Pesquisa comprova tsunami na costa do Brasil

01/01/202009:00

Diretoria de Comunicação da UERJ

Pesquisadores da UERJ, liderados pelo professor Francisco Dourado (Centro de Pesquisas e Estudos sobre Desastres – CEPEDES), em parceria com pesquisadores portugueses, procuraram e encontraram evidências físicas da chegada de um tsunami nas praias da costa do Brasil em 1755, como resultado de um terremoto que atingiu Lisboa. A onda gigante atravessou o Atlântico e causou estragos na costa brasileira. Até então o fenômeno estava registrado apenas em manifestações artísticas e documentos históricos como livros, cartas e quadros da época. O estudo será submetido a próxima edição da revista científica internacional sobre desastres naturais,  Natural Hazards Journal.

O trabalho começou com o levantamento histórico do professor Alberto Veloso, da Universidade de Brasília (UnB), em seu livro “Tremeu a Europa e o Brasil também”. Ele é coautor da pequisa que é coordenada pelo CEPEDES/UERJ em parceria com a Universidade de Coimbra, Universidade de Lisboa, Instituto Dom Luiz e Instituto Português do Mar e da Atmosfera. “Trazer estas informações que estão muito longe da realidade do nosso dia a dia é um instrumento para atrair atenção para os desastres naturais no Brasil”, revela Dourado.

Ao todo, foram 270 quilômetros de trabalho de campo em 22 praias entre Rio Grande do Norte e o sul de Pernambuco, com quatro pontos de coleta de amostras. Mas a onda gigante atingiu toda a costa nordestina, com relatos de ter chegado também ao Rio de Janeiro, no sudeste do País.

“No material coletado, a gente vê elementos químicos que não eram pra ser encontrados ali. Eram pra ser encontrados em regiões com mais profundidade. Ou seja, algo trouxe aqueles elementos até ali. Da mesma forma, há vestígios de microanimais que não deveriam ser encontrados na praia”, explica.

Na região da praia de Lucena, na Paraíba, as ondas variaram entre 1,8 e 1,7 m de altura. Na região de Pitimbu, no mesmo estado, a altura das ondas ficou entre 1,5 e 1,1 m; na região pernambucana de Tamandaré, variou entre 1,9 e 1,8 m. As ondas não chegaram muito altas, mas o volume de água foi grande.

As ondas inundaram até 4 quilômetros distantes da linha de costa, principalmente em locais com influência de rios, nas proximidades da Ilha de Itamaracá (PE). Em Tamandaré a inundação foi de até 800 metros. Já em Lucena foi de aproximadamente 300 metros.

Além dos dois professores brasileiros e de Ana Cezario, mestranda brasileira, também participam da pesquisa os pesquisadores portugueses Pedro Costa, Maria Ana Baptista, Rachid Omira e Francisco Fatela.