No Dia Mundial Contra a Hanseníase, um alerta por mais informação e menos preconceito e estigma

30/01/202200:06

Diretoria de Comunicação da UERJ

Estigma é uma palavra que tem origem na Grécia antiga, usada como referência a marcas no corpo. Uma pessoa estigmatizada deveria ser mantida isolada. Era o que acontecia com quem apresentava hanseníase – antes chamada de lepra -, doença que ultrapassou séculos cercada de mitos, gerados pelo desconhecimento sobre sua transmissão e cura. Infelizmente, ainda hoje isso ocorre e o paciente muitas vezes suporta uma carga de preconceitos que pode resultar em seu isolamento da sociedade.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2020 foram reportados 127.396 novos casos de hanseníase no mundo. Destes, 17.979 – cerca de 14% – ocorreram no Brasil, o que coloca o país como o segundo em número de casos da doença, atrás apenas da Índia. 

Para interromper sua cadeia de transmissão e acabar com o estigma, em 2016 foi estabelecido no Brasil o Janeiro Roxo, quando ocorrem campanhas para destacar a conscientização sobre a hanseníase. Em especial, o último domingo do mês concentra o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase e o Dia Mundial Contra a Hanseníase – data criada em 1954 pelo jornalista e ativista francês Raoul Follereau, com o objetivo de defender a igualdade de tratamento para os portadores e esclarecer o público. Afinal, até a década de 1970, os doentes eram confinados em colônias.

“Em suas formas iniciais, a hanseníase costuma apresentar manchas de coloração um pouco mais clara que a da pele do paciente, e também avermelhadas ou com tom castanho. Essas lesões são indolores e podem provocar alteração de sensibilidade, perda de pelos e ausência de transpiração no local”, explica a médica Erica Rey, do Serviço de Dermatologia do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) da Uerj.

A hanseníase é provocada pelo Mycobacterium leprae, ou bacilo de Hansen, em homenagem ao médico norueguês Gerhard Hansen, que descobriu a bactéria em 1873. A principal via de transmissão é o contato próximo e prolongado por meio da fala, tosse ou espirro de pessoas doentes que não estejam em tratamento. Por outro lado, é importante saber que a hanseníase não é transmitida por apertos de mão, abraços, beijos ou relações sexuais, nem por compartilhar talheres, copos, pratos, roupas, alimentos ou usar a mesma piscina. Animais não a transmitem./

Se não for tratada, pode resultar na incapacidade de movimentos, criar deformidades e queimaduras, porque não se sente calor ou frio no local afetado. “Essas sequelas são as principais responsáveis pelo estigma e preconceito em torno da doença e que impactam na qualidade de vida do paciente”, acrescenta Rey.

Como a hanseníase afeta a pele e os nervos periféricos – que conectam a cabeça, a face, os olhos, o nariz, os músculos e os ouvidos ao cérebro -, o diagnóstico é feito por exames dermatológicos e neurológicos. E quanto mais cedo, melhor. No Hupe, o paciente encontra atendimento especializado.

“O tratamento é gratuito, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e possui duração média de seis meses a um ano, podendo se estender em alguns casos específicos”, diz Erica Rey. Ela destaca que, após começar a ser tratado, o paciente deixa de transmitir a doença.

O Janeiro Roxo está chegando ao fim, mas não a importância de se informar, lutar por políticas públicas de prevenção e tratamento. Hanseníase tem cura. Preconceito também.