Núcleo Perinatal do Hupe garante cuidado integral a mães e bebês que passam por gestação de risco

08/05/202208:24

Diretoria de Comunicação da UERJ

A maternidade tende a começar com preocupação para algumas mulheres, quando chega o diagnóstico de gravidez de risco. Mas os cuidados apropriados, do pré-natal ao nascimento, podem garantir a saúde da mamãe e do bebê. Essa é a missão do Núcleo Perinatal do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe-Uerj). Inaugurado em 2006, o serviço registra atualmente cerca de 230 novos atendimentos e 40 partos por mês. O acolhimento não se restringe a exames e consultas médicas: o bem-estar integral é o foco.

O Núcleo foi instalado em um prédio construído especialmente para ele, anexo ao Hupe, o que veio a destacar ainda mais a unidade, que já detinha, desde 1998, o título de Hospital Amigo da Criança, concedido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A conquista – pioneira entre hospitais universitários – ocorreu devido ao trabalho de estímulo ao aleitamento materno e ao sistema de alojamento conjunto que mantém mãe e filho juntos desde o parto até a alta.

Atendimento ao público

O serviço é gratuito e regulado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para obter atendimento, é necessário encaminhamento pelo Sistema de Regulação. Gestantes que apresentem gravidez considerada, pela avaliação médica, como de risco – casos de pacientes com doenças preexistentes, adolescentes ou em idade avançada, entre outros – poderão ser acompanhadas na maternidade. 

“É uma das únicas do estado prontas a atender gestação de alto risco com alto grau de complexidade, diz Nilson Ramires de Jesús, obstetra-chefe do Núcleo.

Doação de leite materno

Um dos ícones de destaque é o trabalho desenvolvido em prol do estímulo do aleitamento materno. O Banco de Leite promove regularmente uma série de cursos e rodas de conversa em torno do tema e recolhe doações para aquelas que não podem amamentar.

Uma equipe de enfermeiros e nutricionistas atende ao banco na avaliação do alimento, desde a ordenha até o uso. O leite doado é pasteurizado e armazenado no local. O que não é consumido na própria unidade é direcionado a outras instituições públicas da capital fluminense.

Ampliando o cuidado

 

Pensando em reduzir o estresse e aproximar mães e seus futuros filhos, a equipe multidisciplinar do núcleo realizou, nos dias 3 e 5 de maio, a oficina Como pintar barriga. “Nós usamos a ultrassonografia como base para desenhar o bebê na mesma posição que ele está no ventre”, explicou a enfermeira Abilene Gouvêa, coordenadora da atividade e do Banco de Leite da unidade.

“Estamos aqui ensinando, de forma lúdica, as manobras de Leopold [técnica de palpação para se determinar a posição do feto dentro do útero], além de propormos outras questões importantes de acolhimento a essas gestantes”, reforçou Ricardo Mouta, professor da Faculdade de Enfermagem da Uerj e coordenador do Programa de Residência em Enfermagem Obstétrica da Uerj.

O Núcleo Perinatal também tem reativado importantes projetos, como o Cegonha Carioca (originário da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro – SMS-Rio), cujos princípios são humanizar e garantir o melhor cuidado para mãe e para o bebê. “Oficinas como essa têm uma grande importância para as gestantes internadas, trazendo um alívio para a ansiedade nesse importante momento de vida de cada uma delas”, acrescentou Ana Rita Martello, técnica de Enfermagem da unidade.

Dois lados, a mesma emoção

Hoje enfermeira obstetra do Núcleo Perinatal, Patrícia Salles teve oportunidade de vivenciar o outro lado há três anos, como gestante. Ela garante que é uma experiência valiosa, tanto de percepção da gravidez, como de união com os familiares, muitos deles presentes nas oficinas.

Integrante da SMS-Rio e também do corpo de preceptoria da Residência de Enfermagem do Hupe-Uerj, Patrícia ressalta que a ação se expande para além das paredes do local. “É muito importante realizarmos esse treinamento de pintura de barriga com nossas residentes, pois elas estão presentes em diversas maternidades da cidade do Rio de Janeiro. Assim, o aprendizado acaba sendo levado a outras unidades de saúde, beneficiando mais mulheres”.

Os profissionais envolvidos destacam que oficinas como essa fortalecem a interface academia/pós-graduação/extensão, possibilitando a oferta de uma assistência cada vez mais qualificada a mães e bebês.

Ao final do segundo dia, Pâmela Afonso, 27 anos, uma das grávidas que tiveram sua barriga pintada, fez questão de frisar: “É muito gratificante, me senti muito bem amparada, cuidada, confiante. Aproveito para desejar um dia bem feliz a todas as mães”, declarou ela, em sua quarta gestação, à espera de Pedro.

Uma nova edição da atividade está prevista para o início de junho.

(Com Coordenadoria de Comunicação Social do Hupe/ComHupe)