FCS e IME desenvolvem aplicativo com mapa sonoro do Rio de Janeiro

10/01/201915:43

Diretoria de Comunicação da UERJ

Produzido por professores e alunos, AudioLabGeo se propõe a evidenciar a história de espaços urbanos que vão muito além dos cartões-postais

Imagine escutar informações sobre um determinado ponto turístico ou histórico por meio de um aplicativo de celular. Essa é a proposta do AudioLabGeo, plataforma para smartphones resultante de uma parceria entre os laboratórios de Áudio, da Faculdade de Comunicação Social (FCS), e de Ciências da Computação (LCC), do Instituto de Matemática e Estatística (IME). Um dos grandes méritos do projeto é o fato de que a maior parte do conteúdo disponível online foi produzida pelos alunos da disciplina de Comunicação e Rádio, da FCS.

O aplicativo, disponível para a plataforma Android, surgiu como ideia em 2015, com pesquisas e mapeamento de pontos de interesse público no Rio de Janeiro. Nesse período, estudantes da Faculdade de Comunicação ajudaram a fazer a curadoria de locais a serem abordados, assim como a produção de textos que contêm a história envolvida em cada área. Para isso, foram concedidas bolsas para estudantes do curso, como estágio interno complementar.

A tarefa de escolher um ponto de interesse, fazer uma pesquisa que retrate o local, redigir um texto e gravá-lo foi parte da avaliação dos alunos. Dessa forma, todos os estudantes dos cursos de Jornalismo e Relações Públicas puderam contribuir com o aplicativo. Quando o projeto começou, professores de História também participavam do processo de estruturação de conteúdos. Além disso, as informações foram apuradas em fontes confiáveis, como sites oficiais de instituições ligadas aos locais, e pesquisas, artigos e matérias divulgadas pela imprensa.

Todo esse material exige um amplo trabalho da equipe de professores e jornalistas do laboratório da FCS. O áudio e o texto elaborado passam por processo de correção, gravação e sonorização. “Os alunos têm total autonomia e liberdade para apresentarem suas ideias. Aceitamos as sugestões porque eles moram em lugares diferentes e têm conhecimento de algum ponto ou lugar interessante”, disse Gisele Sobral, coordenadora de Jornalismo do projeto.

Para Matheus Vinicius, do curso de Jornalismo, a dinâmica do aplicativo possibilita um melhor conhecimento acerca de espaços urbanos, muitas vezes desconhecidos e distantes dos grandes centros turísticos. “O aplicativo tem pontos salvos, como os das zonas Norte e Oeste, que também não costumam ser visitados, mas são bastante conhecidos por quem mora lá, como muitos dos estudantes”, disse.

Ex-bolsista do AudioLab, Ana Mello já faz uso do aplicativo tanto para usufruto na sua vida pessoal, quanto profissional. “A proposta é muito bacana e educativa. Poder ouvir áudios de pontos do Rio sem estar lá mexe com a sua imaginação e faz você ter vontade de visitar. Eu tive a oportunidade de conhecer a história de alguns lugares ouvindo os áudios do aplicativo para fazer um documentário. E foi bem enriquecedor”, contou.

Além do aplicativo, o conteúdo do AudioLabGeo foi também estruturado para ser veiculado no site www.audiolab.uerj.br. No endereço, os áudios presentes no aplicativo estão disponíveis para serem escutados também na página web. O acervo já conta com mais de 90 áudios desde que foi lançado em 2017. Todo o conteúdo é conectado a um sistema de geolocalização, em que o usuário escolhe no mapa, integrado ao Google, o conteúdo do ponto de interesse. São abordadas temáticas culturais, de entretenimento e históricas, produzidas no laboratório da Universidade.

Aprender na prática é mais eficaz

Um outro viés do projeto é a possibilidade de os alunos e bolsistas do laboratório aprenderem não só na teoria, mas também na prática o radiojornalismo. Ana Mello conta que aprendeu a ser jornalista, de fato, depois de ter passado pelo laboratório. “Uma coisa é você aprender a fazer matérias na teoria, outra totalmente diferente é você descer a UERJ com o microfone para entrevistar alguém e terminar com uma matéria pronta. O laboratório e o rádio dão essa possibilidade de aprender, trabalhar a entonação do texto e a escrita”, relatou.

Aplicativo pode se expandir para outras cidades e regiões do Brasil

O que inicialmente foi pensado para atingir a uma população local tem se espalhado para cidades vizinhas e já há planos para implementar o projeto em outras universidades. De acordo com Gisele Sobral, há contato até de instituições de outros estados, como a Universidade Federal de Ouro Preto, que poderá receber o projeto.