Diretoria de Comunicação da Uerj
Durante a semana de 24 a 28 de novembro, um ônibus partiu diariamente do campus Maracanã da Uerj transportando mais do que passageiros. Levava curiosidade, expectativa e um desejo de redescobrir a própria instituição. Era o projeto “Na Trilha da Uerj”, uma iniciativa da Diretoria de Comunicação Social (Comuns) que promoveu visitas guiadas a diversas unidades da Universidade, espalhadas pelo município do Rio e por outras cidades fluminenses.
Com um passaporte simbólico e adesivos para marcar cada destino, alunos, técnicos e professores embarcaram em uma jornada para entender que a Uerj é uma instituição diversa, formada por diversos campi e unidades onde se praticam ensino, pesquisa e extensão. A atividade integrou a celebração do aniversário de 75 anos da Universidade.
A inspiração para o projeto surgiu de forma descontraída, mas reveladora. Brenda Ferreira, integrante da equipe de Relações Institucionais (RI) da Comuns, conta que a ideia nasceu de um “plágio” bem-intencionado. “A iniciativa foi inspirada em um projeto chamado ‘Rolezinho Carioca’. Eles fazem passeios em alguns lugares históricos do Rio e dão um ‘passaporte’ com informações”, explica.
Então, a proposta foi realizar excursões para integrar e revelar uma Uerj além do campus Maracanã que poucos conhecem. A organização envolveu um trabalho de logística em parceria com a Ditran (Divisão de Transportes) e com cada unidade visitada.
Rosane Fernandez, coordenadora de RI da Comuns, destaca que o maior desafio foi justamente a integração dos diversos atores. “Organizamos a saída daqui do Maracanã, a chegada aos campi, encaixando as unidades próximas no roteiro de cada dia”, afirma. Ela considera que o saldo foi extremamente positivo e serviu como um termômetro para edições futuras.
“Para este ano, queremos viabilizar tanto uma visita ao campus da Ilha Grande quanto ao de Cabo Frio”, planeja, adiantando que a ideia é realizar novos passeios no primeiro semestre, com mais tempo para divulgação e inscrições.
Unidades visitadas
Para as unidades visitadas, o projeto se tornou uma celebração da visibilidade e do pertencimento. Lucas Venâncio Lima, diretor do Instituto Politécnico (IPRJ), em Nova Friburgo, ressaltou a importância da iniciativa para unidades geograficamente distantes. “É sempre importante lembrar que somos uma Uerj única, e é fundamental essa sensação de pertencimento”, disse. Para Letícia Aguillera, coordenadora do curso de graduação em Engenharia Mecânica do IPRJ, “a valorização dos campi externos é crucial para ressaltar a relevância da regionalização da ciência, do ensino e da democratização do acesso ao ensino superior”.
Em Campo Grande, na Uerj Zona Oeste (Uerj-ZO), a sensação foi semelhante. Florêncio Gomes, diretor da Faculdade de Ciências Exatas e Engenharias (FCEE), destacou a importância da visita às unidades externas da Universidade. “Por necessidade, nós frequentemente fazemos o movimento de ir até o Campus Maracanã. Receber esse movimento contrário é importante pelo pertencimento”, afirmou.
Catharina Eccard Fingolo, diretora da Faculdade de Ciências Biológicas e Saúde (FCBS) na Uerj-ZO, comemorou a quebra de estereótipos. Alguns visitantes, contou, vieram com a visão de que a unidade não tinha laboratórios. “Quando chegaram aqui, viram uma estrutura totalmente diferenciada. Um aluno inclusive ficou maravilhado com o tamanho de um dos nossos laboratórios de Química. Para nós, isso é muito bom”, celebrou.
Conhecer para valorizar
Para quem embarcou no ônibus, a semana mudou a percepção sobre a Universidade. Leandro Trindade, professor da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF), que também participou do passeio como visitante, enxergou no projeto um potente mecanismo de valorização. “A primeira coisa que você precisa para saber valorizar uma instituição é conhecê-la”, pontou.
Já a aluna Regina Geraldo, também de Pedagogia, saiu das visitas com uma nova perspectiva. “Descobri um outro lado da Uerj, a parte humana. Também despertou minha curiosidade para conhecer mais a fundo outros campi”, acrescentou.

Recentemente agraciada com o Prêmio Anísio Teixeira por sua dedicação à Universidade, Mônica Santos, técnica da FCEE, coordena uma pesquisa pioneira com polímeros aplicados à saúde. O trabalho, apresentado aos visitantes, é um exemplo tangível da produção de conhecimento de alto nível realizada em todas as unidades da Uerj, gerando impacto direto na sociedade e colocando a instituição na vanguarda de pesquisas tecnológicas.
Ao final da semana, com os passaportes carimbados e novas memórias, o “Na Trilha da Uerj” cumpriu sua missão principal: promover um novo conhecimento sobre a Universidade. “Foi inspirador, porque dá vontade de fazermos mais. É preciso que a Uerj saiba quem ela é, no Maracanã e em vários lugares do estado do Rio de Janeiro”, resume Rosane.
O projeto mostrou que, ao percorrer os corredores, salas e laboratórios dos campi, não se visita “outra” Universidade, mas sim partes fundamentais de uma mesma instituição complexa e diversa.
Fotos: André Milagres, George Magaraia e Giulia Marques










