Uerj participa de projeto inovador de monitoramento marinho com pesquisadores de várias instituições

08/04/202115:38

Diretoria de Comunicação da UERJ

O derramamento de óleo que atingiu dois mil quilômetros de extensão do litoral do Brasil em 2019 se tornou pauta para diversas pesquisas. Entre elas, o estudo que a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e outras instituições brasileiras vão realizar sobre o vazamento de petróleo nos ecossistemas terrestres e aquáticos do Rio de Janeiro, nos últimos 20 anos. Esse período servirá de referência para estabelecer formas de prevenção e solução para futuros derramamentos, buscando evitar a morte da fauna e flora marinhas, além de prejuízos para o turismo e pesca. A pesquisa terá duração de dois anos, mas a previsão é que os impactos positivos repercutam por muito mais tempo.

Os professores da Faculdade de Oceanografia (FAOC) da Uerj que estarão à frente da proposta são Mário Soares e Filipe Chaves, do Núcleo de Estudos em Manguezais (Nema), e as professoras Cláudia Hamacher e Cássia Farias, do Laboratório de Geoquímica Orgânica Marinha (Lagom). Esses grupos já atuam no tema da contaminação e impactos de petróleo há mais de duas décadas, em momentos críticos como os que ocorreram na Baía de Guanabara no ano 2000 e na costa brasileira, em 2019. O projeto permitirá também a participação de estudantes de graduação, mestrado e doutorado, contribuindo para a formação de novos profissionais e jovens pesquisadores.

Professor Mário Soares em trabalho de campo

Para o professor Mário Soares, este é um estudo de grande importância. “Estamos nos referindo ao estado do Rio de Janeiro, responsável por cerca de 78% da produção nacional de petróleo, que aqui ocorre exclusivamente no ambiente marinho e, portanto, mais sujeita aos derramamentos durante as diversas etapas da cadeia produtiva, como exploração, produção, transporte e armazenamento. A abordagem incluirá diferentes aspectos, tanto no que se refere à probabilidade de determinado ponto da costa ser atingido por vazamento de óleo, ao histórico de contaminação de organismos e ecossistemas nos últimos 20 anos, além de seus impactos socioeconômicos”, explica. 

O projeto, que foi selecionado para receber o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), reunirá pela primeira vez uma ampla rede formada por Uerj, Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). Também participam três instituições de ciência e tecnologia da Marinha do Brasil (Ieamp, IPqM e Casnav) e duas outras organizações militares ligadas à preservação ambiental (DGePM e DPC), também da Marinha, além das empresas OceanPact e Prooceano, que agregam valor de inovação à proposta.

Segundo Soares, a participação desses grupos de pesquisa também trará novas oportunidades para a Uerj, tendo em vista o forte caráter de inovação do projeto: serão pesquisas de ponta, com o desenvolvimento de novos métodos de análise e abordagem do tema. “Será possível reformular as estratégias de monitoramento e avaliação de impactos ambientais, aplicando-se protocolos modernos com foco na prevenção e controle, para desenvolver um Plano de Contingência Estadual”, conclui.