Mulheres, cientistas e laureadas: pesquisadoras da Uerj se destacam no Prêmio Capes de Tese 2021

26/10/202118:38

Diretoria de Comunicação da UERJ

No Mês Nacional da Ciência, Tecnologia e Inovação, a Uerj celebra a presença e o papel da mulher na pesquisa com as conquistas de alunas egressas de seus programas de pós-graduação e suas orientadoras, que figuram entre os vencedores da primeira etapa do 16º Prêmio Capes de Tese. O resultado divulgado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior em setembro sagrou a tese “Raça e nação na origem da política social brasileira: União e resistência dos trabalhadores negros”, de Gracyelle Costa Ferreira, como a melhor da área de Serviço Social. A orientação foi da professora Carla Cristina Lima de Almeida. As demais uerjianas que também alcançaram destaque, sendo agraciadas com menções honrosas, foram: Rosane Barreto Cardoso, orientada por Celia Pereira Caldas (Enfermagem); e Livia Penedo Jacob, por Ana Lucia Machado de Oliveira (Letras). 

Carla Almeida e Gracielly Ferreira

Ao todo, foram 49 trabalhos premiados e 92 reconhecidos com menção honrosa. Os selecionados agora concorrem ao Grande Prêmio, dividido em três grandes áreas: Ciências Biológicas, da Saúde e Agrárias; Engenharias, Ciências Exatas e da Terra / Multidisciplinar; e Ciências Humanas, Linguística, Letras, Artes e Ciências Sociais Aplicadas. Os ganhadores serão conhecidos em dezembro.

Gracyelle Costa Ferreira comemora a premiação com um olhar crítico e consciente a respeito de sua representatividade. “Sou uma jovem pesquisadora negra vinda do interior. É a primeira vez que uma mulher negra, problematizando as relações raciais no país, vence o Prêmio Capes de Tese na área do Serviço Social, desde o início da premiação, em 2006. Essa pesquisa é produto do nosso tempo presente. Um tempo em que a comunidade negra, ao ocupar os espaços universitários, reivindica uma análise antirracista acerca de concepções até então naturalizadas”, afirma. 

É emblemático que o estudo premiado no campo do Serviço Social tenha como pano de fundo a questão racial no país. Afinal, a Uerj foi a primeira instituição a implantar o sistema de cotas com reserva de vagas para estudantes de escolas públicas fluminenses, negros e pardos. 

A professora Carla Cristina Lima de Almeida destaca que “orientar o trabalho envolveu acompanhar um processo muito rico de descobertas e definições de caminhos, marcado pela interlocução com uma pesquisadora brilhante e totalmente implicada com seu objeto de estudo.” Ela pontua que “foi também extremamente desafiador”, visto que “temas como esse ainda são poucos nos cursos de pós-graduação e temos baixa representatividade de professoras e pesquisadoras negras nas universidades.”

A estudante Gracyelle Ferreira aponta a necessidade de lutar para que o espaço da pesquisa acadêmica possa refletir a composição étnica, racial, de gênero e sexualidade manifestada na sociedade brasileira. “É bonito perceber o quanto isso se revelou no Prêmio Capes de Tese 2021”, reflete.

Para o pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa da Uerj, Luís Antonio Campinho Pereira da Mota, vale a pena mencionar que são seis pesquisadoras contempladas,  o que, segundo ele, é “mais uma demonstração do destaque das mulheres na ciência”. Em nota publicada nas redes sociais da PR2, Mota assinala que a “conquista do Prêmio e das menções honrosas é mais uma demonstração da pujança dos programas de Pós-Graduação e Pesquisa” da Universidade. 

Segundo a orientadora Carla Almeida, “sem dúvida alguma, o Prêmio Capes traz visibilidade para um importante trabalho que, por suas contribuições e ineditismo, precisa circular e ser lido por muitos”. A professora espera que isso facilite a publicação da tese em livro e assinala que a premiação “chegou em boa hora, quando a Universidade vem sofrendo ataques e não à toa, pois a Uerj tem se colocado como lugar de resistência e mobilização social em torno do ensino público”, finaliza. 

Mulher na ciência também é tema de entrevista na Rádio Uerj

A reflexão sobre o papel da mulher na ciência permeou mais um episódio do programa Uerj Entrevista, da Rádio Uerj. A apresentadora Eneida Leão conversou com a professora Letícia Cotrim, da Faculdade de Oceanografia da Uerj, doutora em Oceanologia e representante do Brasil em importantes comitês científicos mundiais. Letícia Cotrim também é coautora do sexto relatório de avaliação do clima lançado neste ano pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão de maior autoridade do mundo em ciência climática. 

Ouça a entrevista no site da Rádio Uerj.