Diretoria de Comunicação da Uerj

No dia 27 de janeiro, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e o Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), da França, assinaram um acordo que oficializa a criação do Laboratório Internacional de Pesquisa em Eutrofização Marinha (IRL-Marel). A cerimônia foi realizada no auditório do Núcleo de Estudos em Biomassa e Gerenciamento de Águas, situado no campus Praia Vermelha da UFF, em Niterói.
Segundo a codiretora do laboratório, Gleyci Moser, professora da Faculdade de Oceonografia (Faoc) da Uerj, o novo laboratório consolida uma colaboração científica franco-brasileira iniciada há cerca de duas décadas, dedicada ao estudo dos impactos da eutrofização em ecossistemas marinhos tropicais. “A criação do IRL-Marel responde a um desafio ambiental crescente: a rápida expansão de grandes aglomerações urbanas ao longo das zonas costeiras tropicais, frequentemente associada a baixos índices de tratamento de esgoto”, detalha.
“Esse cenário resulta em descargas maciças de matéria orgânica e nutrientes — especialmente nitrogênio e fósforo — que alteram profundamente o funcionamento biogeoquímico e ecológico dos ambientes aquáticos, comprometendo serviços ecossistêmicos essenciais à sociedade. Entre os principais efeitos desse processo está o aumento da produção algal, incluindo a ocorrência de florações de algas potencialmente tóxicas”, ressalta Gleyci.
Laboratório estratégico para o estudo da eutrofização marinha
O objetivo do IRL-Marel é estruturar e integrar pesquisas em ecologia e biogeoquímica marinha a partir de três eixos transdisciplinares: a propagação da eutrofização na interface continente-oceano, combinando campanhas oceanográficas, análise e calibração de imagens de satélite e modelagem acoplada entre hidrodinâmica e biogeoquímica; as respostas dos ecossistemas de manguezais à eutrofização, com ênfase na vulnerabilidade do carbono estocado em seus solos diante do aumento do aporte de nutrientes; e as transformações nas comunidades biológicas, incluindo as condições de surgimento de florações algais tóxicas e alterações fisiológicas ou morfológicas em organismos utilizados como bioindicadores.
Sediado nas dependências da Uerj e da UFF, o laboratório contará inicialmente com uma equipe de cinco pesquisadores. O diretor é o pesquisador do CNRS, Gwenäel Abril, tendo ainda como codiretores Gleyci Moser, da Uerj, e Marcelo Bernardes, coordenador do Programa de Geoquímica, da UFF. O pesquisador Wilson Valle Machado também integra o grupo.

“Enquanto pesquisadores independentes, temos fomento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e também do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Inclusive, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e o Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil (Capes/Cofecub) têm feito muito pela mobilidade dos estudantes França-Brasil desde 2023”, conta Gleyci.
Com sua diversidade de lagunas, baías e estuários e uma população de aproximadamente 18 milhões de habitantes, a região metropolitana do Rio de Janeiro constitui um laboratório natural estratégico para o estudo da eutrofização marinha em diferentes escalas espaciais e temporais. O IRL-Marel também prevê estudos comparativos com outras regiões tropicais, como a Guiana Francesa e o Vietnã, contribuindo para o desenvolvimento de modelos conceituais e numéricos capazes de apoiar políticas públicas e ações prioritárias de gestão ambiental em ambientes costeiros tropicais.
A mesa da solenidade contou com a presença do reitor da UFF, professor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega; do presidente do CNRS, Antoine Petit; do representante do Consulado Francês, Vincent Brignol; e do delegado científico de Ecologia e Meio Ambiente do CNRS, Gilles Pinay e da reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva, que enfatizou a importância do acordo para o combate dos problemas ambientais decorrentes das mudanças climáticas e gerenciamento das águas. “Tenho certeza de que a parceria entre a Uerj, a UFF e o CNRS potencializará o avanço das pesquisas na busca por soluções sustentáveis nessa área”, frisou.
Também estiveram presentes dirigentes e pesquisadores das instituições, como os representantes da Uerj, Elizabeth Macedo, pró-reitora de Pós-graduação e Pesquisa, Mônica Heilbron, diretora de Cooperação Internacional (Dircint), Alessandro Filippo, diretor da Faoc, Alexandre Macedo Fernandes, professor e pesquisador da Faoc; além de alunos e funcionários da Universidade.
Visita a laboratórios da Uerj
No dia 23 de janeiro, a Dircint recebeu autoridades do CNRS para uma apresentação sobre convênios com demais instituições internacionais, visando à ampliação de projetos de cooperação em virtude da consolidação das atividades de ensino, pesquisa e extensão.

A professora Gleyci Moser acompanhou a adida de Relações Internacionais do CNRS Ecologia, Eudora Berniolles, e o delegado científico de Ecologia e Meio Ambiente do CNRS, Gilles Pinay, em visitação aos laboratórios de Ecologia e Cultivo do Fitoplancton Marinho, (Labcult), Oceanografia Física e Metereologia (Labofis), Oceanografia Química (Laboqui), Ecologia e Fisiologia do Fitoplâncton (Labalgas) e, por último, ao Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores Profª Izabel M. G. do N. Gurgel (Maqua).
Fotos: George Magaraia