Eleições municipais 2020: pesquisa da Uerj aponta desequilíbrios de gênero e raça em diversas capitais

26/11/202013:31

Diretoria de Comunicação da UERJ

O Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (Gemaa), vinculado ao Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp-Uerj), comprovou por meio de estudo a desproporção racial e de gênero presente nas eleições 2020 – no próximo dia 29, ainda haverá segundo turno em diversos municípios. A pesquisa de acompanhamento da divisão racial das candidaturas a vereador e prefeito revelou desigualdade expressiva entre negros e brancos, em várias cidades do país.

O estudo tem como foco 11 capitais brasileiras, distribuídas em todas as regiões: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Cuiabá, Goiânia, Belém, Salvador, Recife, Fortaleza. João Feres Júnior, coordenador do Gemaa, avaliou os números. “A desigualdade nos resultados é gritante e pode ser constatada de várias maneiras. Por exemplo, pelo fato de não haver sequer um preto entre prefeitos eleitos ou candidatos que passaram para o segundo turno. Há somente dois pardos, uma proporção diminuta em relação à população de pretos e pardos no país, que gira em torno de 56%”, revelou.

Gráfico sobre prefeitos por raça

O mesmo aconteceu em relação às mulheres que disputaram as prefeituras nas capitais pesquisadas. Nenhuma candidata foi eleita prefeita em primeira votação e somente duas passaram para o segundo turno. Embora sejam maioria na população brasileira, as mulheres estão em número muito menor na disputa pela administração dos municípios.

A pesquisa também analisou o Índice de Inclusão Racial, que é calculado dividindo-se a proporção de autodeclarados pretos e pardos eleitos pela proporção de pretos e pardos na população da capital em questão. No pleito para vereador, Cuiabá destacou-se como a mais inclusiva e três outras capitais – Fortaleza, Salvador e Goiânia – também atingem uma marca alta.

Gráfico prefeitos por gênero

Já na faixa intermediária, situam-se as três maiores cidades do país e outras capitais importantes como Belém, Porto Alegre e Recife. Neste grupo, o Rio de Janeiro é a mais inclusiva e São Paulo, a maior metrópole brasileira, detém o pior índice. No quadro geral do país, porém, o destaque negativo ficou com Curitiba, demograficamente a mais branca entre essas capitais e também a mais excludente, em relação ao sucesso eleitoral de candidatos negros.

Quanto às mulheres, estão ainda menos representadas do que os negros, entre os novos vereadores. “Nossa análise preliminar mostra a persistência de fortes desigualdades de raça e gênero na política das principais cidades do país”, concluiu o professor João Feres.

Conheça os resultados da pesquisa sobre o primeiro turno.