Uerj recebe Selo ODS Educação 2025 com nove projetos de extensão certificados; IPRJ de Nova Friburgo lidera ações

29/04/202616:24

Diretoria de Comunicação da Uerj
Representantes da Uerj participaram da cerimônia de entrega da certificação

A Uerj passou a integrar o grupo de instituições certificadas com o Selo ODS Educação 2025 após cerimônia realizada no dia 18 de março no Teatro Luiz Mendonça, no Recife. A conquista evidencia o potencial transformador dos projetos de extensão realizados na Universidade: são nove projetos de impacto social alinhados à Agenda 2030 da ONU, sendo seis deles desenvolvidos pelo Instituto Politécnico (IPRJ) Uerj, em Nova Friburgo. Os demais estão vinculados à Rede Sirius de Bibliotecas e à Pró-reitoria de Saúde (PR5).

Ao todo, 129 instituições de ensino brasileiras foram certificadas, responsáveis por 1.902 iniciativas que geraram 3.370 impactos sociais ao longo de 2025. A certificação recebida pela Uerj reitera o compromisso com a educação de qualidade (ODS 4) e com outras frentes essenciais da Agenda 2030, como saúde e bem-estar, igualdade de gênero, ação climática e consumo responsável.

A universidade pública como protagonista da Agenda 2030

Assinado em 2015 pelos 193 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU), o pacto global de criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelece 17 metas ambiciosas e interconectadas — a Agenda 2030 — a serem alcançadas até esta data. Entre eles estão a erradicação da pobreza (ODS 1), a erradicação da fome (ODS 2), a saúde e bem-estar (ODS 3), a educação de qualidade (ODS 4) e a ação contra a mudança global do clima (ODS 13).

Para a chefe de Gabinete da Reitoria da Uerj, Marisa Breitenbach, o papel das universidades públicas é estratégico para o cumprimento das metas globais. “Sem dúvida, a universidade pode contribuir enormemente seja nos projetos de extensão, na formação, na reciclagem de professores, ou na capacitação de professores. A universidade tem muita coisa a contribuir para a sociedade”, afirma.

O Brasil, porém, ainda tem muito a avançar. Apenas duas das 20 metas da educação foram cumpridas, segundo dados apresentados durante a cerimônia em Recife. “Só 49% das crianças do segundo ano são alfabetizadas, e a meta era 94,5%”, exemplificou Marisa, destacando a urgência de iniciativas estruturadas e sistemáticas.

A coordenadora de Saúde Ambiental da PR5, Lívia da Costa Silva, reforça que a universidade pública não pode ficar à margem desse esforço. “Não tem como atingir qualquer meta mundial da Agenda 2030 sem a participação da educação, sem o papel da universidade, que é crucial para formar, conscientizar, capacitar. A educação mexe nas estruturas, e a Agenda 2030 tem muito disso: um olhar no social, no econômico, no ambiental”, ressalta.

Rede de transformação

O Instituto Selo Social, organização não-governamental que concede o Selo ODS Educação, é atualmente o maior certificador social do Brasil para iniciativas alinhadas à Agenda 2030. Desde 2023, representa a sociedade civil na Comissão Nacional para os ODS (Cnods) e foi citado no 2º Relatório Nacional Voluntário (RNV) apresentado pelo Brasil à ONU em 2024.

Para a Uerj, a certificação representa não apenas um reconhecimento, mas um reposicionamento institucional no cenário acadêmico nacional. “Receber o Selo fortalece a legitimidade institucional da Universidade perante a sociedade, o Estado e os organismos internacionais, e cria um incentivo concreto para que outras unidades acadêmicas se engajem no processo”, explica a professora Ana Cristina Moreira, do IPRJ, que coordenou a inscrição da Uerj no programa. Ela destaca que o Selo oferece uma estrutura metodológica importante. “Historicamente, muitas dessas ações já existem em paralelo, sem conexão formal com a Agenda 2030. O Selo ODS Educação converte iniciativas dispersas em evidências mensuráveis de comprometimento com os ODS”, argumenta.

Para Lívia da Costa Silva, os projetos existentes nas universidades enfrentam desafios muito semelhantes: dificuldades relacionadas aos alunos, ao ensino, à manutenção e às questões ambientais. “Por isso, eu valorizo muito as certificações. Elas unem pessoas em torno de um bem comum e fazem com que as forças se somem. Estar num lugar onde as pessoas pensam como você, e têm o mesmo intuito, é muito gratificante”, complementa.

Institucionalizaçãoe ampliação: os próximos passos da Uerj

Após o sucesso da certificação em 2025, um dos desafios é transformar as iniciativas existentes em política institucional permanente. Atualmente, a Universidade conta com o Programa Agenda 2030 na Uerj, instituído pelo Ato Executivo Aeda-040/2019, mas Lívia aponta para a necessidade de uma maior capilaridade e institucionalização das ações.

“Os projetos relacionados aos ODS já existem espalhados pela Uerj. O que fizemos foi organizar, sistematizar. Precisamos que a Agenda 2030 seja enraizada no planejamento institucional. O objetivo é transformar isso numa política interna de sustentabilidade, com o tripé ambiental, social e econômico”, afirma.

Diversidade e impacto local

O protagonismo do IPRJ na certificação evidencia a força da interiorização do ensino público de qualidade. Os seis projetos da unidade abrangem desde a educação ambiental ‘gamificada’ em escolas públicas até a promoção da saúde mental e a inclusão digital de meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade. Também integram a lista o festival de divulgação científica Pint of Science — que leva a ciência a bares e restaurantes — e ações de saúde universitária.

A professora Letícia dos Santos Aguilera, organizadora, pela Uerj, do projeto Pint of Science em Nova Friburgo – em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) –, explica como o evento se alinha aos ODS. “O festival promove educação não formal para adultos, remove barreiras elitistas e torna a ciência compreensível para o público em geral. Em 2025, o tema foi sobre mudanças climáticas (ODS 13). Para 2026, o tema será ‘A ciência como ponte para o futuro’, abordando cidades inteligentes, inovação e sustentabilidade (ODS 11). A conquista do selo ajuda a dar credibilidade e atrair novos públicos”, assinala.

Já Pâmela Flegr, responsável pelo projeto “Atividades de Descompressão na Biblioteca CTC/E”, da Uerj, destaca o reconhecimento nacional para uma ação local. “O projeto permite um momento de relaxamento e lazer, aborda interação, inclusão, respeito e empatia. A conquista do selo traz um reconhecimento nacional para a atividade realizada localmente em Nova Friburgo”, diz.

Diálogo interinstitucional e perspectivas para 2026

Durante a cerimônia em Recife, representantes da Uerj estabeleceram contatos com outras universidades e com a Rede UniSustentável (Rede Brasileira de Instituições de Ensino Superior para o Desenvolvimento Sustentável), que reúne 38 instituições de ensino superior comprometidas com o desenvolvimento sustentável. Também participaram de oficinas sobre indicadores de sustentabilidade das cidades, direitos humanos na sala de aula e boas práticas de extensão. “Conhecemos mais de perto o pessoal da UFRJ, da UFF, e também professoras da Universidade Federal Rural de Recife, que atuam na área têxtil, uma atividade econômica importante em Nova Friburgo”, relata Lívia da Costa Silva.

Para 2026, a Uerj já tem nova indicação formal para participar do ciclo seguinte do Selo ODS Educação, com a expectativa de ampliar o portfólio de projetos e avançar na institucionalização da Agenda 2030. Como lembra Marisa Breitenbach, “a universidade pública que assume o Selo ODS Educação não está apenas ganhando um certificado, está construindo uma arquitetura de transparência e impacto social que fortalece sua legitimidade perante a sociedade”, finaliza.

Lista dos nove projetos da Uerj certificados com o Selo ODS Educação 2025

– Pint of Science – Nova Friburgo 2025 – ODS 13 (Ação Climática) e ODS 17 (Parcerias) – Evento de Extensão – coordenado por Letícia dos Santos Aguilera (IPRJ)

– Iniciação à informática para meninas (6–12 anos) – ODS 5 (Igualdade de Gênero) – Projeto de Extensão – coordenado por Silvia Mara da Costa Campos (IPRJ)

– Computação Desplugada no Ensino Fundamental – ODS 4 (Educação de Qualidade) – Projeto de Extensão – coordenado por Silvia Mara da Costa Campos (IPRJ)

– Ecoponto – ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e ODS 17 (Parcerias) – Projeto de Extensão – coordenado por Ana Cristina Fontes Moreira (IPRJ)

– Ecoeduca – ODS 4, ODS 12, ODS 13 e ODS 17 – Projeto de Extensão – coordenado por Ana Cristina Fontes Moreira (IPRJ)

– Atividades de Descompressão na Biblioteca CTC/E – ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) – Projeto de Extensão – coordenado por Pâmela Flegr (Rede Sírius – IPRJ)

– Biometanização de resíduos orgânicos (Hupe) – ODS 12 e ODS 17 – Coordenação de Saúde Ambiental – coordenado por Lívia Maria da Costa Silva (PR5)

– Inserção Tecnológica para Mulheres – ODS 4 (Educação de Qualidade) – Evento de Extensão – coordenado por Silvia Mara da Costa Campos (IPRJ)

– Serviço de Promoção da Saúde Universitária – ODS 3 e ODS 17 – Equipe do Serviço de Promoção da Saúde (IPRJ / PR5)