Exposição ‘Sentidos do Nascer’ chega, pela primeira vez, à Uerj com experiência imersiva sobre o parto no Brasil

27/02/202616:45

Diretoria de Comunicação da Uerj
Karina Lopes, aluna da Uerj, participa da exposição como membro da equipe e visitante

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) promoveu, na última quinta-feira (26), a abertura da exposição interativa “Sentidos do Nascer”, no campus Maracanã. A cerimônia contou com a presença de autoridades e membros da comunidade acadêmica. A mostra propõe uma experiência sensorial que convida o público a refletir sobre a gestação, o parto e a cultura do nascimento no Brasil.

Criada em 2014 pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e desta vez, sob a coordenação da Faculdade de Enfermagem da Uerj, a iniciativa integra um projeto que já passou por diversas cidades brasileiras, como Belo Horizonte, Brasília, Ceilândia, Niterói e Rio de Janeiro, reunindo mais de 60 mil visitantes ao longo de suas edições.

“Sentidos do Nascer” foi idealizada pela pediatra e epidemiologista do “Movimento BH Pelo Parto Normal”, da Secretaria Municipal de Saúde de BH, Sônia Lansky, e pelo professor da Faculdade de Educação da UFMG e historiador da Ciência, Bernardo Jefferson de Oliveira. Dentro da proposta itinerante, a exposição já passou pelo Rio de Janeiro em 2015, realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Onze anos depois, volta à cidade com o apoio inédito da Uerj.

“Iniciamos um novo ciclo, aqui na Universidade, com muito gosto. Devemos mudar a forma como se nasce no Brasil, pois sabemos que há efeitos graves para a saúde dos bebês e das mulheres decorrentes de intervenções desnecessárias no processo natural do parto, que, no lugar de promover saúde e afeto, deixam marcas negativas para o resto da vida”, explica a médica. “Quanto mais pessoas puderem vir, melhor para levar nosso objetivo adiante; crianças nascidas com empatia, com vínculo afetivo, proporcionado pelo aleitamento materno”, acrescenta a pediatra, cujo projeto venceu em 2015 o prêmio “InovaSUS – Gestão da Educação na Saúde e do Laboratório de Inovação em Educação em Saúde”, do Ministério da Saúde, com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Conexão afinada entre Uerj e UFMG

Para trazer a exposição “Sentidos do Nascer”, pela segunda vez, ao Rio de Janeiro, a UFMG estabeleceu um diálogo frequente com o Departamento de Enfermagem Materno-Infantil da Uerj, conforme conta o diretor da Faculdade de Enfermagem da universidade, Ricardo de Mattos. “Firmamos uma parceria longa e consistente, na qual, inclusive, temos participado com a UFMG e o Ministério da Saúde na formação de especialistas em Enfermagem Obstétrica no país, especialmente no âmbito da Rede Alyne”.

O professor comenta que a Rede Alyne é um programa do Governo Federal, lançado em 2024, que reestrutura a antiga Rede Cegonha, com a finalidade de reduzir em 25% a mortalidade materna e em 50% as mortes de mulheres negras até 2027, estimativa em curto prazo. A iniciativa enfatiza o atendimento humanizado, pré-natal de qualidade e a redução das desigualdades raciais e regionais na saúde materno-infantil.

Giovanna Guarese, representante do Ministério da Saúde; Sônia Lansky, idealizadora da exposição; Bruno Deusdará, vice-reitor da Uerj, e Ricardo Mattos, diretor da Faculdade de Enfermagem

Articulado no começo de 2025, com parceria assinada em agosto do mesmo ano, o projeto “Sentidos do Nascer” contemplou um longo percurso de reflexões estratégicas, confecção da exposição, conversa com a Opas, que fomenta a iniciativa, e formação dos mediadores. “Destaco o apoio da PR3 e da Prefeitura dos Campi, especialmente a coordenadora pedagógica do Demi-ENF, professora Midian Oliveira Dias, ao servidor da Prefeitura dos Campi, Roberto Barboza de Melo e à assessora da PR3, Cristiane Reis. Sem essas pessoas, somadas à Administração Central da Uerj, não seria possível acontecer essa mostra”, frisa o diretor.

“A exposição exerce papel relevante, porque transforma conhecimento em experiência de um mergulho crítico, sensível e academicamente referenciado nos atos do parto e do nascimento. Oferecer esta oportunidade em uma universidade pública reforça o compromisso com a informação qualificada, com o debate sobre saúde e direitos promovidos também pela Faculdade de Enfermagem da Uerj”, acrescenta Mattos.

Da gestação às controvérsias: a complexidade da obstetrícia

A cesariana é uma cirurgia indicada quando o parto normal não é possível. A Organização Mundial da Saúde recomenda 15% de cesarianas, mas no Brasil 59% dos bebês nascem dessa forma. Na rede privada chega a 80%. No país, o parto transformou-se em um momento controverso, mas pode ser uma vivência maravilhosa. 

A exposição apresenta, de forma divertida e interativa, o outro lado desta história. Ela é composta por uma sequência de ambientes interativos que simulam diferentes dimensões da experiência do nascimento. No primeiro espaço, “Gestação”, o visitante se vê em uma projeção 3D como uma pessoa grávida. Em seguida, o ambiente “Mercado do Parto” propõe uma crítica à mercantilização da gestação e do nascimento. Já em “Controvérsias”, personagens apresentam diferentes argumentos e influências que atravessam a decisão sobre a via de parto.

Karina Lopes, 37, estudante do 6º período de Enfermagem da Uerj, grávida pela segunda vez, participa da exposição como membro da equipe e como visitante. “Fico feliz em aprender e ao mesmo tempo compartilhar conhecimentos sobre um tema tão importante pra sociedade. Parir é natural e confio inteiramente na fisiologia do meu corpo e na equipe que irá me acompanhar no parto normal”, diz a acreana, que deixa uma mensagem para as pessoas – grávida ou não – que ainda não conhecem a mostra.

“Venham o mais rápido possível! É uma oportunidade incrível de compreender, de forma lúdica e descontraída, a complexidade do sistema obstétrico brasileiro. Com leveza e afeto compartilhamos informações e construímos diálogos fundamentais sobre este momento único na vida das pessoas gestantes”, emociona-se a futura mamãe de Inaiá.

Com entrada gratuita, a exposição pode ser visitada até 31 de março, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h (última entrada às 16h30), no pilotis do bloco A, próximo ao Teatro Odylo Costa, filho, campus Maracanã. A visitação é aberta ao público, sem necessidade de agendamento prévio. Os grupos são organizados com até 10 pessoas por vez, e cada circuito tem aproximadamente 20 minutos de duração.

Fotos: George Magaraia