Levantamento mostra falta de diversidade racial e de gênero na publicidade brasileira

27/02/202012:15

Diretoria de Comunicação da UERJ

Dados do IBGE apontam que pardos e pretos formam cerca de 55% da população no Brasil. Mulheres também são maioria, somando quase 52%. Nos anúncios de uma das principais revistas do País, no entanto, esses grupos ainda são sub-representados. É o que aponta pesquisa do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (Gemaa), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj (Iesp-Uerj), sobre a diversidade racial e de gênero na publicidade brasileira.

O trabalho, desenvolvido por Luiz Augusto Campos e Marcelle Felix, analisou todos os anúncios publicados em 370 edições do semanário de maior circulação nacional entre 1987 e 2017. No total, mais de 13 mil figuras humanas foram classificadas de acordo com gênero, raça, idade, ocupação, etc.

Para Campos, apesar de o estudo ter se concentrado em uma revista, ele mostra um panorama geral. “O mercado publicitário de anúncios costuma pulverizar suas propagandas em múltiplos veículos similares. A escolha da Veja é, assim, uma maneira de acessar uma amostra representativa do mercado maior de publicidade no Brasil. Basta comparar duas revistas semanais focadas em um mesmo público para perceber que seus anunciantes são praticamente os mesmos”, conclui o professor de Sociologia e Ciência Política do Iesp.

De acordo com o levantamento, a proporção de mulheres é crescente, apesar de moderada. O percentual ficou acima dos 40% somente nos últimos dez anos. E elas ainda aparecem mais em determinados tipos de produtos, como jóias, cosméticos e roupas, reforçando distinções de gênero.

Já no quesito diversidade racial, o avanço foi ínfimo. O percentual de pessoas pretas, pardas ou indígenas dos dias atuais é quase o mesmo de 1987. Os brancos representam cerca de 80% das figuras humanas que aparecem nas peças publicitárias. “De modo geral, a estabilidade da desigualdade racial detectada nos anúncios sugere haver mecanismos estruturais no mercado publicitário que permanecem operando nesses 30 anos analisados em prejuízo da população preta e parda”, ressalta Campos.

A pesquisa é um desdobramento de outras realizadas pelo Gemaa. O grupo já monitorou também o perfil de gênero e cor no cinema brasileiro e realizou trabalho-piloto com as revistas de bordo das principais empresas de aviação brasileiras, que auxiliou na consolidação de metodologia para o estudo da publicidade.

Confira os resultados.