Laboratório de Estudos de Literatura e Cultura da Belle Époque comemora cinco anos com evento on-line

06/10/202012:34

Diretoria de Comunicação da UERJ

O Laboratório de Estudos de Literatura e Cultura da Belle Époque (Labelle), do Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), está completando cinco anos de existência. Em atividade desde 2015, o Labelle tem como proposta investigar, numa perspectiva multidisciplinar, a força, irreverência, inventividade e riqueza da produção literária e cultural das primeiras décadas do século XX e as últimas do século XIX. Segundo a coordenadora do laboratório, Carmem Negreiros, o termo Belle Époque foi escolhido como um grande “guarda-chuva” para abarcar a variedade dos temas e evidenciar as tensões políticas, culturais e artísticas da época. 

A ideia de fazer um trabalho focado nesse período partiu de Carmem, que sabia que ainda havia muita coisa a ser descoberta. “Sou pesquisadora da obra de Lima Barreto (1881-1922) e sempre fui fascinada pela complexidade e riqueza do período de atuação do escritor e seus contemporâneos”, conta a professora. “Apesar de um grupo de pesquisadores trazerem à tona, nos anos 90, autores e obras da época, muita coisa ainda permanecia desconhecida e carente de pesquisa. Somente um grupo de estudiosos, sob diferentes perspectivas, poderia trazer toda a efervescência cultural e literária”, revela.

Desde então, de acordo com a coordenadora, o trabalho tem sido intenso e gratificante. Estudos de obras de diferentes autores, dos variados estilos e gêneros, resultaram nas publicações Belle Époque: crítica, arte e cultura (Intermeios, 2016) e Belle Époque: a cidade e as experiências da modernidade (Relicário Edições, 2019). O laboratório organizou ainda simpósios, nos anos de 2016 e 2017, durante o XV Congresso Internacional da Associação Brasileira de Literatura Comparada (Abralic). O resultado pode ser visto no e-book Belle Époque: efeitos e significações, que se encontra publicado em http://abralic.org.br/publicacoes/ebooks

Além disso, o grupo Labelle tem uma forte preocupação com a formação de novos pesquisadores. Por isso, realiza, desde 2017, o Fórum de Estudantes, em que graduandos de Iniciação Científica, mestrandos e doutorandos apresentam seus resultados de pesquisa. 

Evento comemorativo

Em comemoração aos seus cinco anos, o Labelle preparou o Seminário Travessias. O evento on-line reúne pesquisadores de várias instituições do país e apresenta uma riqueza de temas, que vão desde a cidade do Rio de Janeiro, em toda a sua exuberância e tensões nas primeiras décadas do século XX, até questões sobre ciência e nação, cinema, música, poesia, jornalismo, literatura e mercado.  

A abertura oficial, que aconteceu no dia 30 de setembro, contou com a presença de Ruy Castro, jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues e da obra Metrópole à beira-mar – O Rio moderno dos anos 20, entre outras. Benilton Bezerra, psicanalista, psiquiatra, professor do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva e pesquisador do Programa de Estudo e Pesquisa sobre Ação e Sujeito, do Instituto de Medicina Social da Uerj, também participou da live. 

“A história de que o Rio de Janeiro era atrasado e foi salvo pela Semana de Arte Moderna foi o que motivou o livro Metrópole à beira-mar, que conta a trajetória de uma cidade em ebulição permanente, que se beneficiou de tudo o que aconteceu nos anos 0 e nos anos 10, e explodiu, finalmente, a partir de 1920″, explicou Ruy Castro.

O Seminário Travessias continua suas atividades nos dias 7,14, 15, 21 e 28 de outubro. A transmissão ao vivo, aberta ao público, será feita pelo canal do Labelle no YouTube. confira a programação completa no site do Laboratório.

Assista à live de abertura com Ruy Castro.