecnologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FAT/Uerj), em Resende, mostrou que a Floresta Amazônica vem emitindo gás carbônico em quantidade maior do que absorve. O artigo com o resultado da pesquisa, com dados coletados de 2010 a 2018, foi publicado pela revista científica Nature, uma das mais importantes do mundo.

Corrêa vem se dedicando com exclusividade ao estudo no último ano. “Licenciei-me para atuar como pesquisador visitante no Inpe, no estudo da Amazônia. Já interajo com este grupo do Instituto há alguns anos, mas em 2020 participei da coleta e tratamento estatístico multivariado dos dados. Meu trabalho também é validar e fazer previsões futuras por redes neurais”, explica.

Para desenvolver o estudo, os dados são coletados quinzenalmente em quatro municípios – Santarém, Alta Floresta, Rio Branco e Tefé. Segundo Corrêa, “os pontos foram escolhidos por causa da localização, pois se situam no Nordeste, Sudeste, Noroeste e Sudoeste da floresta, com quatro perfis distintos”. São essas áreas mais afetadas pela degradação ambiental que levam a Amazônia a emitir mais carbono do que consegue absorver. 

As coletas são feitas por aviões monomotores, que levam malas contendo de 10 a 12 frascos de vidro em vácuo. A aeronave sobe e, ao descer em espiral, os frascos são abertos automaticamente a cada 300 metros e captam o ar. Os recipientes com o ar captado no voo seguem para o Inpe e são analisados. O professor da Uerj detalha o método: “Calculamos o fluxo de carbono ascendente ou descendente da floresta e conseguimos mensurar se ela está emitindo ou sequestrando carbono. Isso varia ao longo do ano e depende de cada local”. 

Todo o trabalho conta com processos seguros e automatizados. As malas com os frascos são enviadas lacradas, por malote, para as empresas de aviação. Elas têm GPS e datalogger. Assim, registram tudo o que acontece, onde cada frasco foi coletado, o dia, a hora e cada altitude. E retornam ao Instituto, onde todas essas informações são verificadas.

O artigo que detalha a conclusão de oito anos de análise tem caráter inédito na comunidade científica, pois, segundo os pesquisadores e a revista, é a primeira vez que um estudo mostra que o potencial de absorção de carbono da floresta diminuiu. E isso só foi possível graças ao uso da nova metodologia de medição.

“Um novo artigo foi submetido à Nature, aprovado e deve ser publicado no início de 2022. Diferente do primeiro estudo, que abordou a emissão de CO2 ligado ao desflorestamento e queimadas, agora o foco será o metano. Este é o segundo gás mais importante do efeito estufa e muito relacionado com a fronteira agrícola, principalmente com a criação de gado e áreas alagadas”, revela o professor. 

Sobre as próximas etapas e continuidade da pesquisa, Sérgio Corrêa antecipa que, em 2022, pretende alocar no estudo “alunos de mestrado e doutorado em Engenharia Ambiental na Uerj, que entrarem no próximo processo seletivo”.