Diretoria de Comunicação da Uerj

Conciliar a rotina acadêmica com o esporte de alto rendimento é uma tarefa para poucos, e Thainara Medeiros prova diariamente que é possível. Estudante de Psicologia da Uerj e paratleta da classe S14 (autista com deficiência intelectual), ela se tornou, em 2024, a primeira atleta desta categoria a representar a Universidade em competições paralímpicas. Em seu primeiro ano, acumulou 26 medalhas, incluindo 3 ouros na categoria universitária da etapa estadual do Meeting Paralímpico Loterias Caixa, pelo Comitê Paralímpico Brasileiro, e 4 ouros na etapa nacional das Paralimpíadas Universitárias, sagrando-se campeã brasileira.
A trajetória de Thainara no esporte começou quando conheceu o Projeto Paraolímpico da Marinha (Paraprolim), descobrindo sua afinidade com a natação. No mesmo período, realizou outro sonho: ingressar na graduação. Após um breve período no curso de Farmácia, foi aprovada no Vestibular Estadual e começou sua jornada na Psicologia. “Sempre gostei muito dessa área. Percebi que o que eu queria mesmo era entender as pessoas e ajudá-las a se conhecerem melhor”, diz.
Ao ingressar na Uerj, Thainara precisou ajustar a rotina para dar conta dos treinos e da vida acadêmica. Moradora da Zona Oeste do Rio, ela percorre longos trajetos diariamente entre casa, o quartel da Marinha e a Universidade. Para manter o equilíbrio, reduziu matérias e abriu mão de outros esportes, como o tênis de mesa. “Saio cedo, pego várias conduções até o quartel, treino e depois sigo para a Uerj. Foi difícil no início, mas agora consegui organizar e me dedicar aos dois”, conta.
Inspiração
As vitórias de Thainara já começam a inspirar outros jovens com deficiência que sonham em ingressar no ensino superior. Nas redes sociais, ela recebe mensagens de pessoas que se veem em sua trajetória. “Isso foi um sentimento enorme para mim, saber que está tudo certo seguir nos dois caminhos e também abrir portas para outras pessoas com deficiência que querem iniciar no esporte e fazer uma graduação”, relata.
Apesar dos inúmeros desafios, Thainara afirma que o esporte ajuda a lidar com os limites de sua condição e a se compreender e a se expressar melhor. Ela ainda aponta seus planos e metas para o futuro. “Pretendo me formar e atuar na área da Psicologia do Esporte. Também quero seguir evoluindo na natação e disputar internacionalmente, representando o Brasil lá fora. Desejo chegar cada vez mais longe e ver outras pessoas com deficiência ocupando esses lugares”, finaliza.