Projeto Integra Uerj vai atualizar Política de Inovação, reunindo metodologias de diversas áreas do conhecimento

15/07/202210:31

Diretoria de Comunicação da UERJ

A nova política de inovação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) já está tomando forma. Em encontro no dia 6 de julho no auditório da Reitoria, os professores que comandam as cinco células do projeto “Integra Uerj” apresentaram as metodologias e estudos de caso que estão desenvolvendo nas áreas de Meio Ambiente, Saúde, Educação, Tecnologia e Empreendedorismo / Legislação. Os resultados serão compilados em um documento que seguirá para aprovação no Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Csepe) em 2023.

O projeto da Uerj, coordenado pela diretora do Departamento de Inovação (InovUerj), Marinilza Bruno de Carvalho, foi um dos 21 contemplados no Edital 24/2021 da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), que estabeleceu o Programa de Apoio a Ações Integradas de Inovação em Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) Fluminenses. De acordo com o diretor de Tecnologia da instituição, Mauricio Guedes, as condições estipuladas foram inéditas. “Esse edital é diferente porque definiu que cada universidade apresentasse uma única proposta, justamente para incentivar a prática da política de inovação, o que foi um grande desafio para a maioria, porque não costumam existir ações integradas nesse sentido”, afirmou.

Guedes acrescentou que a EC 85/2015 incluiu na Constituição Federal a promoção da inovação como dever do Estado e que lei federal determinou a obrigatoriedade de as ICTs instituírem políticas sobre o tema. Mas, segundo o diretor, até hoje não houve, por parte dos governos, um programa de apoio para sua implementação. Daí a relevância do edital.

O reitor Mario Carneiro recomendou que dois pontos fossem incrementados: as empresas juniores e a incubação de empresas. “É importante para os nossos alunos viverem essa experiência, porque se tornam mais qualificados para o mercado de trabalho”.

Aproveitamento da água da chuva e da luz solar

O projeto Integra Uerj tem em sua metodologia cinco células. A de Meio Ambiente tem o objetivo de promover a segurança hídrica e energética na Uerj e em comunidades urbanas. Para racionalização no uso dos recursos, vão ser instalados reservatórios de água pluvial e painéis solares junto ao Restaurante Universitário (RU), no campus Maracanã. Além disso, também estão previstas oficinas de capacitação sobre o tema para o público em geral.

Serão 10 reservatórios, com capacidade total de 110 mil litros, que armazenarão a água não potável, destinada à descarga nos vasos sanitários dos banheiros, lavagem de piso e irrigação. Os primeiros já chegaram ao local. Confira o vídeo.

Sobre o telhado, dois módulos, com 72 placas voltaicas cada, vão possibilitar geração média de 3.700 kWh por mês, o equivalente ao consumo mensal de seis residências. Calcula-se economia anual de aproximadamente R$ 34 mil.

“Estamos propondo uma metodologia para integrar água, energia e alimento, conhecida na literatura como WEF (Water-energy-food nexus), para tornar a produção no RU mais sustentável”, explica o coordenador Alfredo Akira, professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Meio Ambiente (Desma) da Faculdade de Engenharia. O planejamento está sendo feito em conjunto com o Instituto de Nutrição.

Outras unidades também estão envolvidas no projeto. Como o prédio abriga o ginásio poliesportivo e o centro cultural, o Instituto de Educação Física e Desportos e o Instituto de Artes têm participado das reuniões. E a Prefeitura dos Campi dá o suporte para todas as adaptações físicas necessárias.

Tecnologias 3D aplicadas à Saúde

A área de Saúde vai se concentrar na tecnologia tridimensional, desde a modelagem computacional até a imersão virtual pela realidade aumentada e a impressão de modelos para uso cirúrgico. O laboratório Saúde 3D começou a ser montado dentro do Centro de Pesquisa Multiusuário (CePeM) do Hospital Universitário Pedro Ernesto. E o primeiro teste, com protótipo específico para um caso de tumor ósseo, já está em andamento.

A impressão 3D permite a confecção de objetos customizados e a produção em pequena escala. Por um lado, isso possibilita a criação de próteses mais adequadas ao paciente e, por outro, de modelos para visualização mais precisos, levando a melhor planejamento e redução do tempo de cirurgias.

A vice-diretora da Faculdade de Ciências Médicas, Alexandra Monteiro, destaca a importância do caráter multidisciplinar da iniciativa. “Eu não tenho como modelar virtualmente sem que esteja com alguém do Desenho Industrial, da Informática, da Computação. Então, essa é uma grande oportunidade de integração para a instituição”, afirma a professora, que divide a coordenação da célula com a diretora do Instituto de Biologia Roberto Alcantara Gomes, Norma Albarello.

O laboratório terá a missão de facilitar o acesso às novas tecnologias, garantindo a formação dos estudantes de graduação e pós-graduação e a atualização dos profissionais. “Queremos que alunos, professores e trabalhadores da saúde em geral absorvam esse conhecimento e o multipliquem, não só para a comunidade interna, como para a externa, porque a Uerj é muito maior que o espaço físico”, complementa a coordenadora.

Capacitação para empreender

A célula de Educação propõe quatro ações para diferentes segmentos da Universidade. “Vamos abranger desde aqueles que não têm nenhum conhecimento sobre empreendedorismo e inovação até aqueles que já usam essas ferramentas”, conta Maria Isabel de Castro de Souza, professora da Faculdade de Odontologia e coordenadora do grupo.

A primeira ação é a capacitação, com oferta de um curso intensivo para alunos e servidores, com início no mês de agosto. A segunda envolve o desenvolvimento de uma plataforma virtual, que será uma vitrine de divulgação dos projetos de inovação da Uerj e, ao mesmo tempo, escritório virtual para consultoria. O lançamento ocorrerá em dezembro. “Para esse conteúdo, estamos trabalhando com uma empresa contratada, mas também com duas empresas juniores. A ideia é que elas conheçam de perto o mercado”, explica Maria Isabel.

A terceira vertente do projeto é o FabUerj, ambiente em que se pretende conjugar o referencial teórico com a liberdade de criação. A Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi) e a Faculdade de Tecnologia (FAT) – Resende vão abrigar os dois primeiros laboratórios de protótipos.

E ainda tem maratona tecnológica! O evento on-line, previsto para outubro, vai focar o tema Meio Ambiente, relacionando pontos da Agenda 2030. “O objetivo do hackathon é que as equipes pensem formas de impactar a sociedade – ações daqui de dentro que também transportamos para o ambiente externo, dentro da nossa missão como universidade”, conclui a coordenadora.

Criação de sistemas personalizados

Já a proposta da célula de Tecnologia é implementar uma software house, a fim de desenvolver sistemas próprios para a Universidade e entidades externas. A Faculdade de Engenharia (FEN), o Instituto de Matemática e Estatística (IME) e a Diretoria de Informática (Dinfo), além do InovUerj, participam da ação.

O projeto-piloto da Casa de Software reuniu oito servidores, que foram capacitados e entregaram o primeiro resultado: um sistema para cadastramento de UDTs para o projeto Qualitec. “A gente queria fazer um pequeno teste antes de envolver grupos e recursos maiores. Agora entramos na segunda fase e vamos divulgar o formulário para que os interessados se inscrevam”, diz o coordenador Jorge Luís Amaral, da Faculdade de Engenharia. A meta é capacitar, até 2023, duas turmas de 60 pessoas.

A metodologia foi pensada para garantir a formação continuada. “Você só mantém a Casa de Software se tiver um efeito multiplicador. Então quem foi capacitado agora é multiplicador para servidores ou estagiários que chegarem futuramente”, explica o professor.

Após a formação da primeira turma, será montado um portfolio a partir de cases escolhidos dentro da Universidade. O modelo de negócios interno pretende favorecer a inovação Technology-push (“empurrada” pela tecnologia), com soluções desenvolvidas a partir de pesquisa interna. Já o externo vai privilegiar o Market-pull (“puxado” pelo mercado”), isto é o processo de desenvolvimento impulsionado pelas demandas. 

Documento Único

Coordenadores de células
Equipe do Integra Uerj com o reitor Mario Carneiro e os diretores da Faperj Mauricio Guedes e Eliete Bouskela

A célula Empreendedorismo, Inovação e Legislação será responsável por editar o livro que apresentará a Política de Inovação da Uerj Versão 2023. Em um texto único, estarão as análises das cinco áreas abrangidas, além do detalhamento dos instrumentos jurídicos que regem o tema, organizado com a orientação da Procuradoria Geral (PGUerj). Os resultados dos estudos de caso serão formatados em cinco e-books.

“Não existe hoje um documento que eu possa entregar dizendo que é a Política de Inovação da Uerj. Foram sendo feitas diversas atualizações ao longo dos anos. Então vamos reunir todas essas “emendas”, agregando metodologias que permitam contribuir, promover e acelerar ideias, projetos e ações inovadoras”, afirma a diretora do InovUerj e coordenadora da célula, Marinilza Bruno de Carvalho.

As ações de inovação na Uerj começaram em 1992 e ganharam força no ano 2000, com a criação do Programa de Propriedade Intelectual. Em 2012, este foi ampliado, sendo substituído pelo InovUerj. De lá para cá, os frutos foram numerosos: 242 ativos intelectuais, 37 acordos e parcerias, 162 programas de pós-graduação com disciplinas inovadoras e de empreendedorismo, 282 laboratórios desenvolvendo pesquisa e inovação, 13 empresas juniores e 5 incubadoras.