Semana Brasileira de Enfermagem enfoca defesa do SUS e troca de experiências sobre a Covid-19

12/05/202013:44

Diretoria de Comunicação da UERJ

Com histórico de participação ativa nos processos de desenvolvimento político, pedagógico e assistencial do Rio de Janeiro, a Faculdade de Enfermagem da Uerj (Fenf) viu a chegada da pandemia de Covid-19 ao estado como uma convocação para reunião de forças, saberes e práticas. Em parceria com as unidades de saúde da Universidade, formou frentes de trabalho para atuação não só no atendimento da população e na formação emergencial de profissionais, mas também no ensino, na pesquisa e na troca de experiências entre as comunidades interna e externa.

“As atividades têm sido programadas conjuntamente aos departamentos do Hospital Pedro Ernesto e da Policlínica Piquet Carneiro. Compreendemos que agora, mais do que nunca, somos uma só Enfermagem, a Enfermagem da Uerj”, enfatiza a diretora da Fenf, Luiza Mara Correia.

Entre os dias 13 e 15 de maio, um evento virtual vai reunir representantes das três unidades. A programação da 81ª Semana Brasileira de Enfermagem (SBEn) será transmitida pelo canal da faculdade no YouTube e mídias sociais de projetos de extensão. No tema escolhido – “Qualidade em Enfermagem e Saúde na defesa do SUS: de Florence Nightingale à pandemia de Covid-19” – uma referência aos preciosos ensinamentos do passado e aos desafios da nova doença no presente. Entre os convidados, profissionais de Portugal, Espanha, Itália e Chile.

Os organizadores chegaram a pensar em não participar do tradicional encontro anual, mas avaliaram que não poderiam prescindir deste importante espaço de diálogo. “Como muitos, nós também temos experimentado momentos de angústias, apreensões e de tristeza pela perda – precoce e por vezes evitável – de parentes, amigos e colegas de trabalho. Entretanto, compreendemos que também é neste momento que a partilha se faz mais necessária. A Semana de Enfermagem, além de produzir intercâmbio de conhecimento técnico e científico, também é um momento ímpar para trocarmos afetos e diminuirmos a distância física que temos experimentado”, afirmaram.

A SBen é realizada em todo o país e marca a celebração pelo Dia Internacional da Enfermagem: 12 de maio, data escolhida em homenagem àquela que é considerada fundadora da Enfermagem Moderna. Nascida há exatos 200 anos, a inglesa Florence Nightingale ganhou destaque pela atuação pioneira no cuidado a feridos em batalhas, durante a Guerra da Crimeia, na Turquia. No retorno a Londres, ela continuou sua busca por humanização e higiene no atendimento hospitalar e, em 1860, criou a primeira Escola de Enfermagem da Inglaterra.


Formação emergencial contra o novo coronavírus

Logo após a notícia de suspensão das atividades acadêmicas presenciais, em 16 de março, a Faculdade de Enfermagem montou o curso on-line “Enfrentamento à Covid-19”. A primeira turma, reunindo internos do 8º e 9º períodos da graduação, bem como enfermeiros dos Programas de Residência, teve 239 inscritos. Segundo os coordenadores de Graduação, Alex Mello e Juliana Prata, chamou a atenção o interesse de participação discente de 82%, mesmo a iniciativa sendo livre e sem obrigatoriedade.

A segunda turma, destinada aos estudantes dos demais períodos, também teve grande procura, com 299 inscrições. O conteúdo incluiu três blocos: panorama epidemiológico da doença; manejo clínico-assistencial dos pacientes contaminados; e complicações e especificidades, abordando situações de agravamento, protocolos de atendimento nas Unidades de Terapia Intensiva, acometimento em grupos especiais, além de cuidados éticos dentro dessas especificidades.

Para a coordenação, mesmo que ainda não possam atuar na linha de frente, os estudantes de enfermagem, em isolamento social, também podem desenvolver ações que estejam alinhadas ao combate à pandemia. “De suas casas, aqueles que têm acesso às mídias digitais podem trabalhar a divulgação de informações atualizadas e ajudar no combate a fake news, por meio de postagens. Em ambientes domiciliares e rodas virtuais de pessoas mais próximas, podem multiplicar a educação em saúde, trabalhando os meios e medidas de proteção, os sinais e sintomas da doença, a saúde mental em tempos de confinamento, a proteção dos mais vulneráveis, a quarentena dos sintomáticos, a solidariedade, dentre tantos outros aspectos importantes que venham esclarecer e diminuir o impacto da doença na sociedade”, enfatiza Prata.

Módulos destinados aos profissionais de saúde do Estado do Rio de Janeiro também foram produzidos e disponibilizados na página Telessaúde Uerj. Além disso, foi oferecida capacitação específica no Hospital Universitário Pedro Ernesto e na Policlínica Piquet Carneiro. Mais de 1000 profissionais de saúde das duas unidades foram treinados para paramentação e desparamentação adequada.


Pesquisas acompanham impactos da pandemia nos trabalhadores em saúde

Uma iniciativa coordenada pela professora Cristiane Gallasch, com participação de outros docentes da Uerj, Unirio, USP, Centro Universitário São Camilo/SP, UFSCar, UFMG e FESP/UFT, pretende analisar os potenciais de desgaste e fortalecimento de trabalhadores da área da saúde, decorrentes do enfrentamento da epidemia do novo coronavírus.

“Esperamos identificar as principais cargas de fatores relacionados à saúde física e mental dos trabalhadores que sejam afetados pela situação de pandemia, além de elementos impactantes no gerenciamento da organização da atenção à saúde. Também, visamos indicar aos trabalhadores, gestores, entidades de classe e associativas os principais problemas e discutir possíveis estratégias”, explica Gallasch.

Em outro projeto, denominado “Repercussões da pandemia de Covid-19 na subjetividade dos trabalhadores”, a professora Norma Valéria Souza também enfoca o tema, com artigos de reflexão e metodologia documental. “Meu grupo de pesquisa já produziu e enviou quatro textos para as revistas científicas, e estamos aguardando o aceite ou não dos periódicos para publicação. E temos outros dois artigos em fase de elaboração”, afirma.