Especialista da UERJ em recursos hídricos fala sobre o Dia da Água

22/03/201916:06

Diretoria de Comunicação da UERJ

O professor Adacto Benedicto Ottoni, do Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente, diz que no Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março, não temos o que celebrar. “A crise hídrica é uma realidade. Esta data é para repensarmos sobre a situação”, avalia.

De acordo com o Relatório Mundial sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos divulgado esta semana pela Organização das Nações Unidas (ONU), pouco mais de dois bilhões de pessoas não dispõem dos serviços básicos de água potável e saneamento em todo o mundo. “A água do mundo está em risco. A crise hídrica é uma realidade e isso é culpa da falta de gestão inteligente dos recursos”, explica o professor.

Ottoni afirma que a natureza produz água através das chuvas e das florestas. “Elas são as grandes fábricas de água do mundo e são responsáveis pela manutenção dos reservatórios subterrâneos. Quem alimenta os rios nos períodos de estiagem são as reservas subterrâneas. É preciso reflorestar as matas ciliares, as áreas de floresta e investir em políticas de gestão das águas”, orienta.

Para ele, outra grande preocupação é a quantidade de lixo despejada nos aterros sanitários. “O chorume, líquido tóxico resultante do acúmulo do lixo, contamina os mananciais, o que é um grande problema. O lixo úmido precisa ser separado do lixo seco. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, não separa. Praticamente 50% do lixo da cidade e da região metropolitana são de resto de comida e isso gera muito chorume no aterro sanitário, que é tratado antes de voltar à rede hídrica. Em épocas de chuvas, essas lagoas de chorume têm muito risco de vazamento. É muito perigoso”, finaliza.

Origem da data
O Dia da Água foi instituído pela ONU em fevereiro de 1993 para comemorar e realizar atividades de reflexão sobre o significado da água para a vida na Terra.