Pesquisa de professores da Uerj facilita diagnóstico e acompanhamento de pacientes com Covid-19

23/04/202010:57

Diretoria de Comunicação da UERJ

Uma das consequências da Covid-19 é a lesão pulmonar, que costuma ser comprovada por Tomografia Computadorizada (TC). No entanto, a TC é um exame caro, demorado e difícil de ser encontrado em muitos hospitais do país. Pensando nisso, médicos do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) e da Policlínica Piquet Carneiro (PPC), unidades de saúde da Uerj, começaram a utilizar a Ultrassonografia de Tórax (UST) como alternativa para avaliar os casos graves que necessitam de acompanhamento mais efetivo, já que se trata de um exame mais rápido e barato, além de expor o paciente a muito menos radiação.

A ideia nasceu de um projeto desenvolvido por um grupo de oito pesquisadores, professores da Faculdade de Ciências Médicas da Uerj, que foi submetido à Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Na semana passada, a boa notícia: foi aprovada a liberação de R$ 421 mil para a realização do projeto de pesquisa, por meio da “Ação Emergencial – Projetos para Combater os Efeitos da Covid-19”, uma parceria da Faperj com a Secretaria Estadual de Saúde.

Para o pneumologista Agnaldo José Lopes, coordenador do projeto e professor da Uerj, a expectativa agora é pela liberação efetiva da verba para que o trabalho prossiga e aumente sua capacidade: “Fomos contemplados e estamos esperando o repasse, por meio da Faperj, para a compra de equipamentos de UST e de Técnica de Oscilação Forçada (FOT).  Isso vai facilitar e dar muita agilidade ao diagnóstico de lesão pulmonar. Nesse sentido, ajuda a desafogar a demanda existente e contribui para um melhor funcionamento dos atendimentos no Hupe e na PPC”.

Duas frentes de atuação

Pesquisador Agnaldo Lopes durante a realização de teste de função pulmonar

Com o nome de “Contribuição da ultrassonografia de tórax em pacientes com Covid-19 e o papel da oscilação forçada na avaliação de sequelas pulmonares na Uerj”, o projeto de pesquisa foi aprovado pela Faperj dentro da “Chamada B”, que é destinada ao “Apoio a Projetos já concedidos e contratados em Editais da Faperj”. É que no segundo semestre do ano passado, Agnaldo Lopes e os colegas de pesquisa – Thiago Thomaz Mafort, Cláudia Henrique da Costa, Mônica de Cássia Firmida, Rogério Lopes Rufino Alves, Bruno Rangel Antunes da Silva, Thiago Prudente Bártholo e Ana Paula Gomes dos Santos – tinham apresentado o projeto pelo edital “Apoio a Grupos Emergentes de Pesquisa no Estado o Rio de Janeiro”, mas ainda aguardavam a liberação da verba.

Conforme explica Agnaldo Lopes, o projeto trará ganhos para duas frentes de atuação. Uma é a agilidade no diagnóstico de lesão pulmonar, que acontecerá devido ao maior número de equipamentos de ultrassonografia de tórax: hoje, a PPC tem apenas um aparelho e, com a verba, eles poderão comprar mais três ou quatro. A outra frente de atuação será o acompanhamento por até nove meses de pacientes mais graves, que passarem pelo Hupe – com a Técnica de Oscilações Forçadas (FOT), os médicos poderão mensurar o quanto as sequelas de lesão pulmonar aguda por Covid-19 repercutirão na função pulmonar desses indivíduos, no futuro.

“Observamos que algumas pessoas desenvolvem, em pouco tempo, lesões pulmonares fibrosantes. Por isso, a chamada avaliação longitudinal pós-alta hospitalar é importante e tem o objetivo de analisar mais detalhadamente as sequelas que esses pacientes venham a apresentar”, conclui.