Pesquisas em petróleo, gás e mineração ganham impulso com ferramentas de sensoriamento remoto aplicado

20/02/202016:02

Diretoria de Comunicação da UERJ

Com a recente inauguração do Laboratório de Sensoriamento Remoto Aplicado (Lars), a Faculdade de Geologia da Uerj dá um importante passo para o desenvolvimento de estudos avançados em imageamento de superfície e subsuperfície da Terra. Equipado com hardware e software modernos, o laboratório possibilitará desenvolver métodos e tecnologias de imageamento aplicados à exploração sustentável dos recursos minerais energéticos (petróleo e gás) e monitoramento do ambiente.

Coordenado pelo professor Enrico Pedroso, o novo laboratório foi concebido para dar suporte ao monitoramento via satélite da indústria nacional do petróleo e gás, por meio do Projeto MultiSAR. Desenvolvido pela Uerj, em parceria com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Agência Espacial Brasileira (AEB), o projeto prevê a implantação de infraestrutura para a recepção, processamento e interpretação de imagens de alta resolução a partir de múltiplos satélites. Os dados de sensoriamento remoto de alta resolução, a partir de sistemas de observação da Terra, são indispensáveis ao monitoramento do pré-sal e de atividades relacionadas à indústria do petróleo em ambiente continental e demais regiões da Zona Econômica Exclusiva (ZEE), além do acompanhamento preventivo da movimentação da superfície do solo em áreas sob a influência da malha nacional de dutos suscetíveis à ocorrência de desastres naturais e/ou emergências ambientais.

Um exemplo da aplicação prática do novo laboratório foi o curso de extensão “Treinamento em Ferramenta Geoexploratória na Área de Petróleo e Gás”, iniciado já no mesmo dia da inauguração do Lars, em 11 de fevereiro. A partir da parceria com a empresa IHS Markit – líder mundial na área de dados e serviços relacionados à indústria do petróleo –, o primeiro módulo do treinamento do software Kingdom foi oferecido gratuitamente a dez alunos de graduação e pós-graduação, pré-selecionados a partir de uma rigorosa análise curricular.

“O Kingdom é uma ferramenta largamente utilizada pelos profissionais de petróleo que ingressam no mercado de trabalho e, com esta parceria, conseguimos oferecê-la de forma gratuita aos nossos alunos, algo inédito na América do Sul. Assim, poderemos capacitá-los para o desenvolvimento de estudos e projetos na área de petróleo e gás”, ressaltou Enrico Pedroso, que também coordena a área de Projetos Especiais da ANP.

A prospecção geológica na área de petróleo e gás baseia-se principalmente em um processo de imageamento do subsolo para o mapeamento de áreas com potencial para acumulações comerciais de hidrocarbonetos. Este diagnóstico por imagens permite um melhor entendimento geológico e dá subsídios necessários para a definição de locais mais favoráveis para futuras sondagens. “A capacitação no Kingdom consiste em uma estratégia que colocará os projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em posição de destaque e possibilitará o enriquecimento profissional dos alunos que pretendem atuar na interpretação geológica utilizando dados sísmicos. É um treinamento corporativo, avançado e caro para que os profissionais dessa área já cheguem capacitados ao mercado de trabalho”, explicou Ciro Jorge Appi, professor visitante da Faculdade de Geologia da Uerj.


Capacitação

O curso “Treinamento em Ferramenta Geoexploratória na Área de Petróleo e Gás” aconteceu nos dias 11, 12 e 13 de fevereiro e, segundo os alunos, foi uma oportunidade única para cada um deles. “É um curso muito atual e que dialoga com o mercado de trabalho. Tenho certeza de que nos ajudará a conseguir de forma mais fácil uma boa colocação, quando formos ingressar no meio profissional”, afirmou Allan Salles, estudante do 6º período.

“É desafiador, estimulante, poder participar de um treinamento desse nível ainda na graduação. Estamos todos muito felizes com essa oportunidade”, disse Larissa Reis, aluna do 7º período. Já mais perto de se formar, Elaine Batista Gonçalves, do 10º período, resumiu bem o sentimento de todos: “A gente sabe que ter acesso a esse curso é algo muito, muito difícil. Por isso, temos que aproveitar e aprender cada detalhe”.

Ainda não há data marcada, mas a intenção é de que já no segundo semestre seja ministrado o Módulo Intermediário do curso. Até o fim do ano, deve acontecer também a implementação do curso de pós-graduação lato sensu em Tecnologias Geoexploratórias Aplicadas. “A intenção é aproximar a Universidade da indústria. Com o Lars e a pós-graduação, que esperamos ver implementada em breve, a Faculdade de Geologia da Uerj vai consolidar ainda mais o tripé ensino-pesquisa-extensão, capacitando nossos alunos e reciclando profissionais que atuam na exploração sustentável de recursos minerais”, afirmou Enrico Pedroso.