Futuros Cientistas: Colônia de Férias da FFP/Uerj triplica vagas e transforma Universidade em território de infância e ciência

29/01/202615:23

Diretoria de Comunicação da Uerj

Rayssa Bastos olha ao redor do laboratório e do pátio cheio de cores e risadas, mas sua expressão e fala já demonstram saudade. “Estou desde os 5 anos aqui e no ano que vem não vou poder participar”, lamenta a moradora do Morro do Feijão, no município de São Gonçalo. Agora com 12 anos de idade, sua trajetória de sete edições na Colônia de Férias Futuros Cientistas, da Faculdade de Formação de Professores (FFP) da Uerj, é um retrato do que o projeto representa: uma porta de entrada afetiva e simbólica para o universo acadêmico.

A 9ª edição do evento, realizada de 19 a 23 de janeiro, foi promovida pelo Núcleo de Apoio Experimental em Bioquímica (Naeb) da FFP/Uerj, em parceria estratégica com a Superintendência de Equidade Étnico-racial e de Gênero (Supeerg). Em 2026, a colônia da FFP ganhou nova dimensão. Ampliou de 120 para 300 vagas, distribuídas em dois turnos, atendendo crianças de 5 a 12 anos, em sua maioria residentes em São Gonçalo, e se consolidou como uma das mais impactantes ações extensionistas da Universidade.

“A Uerj é nossa!”

Rayssa Bastos participou de sete edições da Colônia

A frase que Rayssa e seus colegas entoaram em vários momentos durante o evento – “A Uerj é nossa!” – deixou de ser apenas um grito de animação para se tornar uma realidade pedagógica. A colônia de férias é a materialização de um conceito defendido pela Supeerg. “A maior lição é entender que a Universidade também pode ser um lugar muito feliz. E vocês, que são crianças, trazem esse significado”, refletiu Maíra Freitas, assessora de Articulação de Políticas de Apoio às Maternidades e Infâncias (Aspami) da Supeerg, durante a cerimônia de encerramento.

Ela destacou que a iniciativa integra um conjunto de políticas da gestão atual que entendem as infâncias e as maternidades como partes constitutivas da vida acadêmica. “Essas crianças fazem parte da Uerj. Elas não estão aqui só acompanhando alguém”, pontuou.

Articulação institucional

A expansão para atender 300 crianças só foi possível graças a uma articulação institucional. Além da Supeerg, que trouxe um olhar especializado para a equidade e a diversidade, o evento contou com o apoio das pró-reitorias: alimentação via PR4, bolsas de extensão (PR3), bolsas de apoio técnico e iniciação científica (PR2) e um inédito suporte de primeiros socorros da PR5, com a presença de três enfermeiras.

Mestre de bateria da escola de samba Magnólia Brasil participou da Colônia

A Divisão de Transporte (Ditran) da Uerj também compôs a parceria, utilizando o trajeto do micro-ônibus entre os campi Maracanã e São Gonçalo como um teste-piloto para o futuro transporte intercampi.

De acordo com a professora Hellen Beiral, coordenadora do Naeb e idealizadora da colônia, o sucesso se explica pela combinação de carência local, dedicação coletiva e a magia do “boca a boca” infantil. “Estamos num município que não tem um espaço de divulgação científica, museu ou casa de ciências. Então considero que assumimos um papel que era muito carente aqui em São Gonçalo”, diz.

A programação foi uma imersão lúdica em ciência, cultura e criatividade. Oficinas com realidade virtual, experimentos em laboratório, observação de coleções zoológicas e botânicas, contação de histórias e atividades com projetos parceiros, como o Ciência Sob Tendas (UFF e Fiocruz), garantiram que o aprendizado viesse pela via da curiosidade. “Aqui não é uma escola. Queremos que eles aprendam, sim, mas se divertindo”, define Hellen.

A cultura popular ganhou destaque com a presença do mestre de bateria Badico Brasil, da escola de samba Magnólia Brasil. “É a maior alegria trazer o samba para essas crianças, vê-las sambando, querendo aprender”, afirma.

O impacto social da colônia é multifacetado. Começa pela mitigação das desigualdades de gênero e raça, ao oferecer um espaço seguro e educativo durante as férias, período que costuma intensificar a sobrecarga de trabalho de cuidado sobre as mulheres. “Pensar políticas para maternidades e infâncias não é apenas acolhimento funcional, mas transformar os modos de produzir ciência, arte e cultura dentro da Universidade”, contextualiza Maíra Freitas.

Espaço de criação e liberdade

Crianças, monitores e gestores da Uerj reunidos no encerramento

Patrícia Santos, responsável pela Supeerg, vivencia a colônia em três dimensões: como professora da casa, como mãe de participantes e como gestora. “Eu amo como vocês cantam ‘a Uerj é nossa’, porque realmente a Uerj é nossa. Sejam sempre bem-vindos, essa Universidade é para vocês”, disse ela às crianças durante o encerramento. A professora Ana Santiago, pró-reitora de Extensão e Cultura (PR3) e ex-diretora da FFP — a primeira edição da colônia de férias aconteceu durante a sua gestão —, também participou do evento.

Na solenidade de encerramento, a assessora da Reitoria Ana Karina Brenner, representando a reitora Gulnar Azevedo e Silva, destacou o papel da Universidade como espaço de criação e liberdade. “É importantíssimo ter um lugar onde as crianças de férias possam se encontrar com segurança, ambiente de criação, de liberdade e de construção de autonomia em um mundo que está tão digital”, concluiu.

Fotos: George Magaraia