Diretoria de Comunicação da Uerj
Na última quinta-feira (26), o Teatro Odylo Costa, filho, no campus Maracanã da Uerj, foi tomado pela energia de 16 bailarinos para o ensaio aberto de “Remix”, o mais novo espetáculo da Companhia de Dança Deborah Colker. A apresentação teve como público-alvo a comunidade interna da Universidade. O retorno da companhia ao espaço com o qual mantém uma relação de quase três décadas confirma uma parceria que, segundo seus integrantes, vai muito além da cessão de um palco.
De acordo com o diretor-executivo e cofundador da companhia, João Elias, a ligação com a Uerj teve início no final dos anos 1990, durante os preparativos do espetáculo “Rota”. Desde então, o Teatrão tornou-se um espaço recorrente de criação e ensaios para o grupo. “Nossa parceria com a Uerj é algo que valorizamos muito, sempre foi uma troca”, afirmou.
Palco de grandes produções

Para João Elias, o teatro da Uerj figura entre os principais palcos da cidade do Rio de Janeiro, ao lado de equipamentos de grande porte. “São quatro grandes palcos na cidade do Rio de Janeiro. Com certeza o teatro da Uerj está entre eles: o Municipal, a Cidade das Artes, o João Caetano e a Uerj. São palcos que ‘chamam’ grandes produções”, destacou.
Ele também ressaltou o potencial da Universidade para a formação de público e a importância de investir na programação cultural dentro do ambiente acadêmico. “A Uerj é uma cidade, com enorme possibilidade de público interno”, defendeu.

O ensaio geral também serviu como reencontro pessoal de bailarinos com o espaço. Luan Batista, 30, formado na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville, integra a companhia há nove anos. “A minha relação com a Uerj veio através da Companhia. Nas últimas duas produções, tanto no espetáculo ‘Cura’ como no ‘Sagração’, foi quando eu conheci o teatro, que é maravilhoso”, contou o bailarino.
Poucos minutos antes de subir no palco, Luan destacou a expectativa para a apresentação, que antecede a turnê nacional. “Nos preparamos bastante, viemos para fazer com muito carinho. Esperamos que todos gostem, prometemos entregar um trabalho incrível”, afirmou.
Uma celebração de três décadas
“Remix” traz cenas emblemáticas de quatro espetáculos que marcaram a trajetória da Companhia: “Vulcão” (1994), “Rota” (1997), “4×4” (2002) e “Belle” (2014). Assinada por João Elias, a dramaturgia costura as coreografias em dois atos que transitam entre a densidade e a leveza. Entre os elementos de cena, estão uma cortina de 12 metros, 90 vasos suspensos e uma roda com cinco metros de diâmetro.
A ideia para o espetáculo surgiu em 2025, quando Deborah Colker foi homenageada em Mesquita, na Baixada Fluminense. Durante a cerimônia, crianças que estudam dança apresentaram uma coreografia inspirada no repertório da companhia. “Ficamos muito emocionados com a homenagem das crianças. Percebemos que nossas três décadas de trabalho já estão deixando um legado”, relembrou João Elias.
No camarim, antes do espetáculo, Deborah Colker fez questão de exaltar o trabalho de seleção das cenas. “Tivemos essa ideia de falar um pouco sobre o nosso legado agora, e havia muitas possibilidades. O João Elias escolheu com bastante maestria, porque o roteiro tinha que ser nessa ordem para falar sobre os 30 anos”, explicou a coreógrafa.

Para ela, o espetáculo também carrega um significado pessoal. “Desde 2024, venho enfrentando duras batalhas na vida pessoal que me forçaram a olhar ainda mais para dentro de casa. Minha família e a Companhia são a minha vida”, afirmou. “Como acontece com toda obra de arte — um livro que você relê, uma música que você ouve outra vez, ou um filme que você revê —, o público vai sentir novas emoções em Remix”, completou.
Com direção musical de Berna Ceppas, cenografia de Gringo Cardia e figurinos sob supervisão de Claudia Kopke — que atualiza criações originais de Yamê Reis e Samuel Cirnansck —, “Remix” tem apoio do Ministério da Cultura e da Petrobras, com patrocínio da Vale, por meio da Lei Rouanet.
Confira as apresentações da turnê “Remix”:
Porto Alegre (RS): 3 a 5 de abril – Teatro do FIERGS
Novo Hamburgo (RS): 8 de abril – Teatro Feevale
Santa Maria (RS): 11 e 12 de abril – Teatro do Centro de Convenções UFSM
Florianópolis (SC): 16 a 19 de abril – Centro Integrado de Cultura (CIC)
Curitiba (PR): 24 e 25 de abril – Teatro Guaira
Rio de Janeiro (RJ): 3 a 7 de junho – Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Belo Horizonte (MG): 31 de julho, 1º e 2 de agosto – Teatro Sesc Palladium
São Paulo (SP): 7 a 23 de agosto – Teatro Sérgio Cardoso
Rio de Janeiro (RJ): 9 a 25 de outubro – Cidade das Artes
Fotos: George Magaraia
