Uerj realiza pesquisa sobre condições de trabalho e saúde mental de categorias profissionais no estado do Rio de Janeiro

19/11/202516:14

Diretoria de Comunicação da Uerj
Representandes das entidades de classe e da Uerj participaram do lançamento da pesquisa no Auditório da Reitoria, campus Maracanã

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em parceria com sindicatos e instituições públicas, deu início a uma pesquisa sobre as condições de trabalho e saúde mental de quatro categorias profissionais no estado do Rio de Janeiro: bancários, operadores de telemarketing, técnicos de enfermagem e agentes da Polícia Militar. O estudo, conduzido pelo Instituto de Medicina Social (IMS) da Uerj, com financiamento da Secretaria da Casa Civil do Governo do Estado, tem como objetivo compreender a influência de fatores laborais — como carga horária, metas, assédio, suporte social e controle —, no estado psicológico e físico dos trabalhadores.

A primeira fase da pesquisa, de abordagem quantitativa, será realizada entre 17 e 30 de novembro. Os dados serão coletados a partir do preenchimento de 16 mil questionários, quatro mil de cada categoria, que serão acessados por meio de um link, com garantia total de anonimato e confidencialidade.

Na segunda fase, qualitativa, serão realizadas entrevistas semiestruturadas remotas, para aprofundar questões sobre as condições de trabalho e saúde mental, riscos psicossociais, transtornos mentais e uso de substâncias. Para complementar os dados, os participantes serão observados em ambientes de trabalho selecionados, para que sejam compreendidas as dinâmicas laborais, interações e condições ergonômicas.

Parceria entre Universidade, Governo e instituições de classe

No dia 6 de novembro, no auditório da reitoria da Uerj, o projeto foi apresentado para lideranças de entidades representativas das categorias-chave que serão foco da pesquisa: Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), Conselho Regional de Enfermagem (Coren-RJ), Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações do Estado do Rio de Janeiro (Sinttel Rio) e os sindicatos dos bancários do Rio de Janeiro, Niterói e Baixada Fluminense.

Na abertura do encontro, a reitora Gulnar Azevedo e Silva reafirmou o compromisso institucional da Universidade com a promoção da saúde mental e a valorização do trabalho. “A Uerj tem construído, desde o ano passado, uma política ampla de saúde mental, voltada à escuta, acolhimento e orientação. Projetos como este ampliam nossa atuação e fortalecem o papel da universidade pública na formulação de soluções para problemas sociais complexos”, destacou.

Pesquisadores do IMS Mario Dal Poz e Alexandre Cardoso apresentam estudo

O diretor do IMS, professor Mario Dal Poz, destacou o caráter inovador e socialmente relevante da iniciativa. “A pesquisa pretende preencher uma lacuna de informações sobre as condições de saúde mental no ambiente de trabalho, especialmente no estado do Rio de Janeiro. Nosso objetivo é produzir conhecimento científico que subsidie políticas públicas e medidas de prevenção. O anonimato dos participantes está assegurado, garantindo a confidencialidade das respostas e a confiança dos profissionais envolvidos”, afirmou.

Já o pesquisador do IMS e idealizador da proposta, professor Alexandre Cardoso, ressaltou a importância da cooperação entre a Universidade, o Governo e entidades representativas. “Essa pesquisa nasceu da observação cotidiana de profissionais exaustos, muitos deles fazendo uso de medicamentos para lidar com a pressão. O estudo é um passo para compreender e enfrentar essa realidade com base em evidências”, explicou. 

Atividades distintas, sofrimento comum

Entre os representantes das instituições presentes, o aumento do estresse, a sobrecarga de trabalho e as pressões laborais, agravadas pela insegurança, metas excessivas e, em alguns casos, a falta de suporte institucional, foram os principais fatores citados como causadores de adoecimento dos trabalhadores. Como agravante, o receio da exposição, que pode criar estigmas e preconceito, leva muitos profissionais à automedicação e ao silêncio sobre o sofrimento psíquico. Para os representantes das entidades, a parceria com a Uerj representa uma oportunidade de produzir dados científicos que subsidiem políticas públicas e práticas de gestão mais humanas, fortalecendo o bem-estar dos trabalhadores e a qualidade dos serviços prestados à população.

Fotos: George Magaraia