Estudo apresenta perspectivas promissoras para melhorar a comunicação de crianças com autismo

19/07/202215:10

Diretoria de Comunicação da UERJ

As novas tecnologias podem ser aliadas fundamentais no desenvolvimento de um programa de Comunicação Alternativa, para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que apresentem dificuldades de comunicação e linguagem. Ainda em fase de teste, o sistema com Dispositivos Geradores de Fala (DGF) já demonstra resultados positivos, como o aumento de vocabulário e melhora no diálogo do paciente com seus familiares. A responsável pelo projeto é a professora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Catia de Figueiredo Walter.

Em 2019, a pesquisadora estudou os DGF, durante sete meses, na University of Central Florida, em Orlando, como bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Ao retornar para o Brasil, sentiu a necessidade de verificar os efeitos da tecnologia na comunicação de crianças com TEA e criou o projeto “Vamos Conversar”, contemplado em 2021 pelo edital “Cientista do Nosso Estado”, da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). 

Com o apoio da Uerj, Catia Walter iniciou o estudo com uma criança de seis anos de idade. As atividades são desenvolvidas por três profissionais que realizam atendimentos semanais na residência do paciente, onde ele pode interagir com seus familiares e gerar dados que posteriormente serão analisados em categorias, para verificar os níveis de suporte e independência do uso dos DGF na comunicação.

Já foram realizados testes com acompanhamento de uma fonoaudióloga e, no momento, uma segunda terapeuta atua com a criança em atividades lúdicas e de aprendizagem. “Nossa expectativa é garantir que muitas pessoas consigam interagir melhor com seus pares, familiares, terapeutas e professores, nos diferentes contextos”, afirma Catia.

O projeto já traz resultados animadores. Por meio do uso de tablets, que possuem aplicativos educativos com sistema de imagem e voz, a criança autista tem em mãos ferramentas que contribuem para melhorar a forma como se expressa. O processo utiliza a digitalização do discurso para gerar cartões com imagens ou fotos selecionadas pelo usuário, permitindo assim uma comunicação mais efetiva.

A fonoaudióloga Letícia Gonçalves percebe grande evolução em seu paciente. “O dispositivo ajuda a aumentar o vocabulário, desenvolver uma fala funcional e uma interação comunicativa. Muitas vezes essa criança ficava numa palavra só, ela não falava ‘eu quero água’, e hoje consegue expressar através da fala o que deseja e o que sente”, explicou Letícia.

A pandemia limitou o trabalho, mas a ideia agora é expandir o projeto para mais crianças e também para jovens e adultos. Com a finalização do estudo na residência da primeira criança, a tecnologia poderá ser replicada em outros contextos, como escolas públicas do Rio de Janeiro. Catia lembra que, para isso, será necessário também apoio tecnológico, como a doação de tablets usados.

A professora acrescenta que, mesmo em fase inicial no Brasil, o projeto traz prognósticos excelentes, com grande transformação na realidade da criança estudada e de seus familiares. “Os impactos descritos na literatura estrangeira têm mostrado um caminho promissor para pessoas com TEA que necessitam acessar a Comunicação Alternativa desde os primeiros anos de vida”, conclui.