Projetos da Uerj para incentivar reaproveitamento de lixo e atividade física entre estudantes são aprovados em editais

06/05/202117:19

Diretoria de Comunicação da UERJ

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) foi bem-sucedida, recentemente, em dois editais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). O projeto “Fatores determinantes da prática de atividade física nos deslocamentos diários entre escolares – Uma abordagem intersetorial e multidisciplinar no enfrentamento da inatividade física e da obesidade” foi aprovado na sétima edição do edital Pesquisa para o SUS – Gestão Compartilhada em Saúde (PPSUS). Já o estudo “Conectando Ciência, Inovação e Inteligência Artificial: construção de um modelo de cidade inteligente mitigador de impactos ambientais através da compostagem de resíduos orgânicos” foi escolhido no edital Apoio a Redes Temáticas de Inteligência Artificial. 

Atividade física no dia a dia

O primeiro trabalho tem como objetivo avaliar, por meio de modelos ecológicos, a relação entre os fatores determinantes das escolhas de transporte e os níveis de atividade física e indicadores de saúde de crianças, adolescentes e seus familiares – com ênfase no uso de modais ativos, como caminhadas e bicicletas. Lançando mão de uma abordagem inovadora e multidisciplinar, o estudo conta com a colaboração de pesquisadores de diversos campos do conhecimento, vinculados a instituições como Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Universidade de Otago, na Nova Zelândia, e Centro Universitário de Volta Redonda, além de organizações como a União de Ciclistas do Brasil, ACT Promoção da Saúde e Bike Anjo, com o apoio das secretarias municipais de Volta Redonda.

Segundo o professor Ricardo Brandão, coordenador do Laboratório de Vida Ativa, do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Exercício e do Esporte da Uerj, a verba conquistada será fundamental para aquisição de equipamentos indispensáveis à coleta de dados e de softwares para análises de geoprocessamento. Além disso, os recursos também permitirão deslocamentos, criação de website, identidade visual, entre outras demandas. 

“Acredito que poderemos prestar várias contribuições à sociedade. Primeiramente, por se tratar de um projeto intersetorial e transversal a muitas temáticas de extrema importância, como Educação, Mobilidade Urbana, Saúde e Meio Ambiente. Ao colocar estas agendas juntas, nosso estudo pode colaborar para a construção de cidades mais sustentáveis, resilientes e, acima de tudo, com maior qualidade de vida. Estamos felizes com a seleção do nosso projeto no edital, considerando seu caráter ligado à saúde pública, que neste momento precisa ser valorizada. Viva o SUS e viva a ciência brasileira!”, comemora Brandão.

Solução para o lixo orgânico 

Desenvolver um modelo de negócio voltado para o aproveitamento do lixo em casas e escolas. Este é o desafio proposto pelo projeto “Conectando Ciência, Inovação e Inteligência Artificial: construção de um modelo de cidade inteligente mitigador de impactos ambientais através da compostagem de resíduos orgânicos. Desta forma, seria possível gerar renda e oportunidades de trabalho, além de reduzir os impactos ambientais causados pela geração de resíduos sólidos urbanos. 

O trabalho conta com a participação de atores representativos, com perfis diversos e complementares, como as universidades Federal Fluminense (UFF) e Veiga de Almeida (UVA), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e as empresas VM9, Organokits e Reciclotron, além da Prefeitura Municipal de Nova Friburgo.

Pátio de compostagem em Nova Friburgo

Para o professor Anderson Namen, responsável pela pesquisa no Instituto Politécnico do Rio de Janeiro (IPRJ), os recursos disponibilizados pela Faperj vão contribuir para a concessão de bolsas aos alunos de mestrado e de iniciação científica, além de apoiar empresas que participam do projeto, seja no desenvolvimento de soluções na área de computação, ou no próprio processo de compostagem. “Essa verba permite a aquisição de equipamentos que vão auxiliar nas análises químicas dos nutrientes do composto gerado, além de apoiar publicação de patente, registro de software, entre outras necessidades”, explica Namen.

O modelo inovador do projeto ajuda na redução da quantidade de lixo orgânico que é direcionado aos aterros sanitários. Os benefícios não são somente ambientais, mas também econômicos e sociais, criando oportunidades para geração de trabalho e renda, com potencial de replicação no estado do Rio de Janeiro, qualquer região no Brasil e no mundo.  “É preciso pensar nos resíduos, pois podemos criar valor com eles. Com a ajuda da inteligência artificial e as ferramentas de apoio existentes, podemos fazer com que os resíduos orgânicos sejam bem aproveitados e que haja conscientização sobre o descarte do lixo”, finaliza o professor. 

Verba liberada pela Faperj

A sétima edição do edital Pesquisa para o SUS – Gestão Compartilhada em Saúde contemplou 23 das 52 propostas recebidas pela Faperj e o Ministério da Saúde, destinando cerca de R$ 6,125 milhões. 

No edital Apoio a Redes Temáticas de Inteligência Artificial, foram previstas três redes, divididas nos seguintes temas: “Energias renováveis, Impacto agroambiental e mudanças Climáticas”, “Imageamento, cidades inteligentes e gestão pública de saúde” e “Energia e educação virtual”. O valor total aprovado foi de R$ 10 milhões, distribuídos entre auxílios e concessão de bolsas de pesquisa.