Diretoria de Comunicação da Uerj

A agência Bori, em parceria com a plataforma Overton, divulgou agora, no início de novembro, um relatório que lista os 107 pesquisadores brasileiros que mais influenciam decisões no mundo. A reitora da Uerj, professora Gulnar Azevedo e Silva, está entre eles.
A agência é especializada em ciência e políticas públicas e atua para aproximar a imprensa das fontes de informação acadêmicas, em especial aquelas com potencial de incidência e transformação da sociedade. A Overton, por sua vez, é uma plataforma que mapeia essa interface (ciência e poíticas públicas) compilando e organizando documentos estratégicos, relatórios técnicos e pareceres usados por governos, organismos internacionais e organizações da sociedade civil.
Na entrevista a seguir, a professora Gulnar trata desse reconhecimento no contexto de seu trabalho como pesquisadora da Uerj.
Como a senhora recebe essa notícia, de que seu nome aparece na lista dos 107 pesquisadores brasileiros que mais influenciam decisões no mundo?
Em primeiro lugar, eu fiquei surpresa, mas muito feliz de ser reconhecida, porque o tempo todo da minha vida acadêmica, da minha vida de pesquisadora e também de sanitarista, eu me preocupei em realizar pesquisas que pudessem ajudar na construção de políticas públicas em saúde. Também fico muito feliz de saber que a pessoa que está no topo dessa lista é o César Victora, um grande epidemiologista e grande amigo. Os trabalhos dele foram fundamentais para avançar no conhecimento sobre os determinantes para promover a saúde materna e das crianças em todo o mundo, como a importância da amamentação, dos primeiros 1.000 dias e muitas outras questões que foram fundamentais para estabelecer políticas efetivas nesta área. É um orgulho estar numa lista com o César e muitos outros colegas da saúde coletiva e de outras áreas do conhecimento que contribuíram na construção de políticas públicas com base científica.
Quais das suas pesquisas a senhora acredita que foram mais significativas para esse reconhecimento?
Eu trabalho com epidemiologia de doenças crônicas e, entre elas, uma área que pesquiso há quase 40 anos envolve o câncer. Atuo tanto no reconhecimento do risco de ter câncer associado a exposições ambientais e relativas aos modos de vida, bem como na avaliação do acesso às ações de controle em função das desigualdades socioeconômicas. Me preocupo muito em avaliar como tem sido a assistência às pessoas que recebem o diagnóstico e que precisam ter o tratamento de qualidade em tempo oportuno. Esses estudos mostram que a gente tem uma defasagem enorme entre grupos populacionais, novamente guiada por essas desigualdades. Por isto sempre atuei no sentido de participar da formulação de ações que pudessem minimizar essas diferenças e fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS).
Alguns estudos de que participei, junto com vários colegas pesquisadores, no Brasil e na Inglaterra e com meus alunos, foram publicados em revistas de muito peso fora do país. Mas também fico feliz com os estudos que publicamos em revistas brasileiras que têm muita capilaridade, lidas por gestores, profissionais de saúde e grupos de pesquisa brasileiros, o que é muito importante para difusão de conhecimento produzido aqui e voltado para as necessidades de nossa população. É a ciência que pode trazer esperança para a cura e controle de diversas doenças e ela precisa estar muito atenta a condições para entender os diferentes contextos que vivemos. Além de desenvolver pesquisa, nosso compromisso tem sido sempre norteado pelo potencial que as pesquisas têm de impactar positivamente na qualidade de vida e na sustentabilidade de políticas efetivas e que cheguem a todos.
A Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa (PR2) da Uerj está completando 45 anos e o Programa Prociência, 30 anos, em 2025. Como a senhora avalia o impacto dessas instâncias no avanço da ciência e na influência nas decisões que envolvem políticas públicas (tema do relatório)?
Eu sou pró-cientista aqui da Uerj e me orgulho muito disso. Esse programa, criado há 30 anos pela então Vice-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa da Uerj, hoje PR2, é fundamental porque nos dá apoio para realizar pesquisas e também é um grande estímulo para aprimorar nossos cursos de graduação e pós-graduação.
Então, em todos os meus projetos como pró-cientista, eu sempre incluí muitos estudantes. Eles atuam junto comigo. É uma formação continuada e em grupo, um grupo aberto, dinâmico, que possibilita a construção de conhecimento com muita troca, o que nos mantêm aprendendo a cada dia. Na área de saúde, e em muitas outras, o incentivo financeiro para realização de pesquisas é essencial.
É um programa muito bem-sucedido. A Uerj está de parabéns por garantir isso e consolidar cada vez mais essa política. A Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa tem trabalhado bastante na perspectiva de tornar esse programa cada vez mais amplo e relevante.