Diretoria de Comunicação da Uerj
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biociências do Instituto de Biologia Roberto Alcantara Gomes (Ibrag-Uerj), Bárbara Dias recebeu o Prêmio de Inovação Grupo Boticário durante o XXIV Congresso Brasileiro de Toxicologia (CBTOX), realizado de 3 a 6 de junho, em São Paulo. O trabalho intitulado “Lawsone silver salt: antifungal activity, DNA damage, and diferential cytotoxicity in 2D and 3D cell cultures” conquistou o 1º lugar na categoria Pôster.
Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Bárbara foi premiada em mais um importante evento científico pelo projeto desenvolvido no âmbito de sua tese de doutorado, orientada pelo professor Israel Felzenszwalb e coorientada pelo professor Carlos Fernando Araújo Lima. O trabalho, vinculado ao Laboratório de Mutagênese Ambiental (Labmut) do Ibrag, é uma colaboração entre a Uerj, a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O projeto avalia a segurança e a eficácia de um novo composto contra fungos causadores de micoses invasivas, aplicando modelos de cultura celular em 3D para avaliar sua toxicidade. A tecnologia está alinhada ao futuro da ciência para reduzir o uso de animais em testes laboratoriais.

“Nosso grupo de pesquisa busca novos tratamentos para doenças graves causadas por fungos resistentes, como aspergilose e candidíase invasivas. Para isso, modificamos uma substância natural da planta Henna, adicionando um átomo de prata, o que aumenta sua atividade contra os microrganismos”, conta Bárbara. “Além disso, para garantir a segurança desse novo antifúngico, cultivamos células em três dimensões (3D) — um modelo alternativo que imita melhor o organismo humano para avaliar os efeitos da molécula no DNA e nas nossas células”, acrescenta.
“Não pude estar presente [na cerimônia], mas o prêmio foi recebido pela professora Andréia Fernandes (Ibrag), que me representou lindamente e também me ensinou muito da técnica”, destaca Bárbara. Para ela, receber um prêmio de uma grande empresa como o Grupo Boticário valida a aplicabilidade e o impacto da pesquisa feita na universidade pública, mostrando que os modelos alternativos que reduzem o uso de animais são o futuro inevitável da ciência.
“Enquanto mulher negra, pesquisadora e moradora de uma comunidade, ver um projeto conduzido majoritariamente por mulheres alcançar o topo é uma forma de inspirar futuras jovens cientistas, reafirmando que a ciência de excelência é, acima de tudo, uma ferramenta poderosa de transformação social”, finaliza.
