Instituto de Psicologia oferece atenção à saúde mental de pessoas LGBTQIA+ por meio de grupos terapêuticos

28/06/202212:50

Diretoria de Comunicação da UERJ

Em 28 de junho de 1969, os frequentadores do bar Stonewall Inn, em Nova Iorque, resolveram dar um basta nos anos de violência e perseguição policial que vinham sofrendo. Considerada um marco na busca por direitos, a data da chamada Rebelião de Stonewall tornou-se o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. No entanto, mais de cinco décadas depois, os membros dessa comunidade ainda não são tratados com o devido respeito por toda a sociedade, sofrendo transtornos difíceis de serem reparados.

No ambiente universitário, projetos que visam a acolher pessoas LGBTQIA+ têm grande fluxo de participação e são essenciais para que esse grupo entenda e aceite suas trajetórias. Um exemplo é o Vozes e Cores, vinculado à pesquisa de pós-doutorado do professor Mario Felipe de Lima Carvalho, no Instituto de Psicologia (IP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), intitulada “Afetos e sofrimentos de pessoas LGBTI no cenário brasileiro contemporâneo”.

A ideia para a criação do projeto surgiu após a consolidação das eleições de 2018, em que vários alunos relataram episódios de ansiedade e medo de represálias por parte de cidadãos mais conservadores, no país que exibe números dramáticos de agressões e mortes violentas entre indivíduos LGBTQIA+. Com o objetivo de oferecer atenção à saúde mental por meio de grupos terapêuticos, o Vozes e Cores funciona como um espaço gratuito e aberto em que os participantes podem relatar suas experiências a partir do que consideram pertinente no momento. Nenhum roteiro pré-definido é utilizado durante os encontros.

Segundo o professor Mario Felipe, um ponto que integrantes do projeto consideram fundamental é ouvir outras histórias. “As pessoas que participam do grupo dizem repetidamente o quanto é terapêutico escutar outras pessoas, outros relatos que possuem alguma coisa em comum com suas vidas, mas ao mesmo tempo têm vários aspectos diferentes. A partir disso, elas conseguem reorganizar suas próprias ideias e formas de enxergar certas coisas”, afirma. Outras melhorias observadas são a redução de tentativas de suicídio, o abrandamento de quadros de esquizofrenia e a resolução de situações de conflito familiar.

Para Anna Clara da Rocha Luz, aluna do 9º período de Psicologia, participar do projeto mudou suas percepções tanto no âmbito profissional quanto pessoal, uma vez que, mesmo se identificando como lésbica, não costumava refletir sobre o assunto. “Profissionalmente, vejo que minha forma de fazer atendimento clínico depende muito de uma psicologia crítica. O trabalho com o grupo foi um importante catalisador para basear minha prática individual e me aproximar da comunidade. Pessoalmente, os relatos dos membros, juntamente com as leituras feitas em supervisão, me ajudaram a entender muito mais sobre questões de gênero e sexualidade”, revela.

Anna Paula Uziel, professora do IP e supervisora da atividade, também confirma a contribuição para a formação dos estudantes do curso. “Em geral, na Psicologia, por mais que gênero e sexualidade sejam temas muito importantes, a gente passa por eles de uma forma muito rápida. Então esse projeto, de extensão e de pesquisa, tem sido fundamental para o aprendizado, porque reúne conteúdos difíceis de serem abordados”, finaliza.

Como participar?

As reuniões do projeto Vozes e Cores acontecem todas as terças, às 14h, e quartas, às 18h, no Serviço de Psicologia Aplicada, localizado no campus Maracanã da Uerj. Os encontros são gratuitos e possuem aproximadamente 1h30 de duração. Não é necessário se inscrever, basta chegar e participar. Para mais informações, entre em contato pelo e-mail vozesecores@gmail.com ou pelo Instagram @vozesecores.